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Sistema Ocepar - Paraná Cooperativo - Informe Diário

Informe Paraná Cooperativo - edição nº 2995 | 17 de Dezembro de 2012

COOPERATIVISMO: Fóruns regionais representam um marco para o setor, avalia Koslovski

cooperativismo 17 12 2012 (6)Foram realizadas, na semana passada, as duas primeiras edições do Fórum Regional de Presidentes e Superintendentes do Sistema OCB, contemplando o Norte e o Nordeste do País, respectivamente. Na quarta-feira (12/12), a reunião aconteceu em Manaus (AM) e na quinta-feira (13/12) em Fortaleza. Os encontros reuniram representantes das organizações estaduais para discutir as estratégias e planejamentos do setor cooperativista brasileiro para os próximos anos,  juntamente com a diretoria da OCB. “Foi um momento importante para o setor e as reuniões foram muito boas. As sugestões apresentadas pelas duas regiões evidenciam que o cooperativismo está avançando em qualidade e com foco em resultados”, afirmou um dos diretores do Sistema OCB e presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski. Na oportunidade, os participantes puderam expor seus anseios e sugestões em relação ao avanço do cooperativismo brasileiro. “Essa coleta de subsídios vai permitir atender as demandas das regiões. Além disso, a somatória das propostas dessas regiões vai possibilitar o fortalecimento do trabalho de planejamento sistêmico da OCB”, acrescentou o dirigente.

Comprometimento – Koslovski destacou ainda a presença do presidente da OCB, Márcio Lopes de Freitas, e demais diretores nos Fóruns Regionais. “Essa participação demonstra a importância que está sendo dada a esse trabalho e representa um marco rumo à consolidação do cooperativismo brasileiro. Também demonstra o comprometimento da entidade em fazer as coisas caminharem em benefício das cinco regiões do País”, completou.

Próximos encontros - Os próximos encontros já estão agendados. No dia 14 de janeiro de 2013, será realizado o Fórum da Região Sudeste, em São Paulo (SP); no dia 16 do mesmo mês reúnem-se os estados da Região Sul, em Curitiba (PR) e o encontro do Centro-Oeste ocorre no dia 22 de janeiro do próximo ano, em Campo Grande (MS).

FUTURO 10 PARANÁ: Fórum se mobiliza para fazer de 2013 o ano da inovação no Estado

As 16 entidades que integram o Fórum Permanente Futuro 10 Paraná, entre elas a Ocepar, estão mobilizadas para fazer de 2013 o ano da inovação no Estado. A ideia é despertar a atenção da sociedade e estreitar a parceria entre a iniciativa privada e o poder público visando avançar nesse tema. “A inovação é a chave para o desenvolvimento econômico, justo e sustentável”, afirma o gerente de inovação da Fiep, Filipe Cassapo. Num primeiro momento, o Fórum atuou no sentido de acelerar a aprovação da Lei de Inovação do Paraná, ocorrida no dia 24 de setembro e, na sequência, propôs o desafio ao governo para que a legislação fosse regulamentada até o final desse ano.

Fase final - De acordo com o secretário da Ciência e Tecnologia, Alípio Leal, o processo de regulamentação está em fase final. “A proposta já está tramitando na Casa Civil e nós teremos uma definição sobre o assunto ainda nesse mês. Portanto, iremos começar 2013 com a lei de inovação que é o nosso grande instrumento e vai dar sustentação a todas essas ações que estão sendo discutidas em todo o Estado do Paraná”, afirmou Leal na manhã desta segunda-feira (17/12), ao participar de uma reunião ocorrida na sede do Sistema Ocepar, em Curitiba.

Reitores - Foi o segundo evento organizado pelo Fórum Permanente Futuro 10 com a presença de reitores e demais representantes de instituições de ensino superior para tratar de inovação. O primeiro aconteceu na semana passada, no dia 5 de dezembro. Nesta segunda, os membros da academia e profissionais das demais entidades que compõem o Fórum apresentaram suas estratégias de atuação nessa área. “Queremos juntar esforços, buscar sinergia entre as universidades, entidades e governo e fazer de 2013 o ano da Inovação no Paraná”, disse Filipe Cassapo.

Mote – O secretário Alípio Leal foi bastante receptivo à proposta.  “A inovação é o grande mote para que nós possamos caminhar no sentido de promover efetivamente um grande desenvolvimento no Estado do Paraná. Trata-se de uma questão global, ou seja, a inovação é fundamental. Tivemos a era da informação e agora estamos na era do conhecimento. E a inovação é conhecimento aplicado, promovendo transformações na sociedade com a geração de novos produtos, processos e serviços”, afirmou.

Plano – Ainda de acordo com Leal, o governo pretende construir uma estratégia de ação em parceria com a sociedade. “Nós temos que ter um máster plano, uma convergência de interesses para que possamos melhorar a qualidade dos investimentos. O Paraná investe 2% de sua receita em Ciência, Tecnologia e Inovação. Portanto, para que possamos fazer investimentos que possam trazer resultados mais efetivos dentro dessa ideia de desenvolvimento, nós precisamos ter um bom entendimento, construir um projeto com a sociedade organizada porque naturalmente o governo faz a sua parte, mas os governos mudam e o mesmo ocorre com reitores, prefeitos, presidentes de federações e demais entidades da sociedade organizada civil. Dessa forma, nós precisamos de um plano que permaneça apesar das mudanças das pessoas. É um trabalho que também pode ser alterado mas é importante que seja algo apropriado pela sociedade. Assim, deixa de ser um projeto de governo e se tornará uma política pública com uma governança compartilhada com a sociedade”, completou. 

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COCAMAR I: Varejo atinge R$ 600 milhões em vendas

Uma das alavancas com as quais a Cocamar conta para impulsionar seu crescimento nos próximos anos, o varejo alcançou no início deste mês a marca histórica de R$ 600 milhões em vendas, atingindo a meta e avançando sobre os R$ 530 milhões de 2011. Com seu diversificado portfólio, a cooperativa consolida presença nas gôndolas dos supermercados em várias regiões do País e planeja faturar R$ 1 bilhão com esse setor até 2015. Neste ano, uma das novidades foi o lançamento da linha “Bem Caseiro”, com néctar de laranja. Segundo o gerente comercial de produtos de varejo, Marco Roberto Alarcon, o produto vem fazendo sucesso pela sua alta qualidade e também pelo frescor - como se tivesse sido preparado na hora, o que inclui até mesmo gominhos. “Caiu no gosto dos consumidores”, ressalta.

Óleo - O carro-chefe do varejo continua sendo o óleo de soja, um dos cinco mais consumidos no País, segundo levantamentos publicados por empresas especializadas em agosto deste ano. Entre os preferidos dos paranaenses, o óleo se posiciona também na lista dos mais vendidos no interior paulista. Para 2013, a previsão da Cocamar é crescer pelo menos 20% na área do varejo, que em 2012 contribui com cerca de 28% para o faturamento global de R$ 2,2 bilhões da cooperativa.

Portfólio - O portfólio inclui óleos de soja, milho, girassol e canola, café torrado e moído, café gourmet, cappuccino e café adicionado com bebida a base de soja em vários sabores, néctares de frutas, bebidas a base de soja, álcool doméstico nas formas líquida e gel, maionese, catchup e mostarda, chás e farinha de trigo. (Imprensa Cocamar)

COCAMAR II: Dia de Campo de Verão será no final de janeiro

A edição 2013 do Dia de Campo de Verão da Cocamar está programada para os dias 29, 30 e 31 de janeiro na Unidade de Difusão de Tecnologia da cooperativa em Floresta, município vizinho a Maringá. Com a participação de 48 empresas e instituições parceiras, o evento é considerado uma referência regional em tecnologias para o desenvolvimento da agricultura, sempre com muitas novidades. Um dos focos é o aumento da produtividade da soja, de acordo com o engenheiro agrônomo Márcio Ricardo Pinto Mendes, que coordena os trabalhos. Segundo ele, haverá 12 protocolos conduzidos por profissionais da cooperativa, contemplando os principais aspectos técnicos da cultura, além de dinâmica de máquinas, integração lavoura, pecuária e floresta, e outros. (Imprensa Cocamar)

UNIODONTO CURITIBA: Colaboradores participam de minicurso sobre direção defensiva

Um grupo de colaboradores da Uniodonto Curitiba participou na última quinta-feira (13/12) de um minicurso no Sescoop sobre segurança no trabalho e direção defensiva, ministrado por Cássio Cherobim, do Sest/Senat. O objetivo, segundo o próprio instrutor, foi o de despertar a consciência nos participantes para a prevenção de acidentes, principalmente no trânsito.

Pedestres - “De acordo com o Código Nacional de Trânsito, nas ruas somos todos pedestres, mas muitos se transformam quando estão ao volante”, diz, ressaltando que essa mentalidade pode provocar uma série de problemas. Para Cherobim, orientações como as dadas são como uma gota no oceano, mas precisam ser feitas. “Cada um tem quer fazer sua parte”, assegura.

Cotidiano - Para Mirian Canatto, do RH da Uniodonto Curitiba, setor que organizou o minicurso, a ideia foi focar no cotidiano dos participantes, que são motoboys, motoristas e demais profissionais que precisam dirigir para a realização das atividades profissionais. “Às vezes achamos que sabemos tudo, mas temos muitos vícios ao dirigir e o minicurso serve para alertar sobre uma série de comportamentos”, diz.

Cuidadoso - O motoboy Mauri R. dos Santos afirma que é cuidadoso e dirige bem. “Tenho noção dos perigos, mas há muitos pelas ruas que são imprudentes, atrapalham o trânsito”, afirma. Fabiana Mafort Watanabe, do comercial, diz que nunca se envolveu em acidente, é cautelosa. “O problema é que às vezes ficamos estressados, por causa da lentidão do trânsito e temos horários para os nossos compromissos, mas é preciso se cuidar”, avalia.

Último - Este foi o último treinamento dado aos colaboradores este ano pela Uniodonto Curitiba, que realizou inúmeros outros, sobre diversos temas, ao longo de 2012. (Imprensa Uniodonto Curitiba)

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AGENDA PARLAMENTAR: OCB e Frencoop divulgam resultado da semana no Congresso Nacional

O grande destaque da semana passada, na Câmara dos Deputados, foi a aprovação do PL 3.067/2011, na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR), que possibilita o acesso direto aos recursos provenientes do FAT pelos bancos cooperativos, confederações e centrais de cooperativas de crédito. O projeto, integrante da Agenda Legislativa do Cooperativismo – 2012, foi incluído como item extrapauta e aprovado por unanimidade de votos, com parecer favorável do deputado Valdir Colatto (SC). A matéria segue agora para a análise da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP).

Senado Federal -  A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado Federal realizou, na ultima quinta-feira (13/12), audiência pública para debater a portaria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que restringe a pulverização aérea de agrotóxicos nas lavouras de algodão e soja. Foi solicitada, durante os debates, a suspensão da portaria, adotada com aval do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), até a conclusão de estudos definitivos sobre o tema.

Congresso Nacional - Foi aprovada, na Comissão Mista, a MPV 579/2012 que desonera as tarifas de energia elétrica. Dentre as alterações propostas pelo relator, senador Renan Calheiros (AL), e aprovadas pela comissão, estão incluídos os pleitos cooperativistas que visam incluir os consumidores industriais das cooperativas, pequenas indústrias de implementos agrícolas e seus consumidores residenciais e rurais, nos benefícios das reduções tarifárias previstas pelo Governo Federal. Na mesma semana, a matéria foi deliberada pela Câmara dos Deputados, sob a relatoria do deputado Eduardo Cunha (RJ). O texto principal e alguns destaques já foram aprovados, restando para a próxima semana apenas a análise de destaques polêmicos, como aquele que propõe isentar a energia elétrica do PIS/Pasep e da Cofins. (Blog OCB no Congresso)

Para acessar o Resultado da Agenda da Semana,clique aqui. 

BIOCOMBUSTÍVEL: Stephanes volta a criticar falta de visão política para produção de etanol

O deputado federal e ex-ministro da Agricultura Reinhold Stephanes (PSD-PR) voltou a afirmar na quinta-feira (13/12), que o Brasil precisa de uma política mais realista e consistente para a produção de etanol e biodiesel.  A afirmação foi feita durante reunião da Subcomissão Especial para Avaliação do Zoneamento Agroecológico da Cana-de-açúcar que discute o Projeto de Lei 6077/09 e o Decreto 6961/09, que restringem a expansão do plantio de cana nos biomas Amazônia e Pantanal e na bacia hidrográfica do Alto Paraguai.

Assunto regulatório - Para o deputado, não há hoje no país nenhuma estratégia, projeto, política ou interlocução com o governo nessa área. “O etanol virou um assunto regulatório. O fato é que precisamos dobrar a produção até 2020 apenas para atender ao mercado interno. E a solução é simples. Temos a melhor matéria-prima, o melhor clima, o melhor solo. Falta, no entanto, planejamento estratégico para oferecer condições consistentes aos produtores. Do jeito que as coisas estão nesse momento, não há nenhuma perspectiva de alcançarmos esses objetivos”, afirma.

Restrições - Ainda segundo Stephanes, não há nenhuma motivação técnica para a restrição de concessão de crédito público à expansão do plantio de cana-de-açúcar na Amazônia, Pantanal e Alto Paraguai. “As restrições tiveram motivações puramente simbólicas e políticas. A preocupação se baseou em como o mundo iria receber a notícia de que estaríamos plantando nas áreas de preservação ambiental. O decreto, no entanto, excluiu o plantio até mesmo nas áreas já degradadas e que não são de floresta amazônica, mas sim de cerrado, transição ou até de lavrado”, destaca o deputado.

Negociação - Técnicos dos ministérios do Meio Ambiente, de Minas e Energia e da Agricultura presentes à audiência afirmaram que o Executivo está disposto a negociar, mas não detalharam o que pode ser alterado. O diretor de Cana de Açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Cid Caldas, explicou que o zoneamento agroecológico da cana, previsto no decreto, foi elaborado num momento de preocupação mundial com os efeitos da produção de biocombustíveis sobre o plantio de alimentos e também de crescimento desequilibrado do setor sucroalcooleiro no Brasil.

Situação diferente - bCaldas concorda que hoje a situação é diferente. "Quando o trabalho de zoneamento foi feito, foi em outro momento, em que tínhamos aproximadamente 105 usinas em análise no BNDES. Hoje não temos nenhuma”, explica o diretor. Adalberto Ebenard, diretor de Zoneamento Ecológico-Econômico no Ministério do Meio Ambiente, ressalta que o governo aceita negociar mudanças nas regras a partir do projeto de lei enviado pelo então presidente Lula ao Congresso em 2009 (PL 6077/09).

Parâmetro - Na avaliação do técnico, se o Congresso derrubar o decreto sem uma nova lei, o País vai perder o único parâmetro que tem hoje para expandir de maneira sustentável o plantio de cana-de-açúcar. "O Zoneamento Ecológico-Econômico é reconhecido como princípio sério de certificação”, afirma. (Assessoria de Imprensa do deputado federal Reinhold Stephanes)

BOLETIM TÉCNICO: Iapar divulga avaliação de cultivares para milho safrinha

iapar 17 12 2012Já está à disposição dos produtores e técnicos interessados no plantio da próxima safrinha de milho o boletim técnico “Avaliação Estadual de Cultivares de Milho”, obra dos pesquisadores Pedro Sentaro Shioga, Antonio Carlos Gerage, Pedro Mário de Araújo e Rodolfo Bianco, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). A publicação pode ser baixada gratuitamente no endereço www.iapar.br, onde também é possível adquirir a versão impressa, no valor de R$ 5.

Parâmetros - O objetivo do boletim é oferecer parâmetros para a escolha das cultivares de melhor desempenho e mais adaptadas às diferentes condições de solo e clima das regiões produtoras do Estado. “As informações poderão subsidiar diferentes segmentos da agricultura, visando manter a sustentabilidade do sistema produtivo no Paraná”, afirmam os autores.

Resultados - A publicação apresenta resultados de avaliações realizadas na safrinha 2012, envolvendo 31 cultivares convencionais (11 superprecoces e 20 precoces) e 43 Bt (17 superprecoces e 26 precoces). As avaliações foram realizadas em Cambará, Campo Mourão, Floresta, Londrina, Mariluz, Palotina, Primeiro de Maio, Santa Helena e Sertanópolis.

Geneticamente modificadas - Cultivares Bt são geneticamente modificadas; elas contêm genes da bactéria Bacillus thuringiensis e, dessa forma, as plantas passam a codificar uma proteína capaz de matar a lagarta-do-cartucho quando elas ingerem folhas dos pés de milho.

Cultura de risco – Do ponto de vista agronômico, os autores alertam que a safrinha é um plantio de risco, já que, durante o período de cultivo, a lavoura fica sujeita a eventos climáticos que podem reduzir ou até prejudicar totalmente a produção. Durante o período da avaliação, por exemplo, registrou-se baixo volume de chuvas em fevereiro, março, maio, julho e agosto e, ao contrário, precipitações elevadas em abril e junho (quando também se verificou uma forte queda de temperaturas no Paraná, com ocorrência de geada no extremo Oeste).

Variedades mais adaptadas - Para diminuir o risco de perdas em virtude das irregularidades climáticas, os pesquisadores recomendam escolher variedades mais adaptadas – ajudar nessa tarefa é o objetivo da obra –, escalonar o plantio, utilizar a população de plantas indicada para cada cultivar, praticar adubações equilibradas e acompanhar atentamente os serviços de previsão climática.

Sanidade - Quanto aos aspectos de sanidade da lavoura, os autores recomendam a escolha de cultivares mais resistentes a doenças e a prática do monitoramento rotineiro da lavoura, aplicando o controle químico apenas quando necessário.

Pragas - O mesmo deve ser feito no caso das pragas, mesmo em cultivares Bt. Conforme os pesquisadores, a eficiência dessas plantas no controle das lagartas não deve dispensar o monitoramento das lavouras para decidir sobre a necessidade de medidas adicionais de controle.

Parceria - Com 114 páginas, a publicação resulta de parceria entre o Iapar e a Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Agronegócio (Fapeagro). (Assessoria de Imprensa do Iapar)

SOJA: Abiove prevê alta de 20% na colheita do grão em 2013

O Brasil deve colher 81,3 milhões de toneladas de soja em 2013, ante 67,7 milhões em 2012, segundo cálculos da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). De acordo com a entidade, o país deve exportar 38,5 milhões de toneladas de soja em grão, 15 milhões de toneladas de farelo e 1,7 milhão de toneladas de óleo, com receita estimada em US$ 30,3 bilhões. Em 2012, as exportações do complexo soja devem fechar em US$ 25 bilhões. Em encontro com jornalistas, em São Paulo, o presidente da entidade, Carlo Lovatelli, manifestou otimismo em relação à nova temporada. "As informações que temos dos produtores é que as lavouras estão se desenvolvendo bem e, ao que tudo indica, esta será mesmo uma safra recorde". Se a previsão se confirmar, o Brasil pode superar os Estados Unidos e se tornar o maior produtor mundial da commodity na safra 2012/13. (Valor Econômico)

ACORDO: Rússia insiste em ter comércio com o Brasil em moedas locais

comercio bilateral 17 12 2012Tanto o presidente russo Vladimir Putin quanto o primeiro-ministro do país, Dimitri Medvedev, levantaram o tema com a presidente Dilma Rousseff: a Rússia quer negociar com o Brasil o uso de suas próprias moedas, real e rublo, no comércio bilateral. O mecanismo daria segurança ao intercambio bilateral sem passar pelo dólar ou pelo euro, já que os países não ficariam expostos à política monetária dos Estados Unidos ou da zona do euro, como diz um negociador.

Forte interesse - Na visita de Dilma, chamou a atenção o interesse forte dos russos sobre o tema. Moscou já tem uso de moeda local no comércio com a China, e negocia fazer o mesmo com a India. Putin mencionou diretamente a proposta na declaração à imprensa, enquanto a presidente Dilma não abordou o tema.

Consultas - Tem havido consultas entre técnicos dos dois bancos centrais. Já houve a ida de uma missão de economistas russos ao Brasil para refinar a ideia. Está prevista nova reunião para retomar o tema durante a visita de Medvedev a Brasília, em fevereiro, quando participará da comissão bilateral de cooperação economica.

Prudência - Do lado brasileiro, entretanto, persiste a prudência. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, admite que o comércio bilateral ainda é pequeno para justificar a utilização de moedas locais. E acha que para passar do intercambio atual de US$ 7 bilhões para a meta de US$ 10 bilhões, que deveria ter sido alcançada no passado, é preciso sobretudo mobilizar as empresas, estimular investimentos etc.

Proposta - O ministro de Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel, constata que países com crescente comércio com o Brasil fazem essa proposta de uso de moeda local. "Estamos no inicio de um longo processo de transição que vai dar uma esvaziada das atuais moedas de reservas internacional, a começar pelo dólar", disse. "Está todo mundo em busca de mecanismo em moedas locais, binacionais, que ajude a evitar solavancos de moedas atuais de reserva".

Brics - No âmbito dos Brics - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -, o uso de moeda dos parceiros também vem sendo discutido. O grupo explora varias hipóteses. Uma delas é a criação de um fundo de reservas que possa servir para garantia de transações entre os países.

Articulação - Aparentemente, a ideia do fundo com as moedas do Brics seria mais fácil de articular. O certo, de acordo com as fontes, é que mais cedo ou mais tarde pode acabar saindo alguma fórmula, desde acerto de contas puramente bilateral ou plurilateral - ou a combinação das duas. Para um importante negociador da área comercial, o fiasco no uso de moeda local no comércio com a Argentina "é um caso suspeito, porque a Argentina quase nem tem moeda direito". (Valor Econômico)

AGRICULTURA: Uma era de oportunidades e desafios

Para os agricultores, este é o melhor e o pior dos tempos. Eles estão diante de uma enorme oportunidade: a população mundial cresce de forma mais acelerada que todos os segmentos setoriais isolados, e cada um de seus componentes precisará comer e beber. E, segundo estimativas, mais de 2 bilhões de pessoas dependem da agricultura para garantir seu sustento.

Desafios - Mas os desafios são igualmente grandes. Muitos dos 500 milhões de pequenos proprietários rurais, que respondem pela produção de até 80% dos alimentos do mundo, mal conseguem tirar seu sustento com a atividade. Com o crédito muitas vezes negado, eles não conseguem expandir ou investir em técnicas agrícolas modernas.

Europa - Na Europa, a mudança da regulamentação deverá eliminar subsídios e aumentar custos. Os agricultores americanos acabam de sair da pior seca de décadas. Em decorrência disso, muitos deles estão sacrificando cabeças de gado por não ter mais condições financeiras de alimentá-las. Seus congêneres europeus estão fazendo o mesmo.

Êxodo - Em todo lugar, talvez até sem causar surpresa, as pessoas estão deixando as fazendas em massa. Os jovens estão indo para as cidades e as pessoas que ficam se aproximam da aposentadoria. No Japão a média dos agricultores tem mais de 65 anos, no Reino Unido passa dos 60 e nos EUA, 55 anos.

Associações - As partes interessadas - em tese todos nós que comemos, mas na prática governos, sociedade civil e fabricantes que processam a produção - combatem os desafios com a associação de agricultores até o aprimoramento dos insumos e métodos agrícolas básicos. Como observa o governo britânico, as cooperativas voltaram à moda, duas ou três décadas após aquelas que eram subvencionadas pelo governo terem sido desfeitas.

Aumento - Esse processo levou ao surgimento de um grande número de organizações de produtores, que se multiplicaram nos últimos 30 anos, a ponto de que um número estimado em 250 milhões de pequenos produtores rurais dos países em desenvolvimento pertencer a algum tipo de agremiação.

Possibilidades - Essas associações possibilitam que os pequenos agricultores consigam insumos a preços melhores, reduzam custos das transações, pulverizem os riscos e obtenham crédito bancário com mais facilidade, além de dar maior poder de barganha com os compradores.

União - Jim Paice, ex-ministro da Agricultura do Reino Unido, disse que o clamor britânico contra os preços do leite - que recentemente atraiu milhares de produtores para Westminster e fez com que os compradores recuassem em relação aos pretendidos cortes de pagamentos a pecuaristas - foi um exemplo do poder da voz coletiva. "Os produtores demonstraram que têm capacidade de se unir na adversidade", disse ele a um grupo de 300 pecuaristas em Cumbria.

Conectados - Para Chris Brett, diretor de sustentabilidade da trading asiática Olam, a resposta é "os produtores rurais se conectarem cada vez mais" e, a exemplo do que ocorre numa empresa, prestarem mais serviços e orientação de prática agrícola, muitas vezes por celular.

Ciência - A outra arma vista como essencial para os agricultores, sobretudo para os pequenos, é a ciência. Sementes de qualidade superior, resistentes a pragas, a doenças e até a condições climáticas adversas, tanto aumentam a produtividade quanto melhoram a agricultura como atividade econômica. "Com o passar do tempo, o desafio será verificar se conseguiremos juntar um monte maior de grãos numa propriedade agrícola menor", diz Michael Mack, principal executivo do grupo suíço Syngenta. "Pode-se colher dez vezes mais tomate em um décimo da terra na Índia, mas precisa-se de estufas, e isso exige mais investimento".

Arroz - A empresa, como outras concorrentes do setor privado e do setor público, já deu passos largos no caso do arroz, sujeito ao ataque de todos os tipos de fungos, insetos e ervas daninhas poderosos. A produção do cereal exige um trabalho intensivo: a cada sete ou 14 dias o agricultor tem de ir a campo, descalço e transportando um pulverizador nas costas. Atualmente melhores produtos químicos, pulverizados por um aparelho semelhante a uma máquina de cortar grama, diminui o trabalho, o desperdício e aumenta a produtividade.

Métodos naturais - Os métodos naturais de aumento de produtividade não são menos polêmicos. A fazenda modelo do grupo FAI em Oxfordshire, Reino Unido, que produz carne e ovos para o McDonald's, além de testar novos métodos de produção agrícola, abrigou várias ideias desse tipo. As galinhas ficam aparentemente mais satisfeitas se puderem ciscar sob a sombra de árvores. A mesma sombra atrai as libélulas, que são devoradas pelas galinhas. Em sua bucólica felicidade, as aves se esquecem de brigar entre si e botam mais ovos.

Gado - No mesmo sentido, o gado é alimentado com uma mistura de forragem de grama. Esse alimento é mais barato que o milho e a soja, inflacionados pela seca, e, pelo fato de as vacas terem de caminhar para cima e para baixo para obter grama, a prática é vista como mais saudável, sob todos os aspectos. No entanto, há argumentam contrários de que a qualidade do leite e da carne é afetada - o que põe em destaque o fato, indiscutível entre agricultores e economistas, de que consenso é coisa rara até no campo. (Valor Econômico)

CARNES: Depois da crise, avicultura tenta se recuperar

carnes 17 12 2012Ainda que 2012 tenha sido um ano de grave crise para a avicultura – devido ao aumento significativo dos custos de insumos -, o setor encerra o ano em recuperação no País. O Paraná, maior produtor e exportador brasileiro de frango – entre janeiro e outubro deste ano abateu 1,18 bilhão de aves - enfrenta cenários contraditórios: por um lado, grandes grupos somam resultados positivos nos últimos meses do ano, enquanto pequenas empresas ainda aguardam apoio do governo para regularizar a situação financeira.

Difícil - "2012 foi um ano extremamente difícil", avalia o presidente executivo da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Francisco Turra. Segundo ele, a continuação da crise financeira mundial de 2008, as oscilações cambiais e os entraves logísticos brasileiros já comuns em anos anteriores foram somados ao aumento expressivo no preço dos insumos ocorrido a partir dos primeiros meses de 2012.

Grãos - A forte estiagem que afetou os campos de soja e milho dos Estados Unidos reduziu drasticamente a oferta de grãos no mercado internacional e, consequentemente, impulsionou as cotações a valores recordes na Bolsa de Chicago. O farelo de soja sofreu elevação de mais de 100% e a cotação do milho subiu 40%. Principais matérias-primas da ração ofertada aos frangos, a soja e o milho valorizados inflacionaram o custo de produção em 40% e reduziram a margem de lucro dos produtores e empresas.

Crise financeira - Turra argumenta que a impossibilidade de repassar o aumento dos custos de produção para o consumidor final deixou empresas em crise financeira. Como medida para conter os prejuízos, empresas fecharam plantas ou reduziram turnos de produção. As consequências foram sentidas em toda a cadeia produtiva.

Números - Levantamento da Ubabef indica que, em todo o País, 18 empresas apresentaram crise de crédito e mais de 10 mil trabalhadores ficaram desempregados. Segundo a Ubabef, o setor responde hoje por 3,5 milhões de empregos diretos e indiretos e pela movimentação de 1,5% no Produto Interno Bruto (PIB). Mesmo com as perdas, Turra vê perspectivas positivas para os próximos meses. "A recuperação da safra vai acontecer e os preços devem se normalizar. Mesmo com a redução da produção não perdemos mercados no exterior e a demanda continua aquecida", avalia.

Oferta menor - A redução da oferta fez com que os preços mais elevados fossem, então, repassados ao consumidor e a valorização do dólar trouxe ganhos nas exportações, mesmo sem aumento no volume comercializado. "Há sinais de acomodação e recuperação do setor e a atividade em algumas plantas está sendo retomada", relata Turra. Segundo ele, o setor deve começar 2013 com perspectivas positivas: estoques menores, provável regularização dos preços dos grãos, desoneração da folha de pagamento, fim do embargo russo e possível expansão do número de plantas autorizadas a exportar para mercados asiáticos.

Paraná - "Esse foi o pior ano da avicultura nos 25 em que trabalho com abatedouros", resume Domingos Martins, presidente do Sindicato da Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar). Segundo ele, em todo do Estado, apenas cerca de três grupos grandes conseguiram enfrentar as intempéries sem grandes prejuízos, enquanto o restante das empresas vivenciaram, e ainda vivenciam, série crise financeira. "As empresas desaceleraram a produção e contribuíram para que os preços do frango subissem um pouco recentemente. Essa aproximação entre custos e preços finais melhorou a situação, mas o balanço do ano ainda é vermelho", analisa Martins.

Falta de crédito e de apoio - A falta de crédito e de apoio do governo para prorrogação das dívidas dos produtores e empresas, complicou ainda mais a situação da avicultura paranaense. O presidente do Sindiavipar estima que o ano será de crescimento pífio do setor e que o ritmo deve se manter lento em 2013. "O alojamento de matrizes foi menor este ano e, por isso, não vamos conseguir produzir no mesmo ritmo que anteriormente", explica. Para Martins, a cotação das commodities não deve reduzir facilmente no próximo ano e o setor precisará se adaptar aos custos mais altos. (Folha Rural / Folha de Londrina)

FOCUS: Mercado eleva previsão para o IPCA em 2012 a 5,6%

A expectativa do mercado financeiro para a inflação neste ano continua a se deteriorar. A mediana das estimativas de cerca de cem analistas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurada pelo Banco Central para o boletim Focus, subiu pela segunda semana consecutiva, de 5,58% para 5,6%. Há um mês, a expectativa era que o indicador encerrasse o ano em 5,45%.

Mediana - A mediana para 2013 também subiu, de 5,40% para 5,42%, depois de ter ficado estável por duas semanas. Em 12 meses, a taxa saiu de 5,44% para 5,46%.

Inflação - As projeções para a inflação no último mês do ano também subiram. A mediana para dezembro saiu de 0,54% para 0,57%. Entre os analistas Top 5, aqueles que mais acertam as previsões no Focus, a expectativa se deteriorou ainda mais, foi de 0,58% para 0,63%.

FGV - Hoje, a Fundação Getulio Vargas (FGV) mostrou que a inflação ao consumidor vem subindo em dezembro. O Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) acelerou para 0,73% na segunda quadrissemana do mês, de 0,63% na primeira.

Selic - Apesar da inflação em alta, os analistas acreditam que a autoridade monetária manterá a taxa básica de juros, Selic, nos atuais 7,25% ao ano até pelo menos o fim de 2013. Eles mantiveram essa projeção pela quinta semana consecutiva. (Valor Econômico)

ENTREVISTA: Transição para nova política econômica afetou PIB, diz Holland

entrevista 17 12 2012O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Márcio Holland, explica o baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano por causa da transição do país para o que chama de "nova matriz macroeconômica". Essa matriz combina juro baixo, taxa de câmbio competitiva e uma consolidação fiscal "amigável ao investimento".

Entrevista - Nesta entrevista ao Valor, Holland, economista doutor pela Unicamp e com pós-doutorado da Universidade da Califórnia (Berkeley), diz que, num primeiro momento, a transição para a nova matriz traz custos para empresas e investidores, acostumados a operar sob a lógica curto-prazista, baseada em juros altos e câmbio apreciado. Na sua opinião, esse momento já passou e, agora, dada a nova matriz e com os estímulos criados pelo governo para o investimento de longo prazo, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) voltará a crescer de forma acelerada - 8% em 2013 e a um ritmo duas vezes o do PIB. "Os investidores, bancos, economistas, analistas em geral, estão revendo seus modelos de negócio."

Tripé - Holland argumenta que a nova matriz não substitui o tripé câmbio flutuante-metas para inflação-disciplina fiscal adotado pelo país em 1999, mas ele sustenta que as mudanças promovidas tanto na taxa de juros (Selic) quanto no câmbio eram aguardadas há tempos pelos agentes econômicos.

Valor: Por que depois de tantos estímulos monetários e fiscais o investimento não está reagindo?

Márcio Holland : Investimento e atividade econômica andam juntos. O processo de acomodação da economia, conduzido pelo governo para corrigir inflação e outros preços da economia entre 2010 e 2012, acabou afetando as expectativas dos agentes nessa transição. Isso era esperado. O que ocorre é que, a partir de um determinado momento, começamos a implementar um conjunto de medidas que têm a ver com a transição para uma nova matriz macroeconômica.

Valor: No que consiste essa matriz?     

Holland : A primeira perna é a taxa de juros, que caiu 5,25 pontos percentuais no intervalo de 12 meses. Os agentes econômicos aguardavam esse ciclo de alteração da política macroeconômica. Com essa mudança, a estrutura de incentivos está sendo preparada para um ambiente de juros baixos. Os investidores, bancos, economistas, analistas em geral, estão revendo seus modelos de negócio. Há uma fase de transição.

Valor: Essa fase impacta negativamente o investimento?

Holland : Sim porque há uma alteração na estrutura de incentivos. A economia vivia numa estrutura curto-prazista. Isso está se alterando substancialmente para uma estrutura de longo prazo. Toma tempo, é uma transição. Temos chamado a atenção para o efeito riqueza negativo.

Valor: O que seria isso?

Holland : Quando a taxa de juros cai e o câmbio se corrige, há um efeito riqueza negativo. Isso ocorre porque os agentes estão carregados de títulos de curtíssimo prazo ou seus balanços estão um pouco, digamos, dolarizados. Essa correção de 'balance sheet' [balanço] é promissora. Trata-se de um fato histórico, raro, na economia brasileira. De toda forma, o efeito riqueza já foi dissolvido. As empresas se ajustaram. Passaram por uma fase de correção de estrutura de balanço em prol de prazos mais longos.

Valor: De que forma isso beneficia a economia?

Holland : Percebemos hoje o interesse dos investidores por debêntures, FDICs (Fundos de Direito Creditório), letras financeiras, letras de crédito imobiliário. Essa estrutura de incentivos está pronta. Não é instantânea, mas vem gradualmente.

Valor: Quais são os outros aspectos da matriz macroeconômica?

Holland : A segunda perna do tripé da nova matriz é uma taxa de câmbio mais competitiva, algo fundamental. Grandes economistas já descreveram a importância do câmbio para o investimento, a produção, o emprego e o crescimento. O terceiro aspecto da matriz é o que, internacionalmente, se chama de 'consolidação fiscal amigável ao investimento e ao crescimento'.

Valor: Do que se trata?

Holland : São as políticas fiscais anticíclicas que temos adotado, com redução da relação dívida-PIB de forma consistente e alongamento dos prazos de vencimento da dívida pública. Hoje, o prazo médio da dívida está em torno de quatro anos. Há pouco tempo, era dois anos. A relação dívida líquida-PIB está convergindo para 35% neste ano, enquanto em muitos países está acima de 100%. Estamos usando os espaços fiscais criados para promover intensa desoneração do investimento e da produção. Programamos R$ 45 bilhões em desonerações em 2012. Só na conta de desoneração da folha, estão previstos R$ 15 bilhões no próximo ano.

Valor: Embora algumas desonerações, como a do IPI, não sejam permanentes.

Holland : A desoneração da folha é permanente. Estamos desonerando 41 setores a partir de 2013 e beneficiando mais de 50 mil empresas, que representam aproximadamente 50% das exportações de manufatura.

Valor: A nova matriz macroeconômica substitui o tripé de política econômica que vigora desde 1999?

Holland : Em hipótese alguma! Tudo está sendo feito, respeitado o regime de metas para inflação. Vale lembrar que esse regime prevê inflação no centro da meta com uma banda de tolerância, e essa banda pode ser usada quando ocorrem choques de oferta. O regime de metas tem dado resultados muito importantes. Desde 2006, a inflação está dentro dos intervalos fixados pelo governo. Além disso, tenho insistido que a variabilidade mensal da inflação caiu consistentemente.

Valor: Em que proporção?

Holland : Até 2003, a inflação oscilava entre menos 0,5% e 2,5% ao mês. A partir de 2004, começou a oscilar entre 0,4% e 0,5%, com pequenos desvios em relação a esse intervalo. Isso é muito importante para o sistema econômico porque a inflação não só está dentro das metas anunciadas como está mais estável. O Robert Lucas [Prêmio Nobel de Economia de 1995] considerava a incerteza inflacionária algo importante para decisões muito severas do banco central. Inflação estável dá segurança em termos de previsibilidade.

Valor: Mas a inflação brasileira não é muito alta e, por isso, menos previsível?

Holland : Cada país tem uma característica. Estamos falando de um país que está promovendo grande expansão do seu mercado, não só consumidor, mas de investimento doméstico. Estamos numa fase de expansão muito forte do investimento.

Valor: Mas como, se a Formação Bruta de Capital Fixo cai desde o primeiro trimestre de 2011?

Holland : O Brasil é um dos poucos países do mundo que têm uma expansão acumulada de investimento acima de 60% nos últimos oito anos. De 2004 até 2011, o país está entre os cinco com maior acúmulo de crescimento do investimento. Em relação ao PIB, a FBCF cresceu, nesse período, quase três pontos percentuais. A média anual de avanço no mesmo período foi superior a 6%, enquanto em muitos países houve recuo. Temos uma dinâmica muito própria de crescimento do investimento, associada à expansão de classes sociais por causa de programas de inclusão muito importantes, como o de transferência incondicional de renda. Não estou me referindo a consumo, mas ao investimento com consumo porque acho um falso dilema falar de uma coisa ou de outra. Poucos países estão vivendo isso, o que dá um dinamismo à economia que afeta a estrutura de preços...

Valor: E torna a inflação mais alta?

Holland : Inflação mais alta é algo relativo. Hoje, os economistas sabem que é bom tomar cuidado com inflação muito baixa.

Valor: Por quê?

Holland : Porque taxas de inflação muito baixas levaram os bancos centrais a terem taxas de juros muito baixas, que, por sua vez, geraram estímulos à formação de bolhas de ativos. Esse tema, sobre qual é a taxa de inflação ideal, é controverso.

Valor: Mas, em todo caso, a inflação brasileira é alta se comparada à média dos emergentes (3%).

Holland : Dá para comparar? Cada país tem uma característica e está numa fase de desenvolvimento diferente. Gosto quando o Dani Rodrik [professor da Universidade de Harvard] diz que "o mesmo tamanho não serve para todos".

Valor: O senhor acredita ser possível sustentar a taxa de juros no patamar atual. Por quê?

Holland : Os investidores têm capacidade de calcular e fazer análise de retorno 12 meses à frente porque sabem muito bem que as taxas são altamente sustentáveis. Os juros não voltam aos níveis anteriores. Esta é a expectativa de todos os analistas. O importante é que já há um alinhamento dessa taxa a incentivos claros ao investimento e à produção. O custo de oportunidade do curto-prazismo foi desmontado e dissipado. Já o custo de oportunidade de se deslocar para o médio e o longo prazos é muito interessante. Tanto é que já se vê uma expansão em emissões de dívida corporativa, algo que agora faz sentido porque, na empresa, não preciso rodar minha sobra de tesouraria no curtíssimo prazo. Posso pensar em usar essa sobra para alavancar investimento, modernizar meu parque produtivo, emitir FDIC, debêntures. Estamos, ao mesmo tempo, consolidando a nova matriz macroeconômica e os incentivos ao longo prazo.

Valor: Por exemplo?

Holland : Fizemos a Lei 12.431, que dá incentivos à emissão de debêntures para investimentos em infraestrutura. O ministro Guido Mantega já anunciou a extensão disso para FDICs, um mercado promissor. O mercado informou que há R$ 120 bilhões em projetos de investimento do governo elegíveis a essas emissões. Independentemente de qualquer outra taxa de juros no futuro, as taxas de juros de hoje no país são fundamentadas.

Taxas de inflação muito baixas levaram os BCs a juros muito baixos, que, por sua vez, geraram bolhas de ativos."

Valor: Por que tanta certeza?

Holland : Porque a inflação no Brasil se acomoda com capacidade impressionante. Há 13 meses, estava acumulada em 7,31%. Os analistas falam agora em 5,5% para este ano, num cenário de choque de preços...

Valor: Mas com a economia crescendo muito pouco, perto de 1%.

Holland : Não creio que esse fator seja tão relevante. Essa relação [entre crescimento e inflação] não é de curtíssimo prazo, mas de médio e longo prazo. Essa associação é meio anedótica. Nenhum economista sério associaria uma coisa à outra. Só para fazer o contrafactual: o Brasil cresceu 7,5% em 2010 e a inflação estava caindo.

Valor: Mas O IPCA em 2010 subiu para 5,9%.

Holland : Ocorre que, no segundo semestre de 2010, houve uma alteração de preços de commodities muito acima da queda no primeiro semestre. Isso emendou com choques de oferta domésticos, como o do etanol e de produtos hortifrutigranjeiros. Quando esse processo se dissipou, a inflação voltou a cair. Isso mostra a capacidade da inflação brasileira de se acomodar no centro da meta.

Valor: As empresas sempre aproveitaram a apreciação do real para importar máquinas e equipamentos mais modernos e baratos. Com a mudança no câmbio, o governo não eliminou esse ganho?

Holland : O consumo de bens capital no Brasil funciona assim: 50% são importados e 50% são produzidos domesticamente. Isso não se alterou com a desvalorização do real. Hoje, a relação talvez esteja em 40-60, mas no ano que vem estará em 50-50 novamente. Nenhum país produz bem de capital em sua totalidade para o consumo doméstico. Não há escala suficiente. Além disso, estamos falando de uma taxa de câmbio que foi corrigida para um nível que não afeta o custo de importação dessas máquinas.

Valor: Como não?

Holland : Porque o cenário internacional é de redução de preços de bens de capital, até por causa do excesso de oferta. Há uma compensação.

Valor: Dá para superar o fato de que existe uma tendência de apreciação de longo prazo da moeda brasileira, uma vez que o país é exportador líquido de produtos primários e tem baixa poupança?

Holland : Desde a adoção do câmbio flutuante pelo Brasil em 1973 [fim do padrão ouro], o câmbio real efetivo não mostra tendência de apreciação. O que há são movimentos num determinado período, mas historicamente os econometristas chamam a taxa real de câmbio no Brasil de estacionária. Ela flutua em torno de uma constante.

Valor: Com o pré-sal, o Brasil deve se tornar grande exportador de petróleo. Isso não cria tendência de apreciação do real no longo prazo?

Holland : Você está falando de 'dutch disease' (doença holandesa). Isso ocorreu em países que não tinham boas instituições. Não é o caso do Brasil. O país é extremamente democrático, tem estabilidade política, regras. Vai saber usar e amortecer os recursos, trazer a valor presente esses fluxos no tempo por meio de fundos, da aplicação em educação, o que acabará mitigando os efeitos sobre a economia.

Valor: Como o senhor reage à crítica de que o investimento ainda não se recuperou porque os empresários estariam temerosos com o excesso de intervenção do governo na economia?

Holland : O empresário brasileiro não está com medo. Quem está com medo são aqueles que faziam aplicações financeiras de curtíssimo prazo no Brasil; aqueles que tinham concessões com tarifas e margens muito altas; os especuladores em geral. Não temos espaço para essa atividade daqui para frente. Temos conseguido feitos históricos, como a redução dos juros e o desincentivo da atividade especulativa.

Valor: Os especuladores não têm seu papel?

Holland : Tenho que reconhecer que a atividade especulativa, como diria o próprio Keynes, é fundamental para o investimento. Ela dá liquidez aos investimentos, é importante, por exemplo, para dar hedge a agricultores e exportadores. Não questiono isso, mas a atividade especulativa pura e simples, como a de apropriar uma renda produzida no país e depois sair, sem gerar nenhum efeito produtivo para a economia. Estamos trocando esses investidores.

Valor: De que forma?

Holland : Trazendo investidores para grandes projetos no Brasil. Certamente, isso mexe no status quo de alguns poucos, que fazem muito barulho. Montamos uma estrutura, ao longo desse período de transição para a nova matriz macroeconômica, de investimento público, novas concessões e estímulo ao investimento do privado, com redução de custos em vários níveis. Isso nos faz acreditar que a taxa de investimento crescerá daqui em diante, em média, duas vezes a velocidade do PIB. E a estrutura do investimento público está pronta.

Valor: O investimento público não está crescendo abaixo do esperado?

 

Holland : Neste ano, está crescendo 23%, até outubro, em relação ao ano passado - R$ 50,9 bilhões, face a R$ 41,4 bilhões. Os desembolsos do PAC, no mesmo período, cresceram 27,7%. O investimento público total, incluindo o de Estados e municípios, saltou de 4% para 4,4% do PIB em 2012. Junte-se a isso o programa de concessão de rodovias e ferrovias, um dos maiores do mundo, com previsão de investimento de R$ 133 bilhões, sendo que R$ 80 bilhões nos próximos cinco anos. Há ainda o programa de portos, com previsão de R$ 54,2 bilhões até 2016 e o aperfeiçoamento do marco regulatório para aumentar a presença do setor privado. Tudo voltado para reduzir custo, aumentar a eficiência e a competitividade da economia.

Valor: Em 2012, o governo não cumpriu a meta de superávit primário. Esse programa de investimento público não impedirá que a meta de 2013 também seja cumprida?

Holland : Em hipótese alguma. A política fiscal tem sido anticíclica. Há um efeito adicional: a cada ano, a base de arrecadação tem crescido por causa do aumento considerável da formalização do mercado de trabalho. A desoneração da folha favorece esse processo porque, agora, o custo do trabalho é menor. A inclusão social também ajuda. No ano que vem, voltamos à meta de superávit cheia, sem desconto [3,1% do PIB]. (Valor Econômico)


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