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GRÃOS: Paraná vai colher 22,7 milhões de toneladas na safra

graos 26 02 2018A colheita da safra de grãos de verão 2017/18 iniciou com atraso - há pouco mais de 10 dias - por causa das adversidades climáticas que vêm ocorrendo desde o ano passado. Mesmo assim, o Paraná está colhendo uma safra de 22,7 milhões de toneladas. Com a melhora do clima, produtores estão acelerando a colheita da soja e milho da primeira safra para evitar novos atrasos no plantio da segunda safra de milho que já está em curso.

Soja e milho - Tanto a soja como o milho da primeira safra tiveram o início do plantio atrasado, no ano passado, por causa da seca. O clima se normalizou em outubro, mas voltou a penalizar a agricultura paranaense em novembro com excesso de chuvas. Essa situação vem se alongando desde esse período e contribuiu para atrasar tanto a colheita desses grãos como o plantio da segunda safra de milho.

Ritmo acelerado - Devido ao clima, que está passando por uma trégua nos dias atuais, os produtores estão fazendo a colheita no campo em ritmo acelerado.

Percentual - Segundo o acompanhamento do Deral (Departamento de Economia Rural) correspondente ao mês de fevereiro, a colheita da soja está atrasada, com 9% da área colhida, quando em igual período do ano passado 31% da área plantada já estava colhida. Com isso, menos de 500 mil hectares da área plantada foi colhida, quando no ano passado foram cerca de 1,6 milhão de hectares.

Produtividade - Segundo o economista Marcelo Garrido, do Deral, esse quadro não deverá prejudicar a produtividade da soja, de forma geral, mas poderá afetar a qualidade do grão. Também pode aumentar os custos para o produtor. Isso porque, com o excesso de umidade, terá que gastar mais para conter as doenças fúngicas que atacam as plantas.

Estimativa - O Deral está estimando uma safra de soja de 19,3 milhões de toneladas, apenas 300 mil toneladas a menos que a safra anterior, que foi considerada excepcional. “Acreditamos que essa perda ainda poderá ser diluída daqui para frente com o avanço da colheita”, disse. “A soja, apesar dos problemas climáticos, ainda terá uma grande safra este ano”, afirmou.

 Comercialização - As perspectivas de comercialização são favoráveis ao produtor. Segundo Garrido, o mercado está especulando uma perda de soja na safra da Argentina, devido ao período de seca intensa por lá, provocado pela corrente climática La Niña. “Se isso for confirmado, é possível uma reação nas cotações”, diz.

Cotação - Por enquanto o mercado trabalha com a cotação de R$ 64,00 a saca, que é considerado um bom valor.

Primeira safra- O milho de primeira safra, também submetido às mesmas condições climáticas que a soja, está com a colheita atrasada, com apenas 6% da área colhida. Este ano, cerca de 20 mil hectares foram colhidos até agora, quando no ano passado, nessa mesma época, já havia 150 mil hectares plantados.

Retração - Segundo Edmar Gervásio, analista da cadeia do cereal pelo Deral, estima-se uma colheita de 2,97 milhões de toneladas para o milho da primeira safra, que corresponde a uma redução de 40% em relação à produção anterior. Essa retração acompanha a diminuição na área de plantio, que foi de 35%. No ano passado foram plantados 513.627 hectares com milho da primeira safra e, este ano, 332.833 hectares.

Alongamento do ciclo- Devido ao clima, houve alongamento do ciclo de desenvolvimento das plantas, explicou Gervásio. Com muitos dias nebulosos, com falta de luminosidade natural, as plantas não se desenvolveram como deveriam. Com o retorno do sol, a expectativa é que melhore a produtividade e a qualidade dos grãos, disse o técnico.

Reflexos na safrinha- O atraso na colheita da soja e do milho da primeira safra também está atrasando o plantio da segunda safra de milho. Com isso, a expectativa de plantio de 2,14 milhões de hectares – neste período – pode não se confirmar. Este ano, o Deral já constatou uma redução na área plantada de milho da segunda safra de 11%. A produção esperada é de 12,3 milhões de toneladas. “Com o plantio tardio, pode se esperar uma produção até menor”, adiantou.

Desânimo - Segundo Gervásio, os produtores não estão muito animados como em anos anteriores por causa da estabilidade dos preços, em torno de R$ 22,00 a saca.

Feijão - Após o mês de janeiro, as condições climáticas melhoraram, o que permitiu acelerar a colheita do feijão da primeira safra. O avanço da colheita revelou perdas de 19% na produção, que correspondem a 71 mil toneladas, por causa do excesso de chuvas e frio durante o desenvolvimento das plantas. A produção estimada de feijão da primeira safra, atualmente, é de 308 mil toneladas. A estimativa inicial do Deral apontava para uma colheita de 379 mil toneladas.

Perdas - De acordo com o economista do Deral, Methódio Groxko, esse ano atípico por causa do excesso de chuvas provocou perdas em qualidade e produtividade no feijão da primeira safra. Mas não houve impactos na comercialização porque o mercado segue abastecido.

Normal - Em início de ano, é normal queda de demanda por causa das férias escolares e os preços não estão reagindo. Os preços do feijão preto e cores estão estáveis em R$ 118,00 e R$ 94,00 a saca, respectivamente.

Venda - A comercialização é que está atrasada, disse Groxko. Segundo ele, cerca de 54% da saca está vendida, quando no ano passado, nessa mesma época, 62% da safra estava vendida.

Melhoria - A melhoria das condições climáticas está beneficiando o plantio do feijão de segunda safra. A pesquisa do Deral constatou uma redução de 21% na área plantada, que cai de 251.625 hectares para 198.963 hectares. Mas aponta para uma produção 10% maior em relação ao ano passado por causa das condições favoráveis ao aumento de produtividade.

Segunda safra - A estimativa do Deral para o feijão de segunda safra é de 380.492 toneladas, 10% a mais que em igual período do ano passado, quando foram colhidas 346.610 toneladas do grão.

Preocupação - O secretário estadual da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, disse estar preocupado com a possibilidade de atraso no plantio da segunda safra de milho e encaminhou ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, no início deste mês, pedido de prorrogação no plantio. Ele diz que se os produtores não conseguirem concluir o plantio uma possível redução na produção de milho da segunda safra poderá afetar o abastecimento das cadeias produtivas dependentes desse grão, como a produção de aves, suínos e leite.

Desafios - Para o diretor do Departamento de Economia Rural (Deral), Francisco Carlos Simioni, este ano-safra vem sendo marcado com vários desafios para os produtores, clima, mercado, economia interna entre outros. Contudo, o clima, que é um dos fatores de maior risco, com muitas variações ao longo do ciclo dos principais cultivos de verão, tem sido amenizado devido ao uso de tecnologia adequada, como conservação de solos e plantio dentro da recomendação da pesquisa – Zoneamento de Risco Agropecuário (Zarc).

Disciplina - Essa disciplina do produtor na condução da atividade agrícola – ressaltou Simioni – tem mostrado reflexos positivos, com redução de perdas em produtividade e qualidade, mesmo com clima adverso como vem ocorrendo durante todo o ciclo de desenvolvimento das culturas. (Agência de Notícias do Paraná)

 

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