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Sistema Ocepar - Paraná Cooperativo - Informe Diário

Informe Paraná Cooperativo - edição nº 2874 | 25 de Junho de 2012

EXPORTAÇÕES: Com aumento de 12,3%, cooperativas do PR mantêm liderança no setor

006Os embarques do setor cooperativista brasileiro alcançaram US$ 2,3 bilhões entre janeiro e maio deste ano, o que representou aumento de 7,9% em comparação ao mesmo período de 2011. O Estado do Paraná liderou as exportações do setor, respondendo por 37,7% das vendas do cooperativismo brasileiro para outros países, somando US$ 879,7 milhões nos cinco primeiros meses de 2012 – crescimento de 12,3% em relação ao mesmo intervalo de 2011. Na sequência, destacaram-se São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com embarques correspondentes a, respectivamente, 28,8%, 12%, 7,5% e 7,5% do total das cooperativas em todo o país. O levantamento foi realizado pela Gerência Técnica e Econômica da Ocepar (Getec), com base nos dados divulgados pela Secretaria de Operações de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Secex/Mdic).

Complexo soja - O principal produto exportado pelas cooperativas do Paraná até maio deste ano foi a soja em grão, que atingiu US$ 245 milhões, ou 28% das exportações totais. O valor é 19% superior ao contabilizado entre janeiro e maio do ano passado.  Já o complexo soja, formado pelos grãos, farelo e óleo de soja,  respondeu por 54,5% dos embarques totais. “O aumento das exportações pode ser atribuído à demanda aquecida do mercado de soja em grão, motivada pela quebra de safra na América do Sul e pelos preços favoráveis no mercado internacional”, explica o analista da Getec, Gilson Martins.

Frango – Ainda de acordo com ele, houve avanço também nos embarques de frango, que alcançaram US$ 174,53 milhões entre janeiro e maio deste ano, ou 20% das exportações totais. Os valores apurados com as exportações de frango avançaram 12% em comparação ao mesmo período de 2011. “O frango é o terceiro produto mais exportado pelas cooperativas paranaenses”, acrescentou Martins. Outros produtos que se destacaram na pauta de embarques do setor foram o açúcar (8,6%), trigo em grão (6,6%), suínos (5,8%), suco de laranja (2,4%) e milho (1,3%).

Países - Entre janeiro e maio de 2012, as cooperativas paranaenses embarcaram seus produtos para 81 países. A China foi o país com maior participação, adquirindo US$ 259,9 milhões das cooperativas do Paraná. Os principais produtos importados pelos chineses foram a soja em grão (72%), frango (18,7%) e óleo de soja (8,8%). O segundo país que mais importou foi a Alemanha, seguido pela Holanda. Juntos, os países que integram a União Europeia compraram UU$ 318,7 milhões das cooperativas do Paraná, o que correspondeu a 36% dos embarques. Itália e Finlândia se destacaram com aumento de 515% e 1.288%, respectivamente, nas compras do setor. Os principais produtos embarcados ao bloco foram farelo de soja (50%), suínos (13%), frangos (12%), soja em grão (11%), trigo (6%) e açúcar (3%).

Liga Árabe - Os países da liga árabe também estão comprando mais das cooperativas paranaenses. Entre janeiro e maio de 2012, eles importaram US$ 77,24 milhões, ou seja, 48% a mais que no mesmo período do ano passado. Destaques são os Emirados Árabes, Arábia Saudita, Líbia e Iraque, com taxas de crescimento bem altas nos embarques. Os principais produtos comercializados foram açúcar (51%), trigo (31%) e frangos (12%). Em comparação ao mesmo período do ano passado, houve um aumento de 519% nos embarques de frango para os países da liga árabe.

Clique aqui e confira o estudo Agroexportações na íntegra

SESCOOP/PR: Líderes e executivos de cooperativas participam de programa de formação

Aprimorar a gestão estratégica e empresarial e discutir as melhores práticas de governança e estrutura organizacional das cooperativas. Esses foram os objetivos do módulo de estudos do Programa de Desenvolvimento de Líderes e Executivos do Sescoop/PR, que ocorreu sexta-feira (22/06) e sábado (23/06) no Hotel Lizon, em Curitiba. Cerca de 30 líderes e executivos de cooperativas paranaenses participaram do encontro, que terá continuidade nos próximos dias 28, 29 e 30 de junho. “O Programa atende às demandas das cooperativas e foi desenvolvido como parte de uma estratégia de formação continuada, que tem alcançado bons resultados”, explicou o superintendente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, que participou do evento. Também presentes o gerente de Desenvolvimento Humano do Sescoop/PR, Leonardo Boesche, e o coordenador de Desenvolvimento Humano, Humberto Bridi.

Percepções - O Programa prossegue nessa semana com foco em liderança, gestão e equipe, e procedimentos junto ao público externo. “Além do conteúdo dos estudos, são importantes as discussões e trocas de experiências do grupo, com distintas percepções e pontos de vista”, ressaltou Boesche. Para a assessora executiva da Unimed Curitiba, Scheila Santos, o programa de formação, ao promover o intercâmbio, aproxima os diferentes ramos do cooperativismo. “É um encontro de aprimoramento, com uma troca de experiências que nos habilita a aperfeiçoar nossos procedimentos de gestão, trazendo melhorias e benefícios para a cooperativa e, principalmente, aos cooperados”, afirmou.

Profissionalização - Para o professor da Fundação Dom Cabral, Anderson Mota, que ministrou o módulo do Programa, percebe-se a trajetória crescente de profissionalização da gestão no setor cooperativista. “Há uma evolução e um interesse contínuo de aprimoramento por parte dos gestores das cooperativas, sejam do conselho de administração, da diretoria ou do conselho fiscal. É um dado extremamente importante para a expansão do segmento”, afirmou. “A troca de informações é outro ponto positivo, pois os executivos e líderes compartilham um rico material de experiências que podem ser aproveitadas em sua cooperativa”, concluiu Mota.

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COOPERATIVISMO: Agropecuária é a âncora da economia brasileira, diz presidente da Coamo

galassiniEm meio a crise que está afetando a economia em escala mundial, o desempenho da agropecuária brasileira está influenciando positivamente os índices nacionais. No ano passado, o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 2,7%, segundo último levantamento do IBGE, enquanto o PIB da agropecuária encerrou o ano com alta de 3,9%. “Vemos claramente que a agropecuária é a âncora da economia brasileira e que representa o principal setor econômico do país”, disse o presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini, durante visita ao Sistema Ocepar, na manhã desta segunda-feira (25/06).

Cooperativismo - Na avaliação do dirigente, o cooperativismo é um dos principais responsáveis pelo bom desempenho do setor produtivo nacional. “O cooperativismo, de maneira geral, é um sistema importante para todos os setores, tanto que a ONU (Organização das Nações Unidas) determinou o ano de 2012 como o Ano Internacional das Cooperativas. É um reconhecimento do valor que o cooperativismo tem para o desenvolvimento econômico e social dos países”, disse.

 Paraná – Segundo o dirigente, o cooperativismo do Paraná está bem estruturado e, especificamente em relação à agropecuária, presta um relevante serviço na medida em que consegue transmitir novas tecnologias e apoiar os agricultores em questões como acesso a recursos e o seguro agrícola. “No caso da Coamo, houve um expressivo ganho de produtividade desde que fundamos a cooperativa, em 1970. Naquela época, colhíamos 70 sacas de soja por alqueire e, hoje, em alguns casos, são colhidas mais de 270 sacas. Não podemos afirmar que este aumento de produtividade foi somente por causa da Coamo mas, com toda a certeza, a cooperativa contribuiu para isso, pois conseguiu levar novas tecnologias para mais gente, ou seja, para os seus 24 mil cooperados e, com isto, estamos conseguindo na região de atuação da Coamo uma média geral de produtividade bem elevada, em relação, inclusive, a outras regiões do Estado”, afirmou.

Econômico – Gallassini afirma ainda que outro fato que explica o sucesso do cooperativismo paranaense é a visão de que é preciso focar no aspecto econômico das atividades. “Sempre digo que temos que perguntar qual o aspecto mais importante do cooperativismo: o econômico ou o social? Tenho que dizer que em todos os setores, o econômico é o principal, pois é isto que viabiliza o social. Se olharmos só para o social, teremos déficit, prejuízo e até podemos quebrar. Porém, é importante destacar que temos que priorizar o econômico, mas ter a consciência de que ele deve servir ao social”.

Coamo - A Coamo possui 24.216 cooperados, 5.634 funcionários e a área de atuação abrange, além de munícipios do Paraná, também Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Em 2011, a cooperativa respondeu por mais de 50% das exportações do cooperativismo paranaense, atingindo US$ 1,1 bilhão e se posicionou como a 35ª maior empresa exportadora brasileira. As receitas globais da Coamo somaram R$ 5,97 bilhões e R$ 369,48 milhões foram distribuídos em sobras no ano passado. Gallassini conta que a cooperativa tem apresentado um crescimento bastante significativo nos últimos anos e que este desempenho deve ser incrementado ainda mais nos próximos anos por conta dos investimentos aprovados na assembleia geral deste ano, previstos em R$ 275 milhões para o biênio 2012-2014. “A meta é construir cinco novos entrepostos no Paraná e três no Mato Grosso do Sul. Também iremos ampliar e modernizar 40 entrepostos”, declarou o dirigente. Outros investimentos devem abranger a construção de um moinho com capacidade de 500 toneladas/dia de farinha de trigo e também a duplicação da produção na indústria de gordura vegetal.

 Quadro social- Além disso, a cooperativa vem investindo bastante no quadro social, com a finalidade de fazer com que os 24 mil cooperados possam adotar novas tecnologias e desta forma aumentar sua renda. “Nós temos um trabalho grande, do ponto de vista econômico da Coamo, em que fornecemos a prazo de safra. E além da Coamo, temos a Credicoamo que investe muito em custeio e investimento, tanto que este ano foram repassados cerca de R$ 600 milhões aos cooperados.  Além disso, estamos bem estruturados também na questão do seguro agrícola, com a Via Sollus Corretora de Seguros, empresa que atende todos os cooperados da Coamo, de maneira que todos os prazos de safra possam ter seguro agrícola, e também todos os cooperados que financiam custeio pela CrediCoamo. A finalidade é proporcionar segurança ao produtor contra perdas para que ele não fique endividado caso venha enfrentar problemas de quebra de safra”, disse.

CAPAL: Cooperativa recebe visita de produtores australianos

A Capal recebeu recentemente um grupo de visitantes da Austrália, numa iniciativa da Alltech, empresa multinacional do ramo de nutrição animal, que trouxe para o Brasil alguns pesquisadores, produtores de suínos e consultores de nutrição, com o objetivo de apresentá-los ao sistema cooperativista. "Trata-se de grandes produtores de suínos da Austrália, que estão em constante busca de melhorias na produtividade e de maior lucratividade. Lá não existem cooperativas e esse é um sistema que com certeza trará melhorias e ganhos para eles", afirma Alessandra Alves, gerente de vendas da Alltech, que acompanhou a visita. Durante a passagem Capal, os visitantes foram apresentados ao sistema cooperativista, conheceram os ramos de atuação da cooperativa e toda a área operacional.

Satisfação - Stevie Mcmurtrie, um dos visitantes, relatou estar muito satisfeito com o que viu. "Estou impressionado, a estrutura é muito grande. E o sistema é semelhante ao de uma empresa, mas traz benefícios a todos os envolvidos. A visita foi muito boa", afirma Mcmurtrie. Ao final, o gerente geral da Alltech na Austrália, Adam Naylor, fez questão de agradecer pela oportunidade. "A visita tomou tempo e vocês não hesitaram um minuto em tirar nossas dúvidas e sanar nossa curiosidade. Normalmente somos recebidos com uma rápida apresentação e já nos dizem tchau. Estamos realmente satisfeitos com a recepção da Capal". (Imprensa Capal)

COPAGRA: Reuniões são realizadas com agricultores que cultivam mandioca

ZanquetaMandiocultores da região de Terra Rica participaram, na última quinta-feira (21/06), de uma reunião para discutir os rumos da cultura na região. O evento, organizado pela Unidade da Copagra (Cooperativa Agroindustrial do Noroeste Paranaense) no município, teve como objetivo de difundir informações, apresentar alternativas de cultivo, novas tecnologias disponíveis e incentivar a produção.

Participações - Aproximadamente 50 produtores participaram da reunião e ampliou seus conhecimentos. Também aproveitaram para esclarecer dúvidas sobre área industrial e comercial da Cooperativa. Os gerentes de Insumos, Jorge Machado, Comercial, Everson Souza, e da Fecularia, Rafael Scarpini, explanaram sobre a comercialização de agrotóxicos, perspectiva de mercado e recebimento de produção. “Como a Copagra não está mais efetuando o plantio de mandioca própria, estamos realizando essas reuniões para impulsionar o recebimento de produção” explicou Rafael Scarpini.  

Novo formato - Na reunião, a cooperativa também implantou o novo formato para a  realização de eventos. Explanações rápidas, caráter informal e dialogo claro transformaram o encontro em interativo, o que agregou mais conteúdo e ajudou os gerentes a sanarem dúvidas sobre os assuntos. “Como foco é o produtor rural, as reuniões passarão a ter um caráter informal para que eles se sintam à vontade para perguntar”, explicou Oswaldo Zanqueta, vice-presidente da Copagra. (Imprensa Copagra)

RAMO CRÉDITO I: Conselheiros de cooperativas participam de segundo módulo do Formacred

O Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) deu início, na semana passada, a mais uma fase de execução do Programa Nacional de Educação do Crédito Cooperativo (Educred) com a realização do segundo módulo do Curso de Formação de Conselheiros de Cooperativas de Crédito (Formacred). A capacitação aconteceu entre os dias 21 e 22 de junho, no Centro de Convenções Israel Pinheiro, no Lago Sul, em Brasília (DF) e contou com a participação de 19 conselheiros dos sistemas Sicredi, Sicoob e Unicredi. Com carga horária de 12h, a capacitação foi ministrada pelo professor Antônio Augusto, um dos três consultores da empresa Dialétika, contratada para atuar na execução do programa Formacred.

Tema - Neste módulo, o tema foi “Abordagem Legal”. De acordo com a gerente de Formação e Qualificação Profissional do Sescoop, Andrea Sayar, conceitos básicos foram introduzidos ao grupo, como forma de nivelamento para, na próxima etapa, ser dada continuidade à formação. “A turma reunida para o segundo módulo é mista, composta por conselheiros de administração e fiscais, pois o conteúdo, neste momento, é comum às duas áreas de atuação. No próximo módulo, as turmas serão divididas e o tema será aprofundado, especificamente, para cada grupo de conselheiro”, explicou.

Nivelamento - O diretor administrativo da Unicred João Pessoa, Paulo Valério de Melo, elogiou a oportunidade que os participantes tiveram de trocar conhecimentos. “O curso proporcionou, logo no início, um nivelamento do grupo. Isso foi fundamental para um intercâmbio muito interessante, mesmo em um curto espaço de tempo. Esses conhecimentos serão levados às nossas bases, visando a melhoria de nosso sistema”, afirmou.

Novas perspectivas - O conselheiro de Administração da Sicoob Cocred, Luiz Carlos Tasso Júnior, concordando com o colega, complementou: “O grupo é bastante aberto, e isso facilita e engrandece as discussões, trazendo novas perspectivas para a formação do conselheiro”. Sobre o vislumbre da aplicação das técnicas aprendidas, Tasso afirma que o sistema está otimista: “Estamos vendo exemplos totalmente plausíveis com nossa realidade, o que vai transformar o processo de repasse aos demais em uma tarefa muito tranquila”.

Conhecimentos relevantes - João José Cintra, conselheiro Fiscal da cooperativa Credicoocapec, resumiu afirmando que o curso está proporcionando aos participantes o conhecimento de temas extremamente relevantes: “Está nos dando uma visão melhor para atuarmos em nossas cooperativas. Essa formação precisa ser mantida e levada a todas as cooperativas e conselheiros efetivos”.

O programa – Concebido para atender a uma demanda do Conselho Especializado do Ramo Crédito da Organização das Cooperativas Brasileiras (Ceco/OCB), e do Banco Central do Brasil (BC), para que fossem desenvolvidos programas de capacitação e treinamento de dirigentes e empregados das cooperativas de crédito, o Formacred tem como objetivo oferecer formação de qualidade a conselheiros de Administração e Fiscal, contribuindo para o processo de desenvolvimento, profissionalização e aumento da competitividade desses empreendimentos frente ao sistema financeiro nacional.

Próximos módulos - Os próximos módulos do Formacred já estão previstos e deverão ser realizados nos meses de agosto, setembro e novembro de 2012. Na próxima semana, a turma B passará por este mesmo módulo. O seguinte será sobre “Abordagem geral – aspectos organizacionais”. Ao final das 96 horas, os participantes serão certificados pelo Sescoop. (Informe OCB)

RAMO CRÉDITO II: Sicoob PR promove circuito de palestras com Jussier Ramalho

jussierO Sicoob PR, em parceria com as associações comerciais e o Sebrae, esta realizando o circuito de palestras com Jussier Ramalho em todo o estado do Paraná. O objetivo é valorizar os associados e cooperados, trazendo uma experiência motivadora de empreendedorismo. Iniciado neste mês de junho, o circuito se estenderá até o mês de novembro em todas as cidades onde as cooperativas atuam. (Informativo Sicoob Central PR)

GOVERNO FEDERAL: Pacote para investimento deve incluir corte da TJLP

O governo deve lançar nos próximos dias um pacote de estímulos aos investimentos com o objetivo de empurrar o ritmo de avanço do Produto Interno Bruto (PIB) ainda em 2012. A redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que baliza os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), é uma das medidas em estudo e que podem ser anunciadas. Desde junho de 2009 em 6% ao ano, a TJLP deve ser reduzida para 5,5% ou mesmo 5% ao ano. Haverá também forte estímulo às compras governamentais, por meio da regulamentação das margens de preferência para produtos do complexo industrial da saúde, e a ampliação da lista de produtos para compras do Ministério da Educação.

IPI - O governo também deve anunciar a prorrogação, por mais três meses, do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para eletrodomésticos da linha branca, móveis, laminados PET, papel de parede, luminárias e lustres. A atual tabela de IPI reduzido para esses setores perde validade no sábado.

Detalhes - Os últimos detalhes das medidas serão fechados entre esta segunda e terça-feira (25 e 26/06) pelos técnicos dos ministérios da Fazenda, Planejamento, Saúde, Educação e Casa Civil, além de técnicos do Tesouro Nacional e do BNDES. Também na quinta-feira, o governo deve anunciar o Plano Safra 2012/2013, que contará com cerca de R$ 115 bilhões, reduções nos juros dos empréstimos rurais, criação de novas linhas de crédito e a desoneração tributária de insumos.

Compras governamentais - As compras governamentais serão "reforçadas, aceleradas e antecipadas", afirmou uma fonte graduada do governo. O Ministério da Educação, por exemplo, vai reforçar a lista de produtos adquiridos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que já compra desde ônibus escolares a uniformes, e passará a comprar também geladeiras, fogões, móveis para creches e brinquedos pedagógicos. O Ministério da Saúde vai acelerar a regulamentação dos instrumentos que permitem pagar até 25% mais por produtos nacionais nas compras que a pasta faz para o Sistema Único da Saúde (SUS).

Estímulo imediato - A área econômica entende que é possível estimular a economia imediatamente por meio das compras governamentais, e, adicionalmente, criar um efeito indutor sobre os investimentos privados. O governo espera gastar mais de R$ 60 bilhões neste ano em compras públicas, ante R$ 51,7 bilhões no ano passado, segundo dados do Ministério do Planejamento.

Portaria - Uma portaria será publicada com a regulamentação do decreto 7.713, de abril deste ano, prevendo as margens de preferência de 8% para "insumos farmacêuticos ativos" em desenvolvimento ou com capacidade nacional de fabricação imediata, 20% para fármacos, medicamentos não ativos e medicamentos que utilizem fármacos específicos, e 25% para produtos biológicos (biofármacos).

Linha de crédito especial - Na quinta-feira (28/06), o Conselho Monetário Nacional (CMN) deve autorizar a criação da linha especial de crédito de R$ 20 bilhões do BNDES para financiar projetos de investimentos em infraestrutura nos 26 Estados e Distrito Federal. Essa linha terá um ano de carência e dez anos para ser paga, a partir de julho de 2013, com juro de 1,1% ao ano, além da TJLP. Com o provável corte na TJLP, cuja prerrogativa legal é do CMN, essa linha especial de crédito será barateada.

Selic - No governo, o corte na TJLP visa "acompanhar" a redução dos juros na economia como um todo, a começar pela taxa básica de juros, a Selic, hoje em 8,5% ao ano. A atual diferença entre as taxas, de 2,5 pontos percentuais, é a menor da história - a diferença entre a Selic e a TJLP era de 6,5 pontos percentuais em agosto do ano passado, quando o Banco Central (BC) iniciou a política de cortes na taxa básica de juro.

Agilidade - A presidente Dilma Rousseff deve reunir os ministros envolvidos no "esforço pelos investimentos públicos", como as medidas estão sendo tratadas no Palácio do Planalto, para cobrar maior agilidade na liberação de recursos para essas despesas. Em especial, os ministérios dos Transportes e das Cidades, onde os projetos de infraestrutura estão concentrados, devem agilizar os investimentos, represados neste primeiro semestre.

Ritmo do PIB  - Há grande preocupação no governo quanto ao ritmo do PIB neste ano, que pode registrar avanço inferior aos 2,7% verificados em 2011. O estímulo aos investimentos visa, também, "preparar o terreno" para 2013, quando o Ministério da Fazenda espera dobrar o ritmo de avanço da economia. Adicionalmente ao pacote que deve ser lançado nos próximos dias, a desoneração da folha de pagamentos para 15 setores da economia, prevista no programa Brasil Maior, entra em vigor na semana que vem. Nesta semana, também, o Banco Central deve reduzir de 3,5% para 3% a estimativa para o avanço do PIB neste ano, por meio do Relatório de Inflação. (Valor Econômico)

RIO+20 I: Pnuma precisa de maior autonomia, diz diretor da entidade

A Rio+20 deixa uma boa notícia para a governança ambiental mundial, avaliou, no apagar das luzes da conferência, Achim Steiner, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Ele aproveitou para fazer uma defesa do documento aprovado pelos negociadores dos 193 países das Nações Unidas na madrugada de terça-feira (19/06): "Leiam o documento com atenção para ver que há coisas novas [no texto]", disse Steiner.

Reforço - As afirmações de Steiner buscaram reforçar a avaliação de que avançou, no sistema das Nações Unidas, a governança institucional do desenvolvimento sustentável e do ambiente, a partir da Rio+20. Ele elogiou o compromisso contido no documento de fortalecer e elevar o Pnuma a um novo patamar, embora não tenha saído da conferência a decisão de transformar o programa em uma agência semelhante a outras do sistema Nações Unidas, como a Organização Mundial da Saúde (OMS).  "Pela primeira em 40 anos, os governos decidiram que a plataforma do Pnuma tem que ter todos os países participando", disse Steiner. Segundo ele, muitos países queriam ir além, mas se chegou aonde era possível.

Autonomia - O Pnuma tem 40 anos, mas carece de autonomia em suas decisões, que precisam ser ratificadas pela Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Só 58 dos 193 países das Nações Unidas tomam decisões no conselho do Pnuma e o programa, com sede no Quênia, carece de dinheiro frente às necessidades. Outra iniciativa passa por aumentar as verbas para o programa. Steiner lembrou que 97% do financiamento do Pnuma é baseado em contribuições voluntárias, o que mostra, segundo ele, a "resiliência" do programa. (Valor Econômico)

RIO+20 II: Transição à economia verde passa por PPPs

Passado o furacão de conferências e eventos paralelos da Rio+20, encerrada oficialmente na sexta-feira (22/06), representantes de diferentes espectros da indústria e da política parecem ter chegado a um denominador comum: somente através de parcerias público-privadas será possível avançar na agenda da sustentabilidade, cujos preceitos começaram a ser delineados aqui.

Liderança - Empresas e delegações internacionais acompanhadas ao longo da última semana pelo Valor repetiram em diferentes fóruns que a iniciativa privada deve liderar a transição para um novo modelo de economia, mas não andar sozinha nesse novo caminho. Sem governos dispostos, os investimentos serão tímidos e cairão em um vazio.

Visão de longo prazo - "É preciso políticos fortes, com visão de longo prazo e decisões que independam de mudanças de governo", afirmou Roland Busch, presidente global da divisão Cidades & Infraestrutura da Siemens a uma plateia de prefeitos e representantes das Nações Unidas reunidos para discutir o futuro das manchas urbanas. Muito aplaudido, com essa frase o executivo alemão parecia fazer ressoar um sentimento contido do setor privado.

Raciocínio básico - O raciocínio básico para o avanço da agenda verde foi resumido dias depois pela primeira-ministra da Dinamarca, Helle Thorning-Schmidt: "É minha responsabilidade criar políticas públicas que levam à sustentabilidade. E é responsabilidade do setor privado pôr o dinheiro para transformar a sustentabilidade em realidade".

Forma - Os dias de Rio+20 se sucederam com anúncios pontuais de alianças e investimentos, sugerindo que alguma mudança de mentalidade pode estar começando a tomar forma. A mais marcante veio do Reino Unido, com a exigência para que as empresas listadas na bolsa de Londres relatem anualmente as suas emissões de CO2, na primeira iniciativa do gênero no mundo.

Anúncio - Representado pelo vice-primeiro-ministro Nicholas Cregg, o governo britânico anunciou ainda a liberação de 150 milhões de libras para um programa de financiamento de pequenos agricultores da África. Um compromisso firmado por 50 países destinará US$ 50 bilhões em energia sustentável para o mundo até 2030 e um acordo entre oito bancos de investimento mundiais liberará US$ 175 bilhões em programas de transporte sustentável, entre outras tantas promessas de ajuda na Rio+20.

Parcerias - Paralelamente, parcerias costuradas havia muitos meses iam sendo apresentadas ao público. Em uma ação liderada pelo Banco Mundial, 86 empresas privadas e 57 países manifestaram a necessidade de dar valor a ativos naturais, conceito ainda hoje amplamente ignorado. A adesão à chamada "Declaração de Capital Natural" foi uma defesa à inclusão de critérios como água, ar, florestas e ecossistemas nos modelos de negócios e nos cálculos de geração de riqueza. Ninguém tem ainda a receita de como fazer isso, mas a Rio+20 foi um ponto de partida para novos encontros e "quebração" de cabeça, dizem os signatários da ideia.

Distância - A longa distância desse futuro sustentável, no entanto, podia ser vista nas apresentações dos executivos paralelas às discussões oficiais. Algumas palestras de diretores de sustentabilidade eram tão voltadas à auto-promoção que a sensação de "greenwashing" era quase inevitável. Houve até quem explicasse que as leis ambiental e trabalhista do país eram cumprida à risca, com um ou outro comprometimento extra. "Cumprir a lei é piso, não teto", diz o advogado Werner Grau Neto, da Pinheiro Neto Advogados. "Sustentabilidade é ir além. É postura ética, melhores práticas. É sair do legal e ser voluntário".

Dificuldade - Para ele, a dificuldade da adoção de uma economia verde é negar o capitalismo - o consumo reduzido. O vice-presidente de sustentabilidade do grupo Procter & Gamble, Peter White, discorda que as empresas vão perder com a redução do consumo. "Vamos, ao contrário, ganhar porque haverá redução de custos com embalagens, por exemplo, e desenvolvimento de tecnologias para tornar os produtos mais sustentáveis", afirma.

Mudança de hábito - As empresas também contam com a mudança de hábitos do consumidor, principalmente nas regiões emergentes, para ajudá-las na causa ambiental. Como boa parte da população dessas regiões estreia agora no consumo de produtos que antes não estavam em seu orçamento, os novos costumes se voltarão para embalagens mais simples ou eletrodomésticos menos sofisticados que os usados no Primeiro Mundo. "Hábitos de consumo que começam agora e podem seguir um rumo mais consciente", diz o presidente mundial da Unilever, Paul Polman. (Valor Econômico)

MERCADO: Queda de commodities afetará Brasil

Os preços das commodities no mercado internacional cairão consideravelmente, afetando toda a América Latina, inclusive o Brasil. Esse será o principal impacto da desaceleração da economia chinesa na região, avalia o economista-chefe do South Centre (órgão internacional de países em desenvolvimento com sede em Genebra, na Suíça), o turco Yilmaz Akyüz. Ele, que veio ao Brasil para a Rio+20, lembrou que, num momento em que os países da zona do euro estão em crise e os Estados Unidos, com baixo crescimento torna o cenário mais grave.

Bolhas - Ele falou com exclusividade ao Valor e disse que a redução no preço dos produtos básicos mostrará que o Brasil viveu, durante os últimos anos, duas bolhas: uma relacionada à própria valorização das commodities, que garantiu o saldo positivo na balança comercial, e outra que sobrevalorizou o real, com a forte entrada de dólares no país. Na visão do economista, o Brasil se caracterizou como um grande produtor de commodities, bens que atraíram recursos estrangeiros ao país, inflando o real. Com o fim do ciclo de alta das commodities, ele diz que o fluxo de capitais para o país poderá ficar comprometido.

Cuidado - "O Brasil precisa ter cuidado com o balanço de pagamentos. O problema é que o fluxo de capitais e as commodities estão além do poder do governo. Ou seja, o Brasil não pode adotar medidas para os preços das commodities subirem e não pode, facilmente, adotar medidas para atrair capitais para o país", diz ele, acrescentando que o processo de queda das commodities foi iniciado há dois meses. "Com isso, há um deslocamento rápido de recursos dos países emergentes e suas moedas se desvalorizam"."

Ações domésticas - Na avaliação do economista, o governo deveria praticar ações domésticas. Entre elas, destaca, deveria preparar-se para fazer controle de capitais e ser mais "seletivo na importação". "Meu conselho é: não usem as reservas cambiais, a não ser para investimentos, produção e importação de bens essenciais", afirma ele, para quem o real ficou valorizado por muito tempo, situação que impôs ao país a desindustrialização. Na época em que o real se valorizou, Akyüz diz que o governo deveria ter elevado o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de maneira menos "tímida". "Aumentar 3%, 4% é ineficiente. Quando se aumenta imposto cambial, tem de se aumentar 10%, 12% para ajudar a indústria", diz.

2008 - Akyüz conta que, em 2008, quando a crise financeira estourou, a China manteve o patamar de preços das commodities e funcionou como "a fábrica do mundo". Ele diz que, agora, isso acabou, porque as exportações chinesas estão perdendo mercado na Europa e nos Estados Unidos. Em razão disso, avalia, a China deverá mudar seu padrão de crescimento. Além de investimentos em infraestrutura, algo que o país já faz, seu governo terá de aumentar os esforços para promover a elevação do consumo da população.

Crescimento na China - "A China não voltará a crescer 9,5%. Acho que o país crescerá algo em torno de 7,8% em 2012 e sustentará esse patamar nos próximos anos", diz. "É um crescimento bastante decente. Muitos países adorariam ter uma taxa de crescimento dessa, inclusive, o Brasil." (Valor Econômico)

ALGODÃO: EUA tentam cortar pela metade valor de retaliação do Brasil

Os Estados Unidos fizeram alterações específicas num programa de subsídios agrícolas para reduzir quase pela metade o direito de o Brasil impor retaliação sobre produtos americanos no contencioso do algodão, mas o clima de confrontação pode voltar à Organização Mundial do Comércio (OMC). Estimativas americanas indicam que o governo brasileiro só poderia agora retaliar em cerca de US$ 500 milhões, comparado a quase US$ 1 bilhão que o país tinha direito há dois anos, quando suspendeu temporariamente a decisao de aplicar a sanção, em troca de compensação americana de US$ 147 milhões por ano.

Farm Bill - A lei agrícola americana ("Farm Bill") deixa de vigorar em setembro e subsídios condenados tendem a ser mantidos. Mas não há qualquer clareza de como ficará, a partir de outubro, a compensação para cobrir prejuízos sofridos pelo Brasil - e nem o valor da retaliação futura, se o Brasil decidir implementá-la.

Fórmula - É que o juiz da OMC criou uma fórmula para determinar cada ano o valor da sanção com base numa série de variáveis. Na época, negociadores brasileiros perceberam o risco de variantes "esotéricas", das quais os americanos poderiam se aproveitar para "manipular" o valor futuro da sanção - como de fato ocorreu.

Exemplo - Por exemplo, a fórmula da OMC entende que importações de algodão americano financiadas por bancos brasileiros, para o mercado brasileiro, têm impacto particularmente negativo sobre os produtores do Brasil. Assim, o que Washington fez foi tirar os bancos brasileiros da lista do programa GSM, por meio do qual financiavam a importação de algodão com a garantia do governo americano. Essa mudança foi feita em 2010, mas somente agora passou a ter o efeito, com a constatação das cifras do comércio de 2011, como nota a "newsletter" especializada "Inside US Trade"

Gatilho - Além disso, a fórmula da OMC estabelece um gatilho, a partir do qual o Brasil poderia impor retaliação cruzada - tanto contra bens como contra propriedade intelectual, patentes etc. Como o fluxo de comércio também mudou, o Brasil perderia o direito dessa retaliação cruzada, essencial para fazer os americanos negociarem. "As distorções nos programas de subsídios americanos são as mesmas, mas a fórmula da OMC reduz a sanção', diz um negociador.

Sinal - No entanto, o governo brasileiro l sinaliza que não vai abrir mão do direito de retaliar em mais de US$ 800 milhões. Argumenta que apenas suspendeu a sanção, há dois anos, pelo acordo com os EUA. Se decidir aplicar sobretaxas contra produtos americanos, vai ser no valor de então, e não no que Washington agora acha que deve ser, depois da alteração que fez no seu programa.

Decisão brasileira - "O valor da retaliação é essencialmente uma decisão brasileira, que será consistente com o relatório do árbitro da OMC e também com o acordo bilateral com os EUA", afirmou o principal negociador brasileiro no caso do algodão, o embaixador Roberto Azevedo.Brasil e EUA terão negociação bilateral em meados de julho, em Brasília. Se o governo Dilma Rousseff decidir pela sanção, e usar o valor original de mais de US$ 800 milhões, restará aos EUA reabrir um painel (comitê de árbitros) na OMC para examinar de novo o caso. E isso tomará pelo menos dois anos.  (Valor Econômico)

MERCOSUL: País eleva vendas para vizinhos que estão fora do bloco

A queda das exportações à Argentina, em função das medidas protecionistas adotadas pelo governo de Cristina Kirchner, fez com que o Mercosul diminuísse as compras de produtos brasileiros entre janeiro e maio. Por outro lado, o Brasil aumentou as vendas a parceiros não tão tradicionais, como Colômbia e Venezuela, fazendo com que os países fora do bloco ganhassem importância na pauta de exportações brasileiras para a América do Sul.

Queda - De janeiro a maio, as exportações para Argentina, Paraguai e Uruguai encolheram 10,3% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo estatísticas do Ministério do Desenvolvimento (Mdic). Dos US$ 9,4 bilhões gerados com as vendas ao bloco, US$ 7,5 bilhões vieram da Argentina, maior parceiro sul-americana - a Venezuela aparece em segundo lugar, com US$ 1,9 bilhão. Nos cinco primeiros meses de 2011, os argentinos compraram US$ 8,4 bilhões do Brasil. Essa queda em relação ao ano anterior praticamente corresponde à perda de US$ 1 bilhão nas vendas para todo o bloco, porque o Paraguai manteve US$ 1 bilhão em compras, e o Uruguai recuou de US$ 932 milhões para US$ 838 milhões.

Tendência inversa - O restante do continente apresentou tendência inversa, com as exportações crescendo 9% e alcançando um total de US$ 6,9 bilhões. A diferença pode ser explicada como uma forma de os exportadores buscarem mercados alternativos, na visão de José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). "As empresas estão procurando novos compradores, pois todos os cenários são péssimos, já que a economia argentina está em desaceleração e não há perspectivas de incremento nas trocas com Paraguai e Uruguai", explica Castro. "Sabendo disso, elas não vão esperar piorar o comércio para se mexer, sendo que há espaço em outros mercados, que também são próximos e contam com relativa facilidade de acesso."

Principal salto - O principal salto neste início de ano foi dado pelos venezuelanos, que compraram US$ 557 milhões a mais, impulsionados pela maior demanda por carne e máquinas e aparelhos mecânicos brasileiros. Os colombianos, por sua vez, importaram US$ 1,1 bilhão, soma 11,5% maior em relação a 2011. As importações brasileiras de toda a América do Sul mantiveram-se estáveis ao redor de US$ 12 bilhões.

Desaquecimento - Para Fabio Silveira, sócio-diretor da RC Consultores, o desaquecimento das economias mais desenvolvidas impede um crescimento mais expressivo do comércio entre o Brasil e seus vizinhos. Segundo ele, o continente depende da flutuação do preço das commodities e da demanda de outros parceiros para gerar receitas, que por sua vez possibilitam mais importação.

Evolução positiva - "Há uma evolução positiva nos mercados fora do Mercosul, mas em valores não é muito significativa. O resultado de agora acontece mais pelo enfraquecimento do mercado doméstico argentino, que está gerando esse protecionismo. A adoção de barreiras faz parte da cultura deles. Sempre quando o cenário muda, eles dificultam", diz Silveira.

Momento econômico - O momento econômico da América do Sul favorece as vendas brasileiras. "O continente está com média de crescimento maior do que outras regiões. Por ser um polo, o Brasil se beneficia desse aumento de demanda. A única exceção é a Argentina", afirma Rafael Bistafa, economista da Rosenberg & Associados.

Projeção - A projeção de elevação do Produto Interno Bruto (PIB) da Colômbia e da Venezuela para este ano é maior que o da Argentina. Dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) apontam crescimento de 4,5% para os colombianos e 5% para os venezuelanos, enquanto os argentinos estão com estimativa de 3,5%.

Setores - A maior demanda desses países é movida principalmente por dois setores, na visão de Sandra Manuelito, economista da divisão de desenvolvimento econômico da Cepal: petróleo e construção civil. "Além de ser ano eleitoral na Venezuela, a commodity ainda está sendo vendida a um patamar alto. A Colômbia está exportando volume maior do produto e tem expansão puxada pela habitação", diz a economista.

Capacidade de consumo - O ritmo mais intenso aumenta a capacidade de consumo desses mercados internos. "Há um redirecionamento também por causa do cenário externo. Mas ainda enfrentamos sérios problemas de infraestrutura e integração física. Isso tira competitividade dos produtos em relação aos asiáticos, o que dificulta uma expansão maior ou mais sustentada", afirma Sandra.

Diferença - O primeiro trimestre do ano mostrou a diferença na estimativa da Cepal. Na comparação com o mesmo período de 2011, o PIB venezuelano cresceu 5,6%, enquanto o argentino teve expansão de 4,8%. A Colômbia ainda não divulgou os dados dos primeiros meses de 2012.

Encolhimento Mercosul - O "fator Argentina", como define Castro, deve fazer com que, para o resto do ano, a tendência seja de encolhimento do Mercosul e aumento ou estabilização do patamar de crescimento dos outros países. Desde 1º de fevereiro, encabeçada pelo secretário de Comércio Interior, Guilhermo Moreno, A Argentina reforçou políticas de controle às importações. A equipe econômica de Cristina Kirchner deseja manter o superávit de cerca US$ 10 bilhões alcançado na balança comercial do ano passado. Não fosse o Brasil, o resultado poderia ser melhor. Em 2011, a relação foi superavitária para os brasileiros em US$ 5,8 bilhões.

Venda - Aproveitando o alto preço da soja no mercado internacional, os argentinos venderam boa parte da safra nos primeiros meses de 2012, segundo Castro. De agora em diante, as exportações argentinas devem ter desempenho pior, afetando o nível de importação. "De janeiro a maio, as vendas brasileiras para eles caíram 11%. Como eles estão fazendo o possível para zerar o déficit com o Brasil, a queda deve se acentuar e fechar o ano em torno de 20%." (Valor Econômico)


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