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TRABALHO I: Melhora do emprego formal é vista com cautela por analistas

 

O mercado de trabalho formal surpreendeu em fevereiro, com a geração de 173,1 mil vagas com carteira. Foi o melhor desempenho para o mês desde 2014 e superou a mais alta estimativa dos economistas. O governo comemorou o resultado, que, no entanto, foi recebido com cautela por analistas, em meio à recente piora do ambiente para aprovação da reforma da Previdência.

 

Saldo - O saldo do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de fevereiro superou o de janeiro, quando foram geradas 34,3 mil vagas, e o de fevereiro de 2018 (61,2 mil). Também ficou acima da média das estimativas de 19 consultorias e instituições financeiras, de abertura de 89,8 mil postos de trabalho, com intervalo de 50 mil a 150 mil.

 

Destaque - Por setores, o grande destaque foi serviços, com a geração líquida de 112,4 mil empregos formais em fevereiro. Dentro de serviços, ensino abriu 47,7 mil postos, refletindo a volta às aulas. Também tiveram desempenhos positivos a indústria de transformação (33,5 mil vagas), administração pública (11,4 mil), construção civil (11,1 mil), comércio (6 mil), extrativa mineral (985) e serviços industriais de utilidade pública (865). O único setor que fechou postos foi a agricultura, com 3,1 mil vagas encerradas.

 

Regiões - Entre as regiões, o Sudeste puxou a criação de vagas em fevereiro, com saldo líquido positivo de 101,6 mil postos. Em seguida, vieram Sul (66 mil), Centro-Oeste (14,3 mil) e Norte (3,6 mil). Já a região Nordeste foi a única a registrar saldo negativo, com fechamento de 12,4 mil postos.

 

Intermitente - O trabalho intermitente, modalidade criada pela reforma trabalhista, criou 4,3 mil empregos em fevereiro. No chamado regime de tempo parcial, foram gerado 3,4 mil postos. Já na demissão mediante acordo entre empregador e empregado, houve 19 mil desligamentos no mês, aumento de 71% sobre um ano antes.

 

Retomada - Inicialmente não escalado para a entrevista coletiva do Caged, o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, informou pessoalmente o resultado de fevereiro. Segundo ele, os números "sinalizam retomada de investimentos de médio e longo prazo" e "que a desburocratização, uma visão mais liberal da economia, passa confiança para a contratação de novos funcionários". O secretário afirmou ainda que a perspectiva é de que a retomada no mercado de trabalho continue nos próximos meses.

 

Cautela - Após Marinho deixar a entrevista em Brasília, o secretário de Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Dalcolmo, foi mais cauteloso. "O saldo de fevereiro é bastante positivo inclusive com relação às expectativas do mercado, mas é preciso ter cuidado, existe uma sazonalidade. É importante olhar para um conjunto de meses para ter certeza", ponderou Dalcolmo.

 

Economistas - Economistas ouvidos pelo Valor também optaram pela precaução ao comentar o resultado. Para Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector, o desempenho positivo de fevereiro parece ter sido algo pontual, que não deve se repetir em março ou ter sustentabilidade ao longo do ano.

 

Destravamento - Segundo ele, o surpreendente resultado de fevereiro, puxado pelo setor de serviços, sugere um destravamento de atividades que estavam amarradas pela dinâmica das eleições. Ele avalia que pode ter havido ainda impacto da baixa dos juros ocorrida no ano passado, efeito que deve se esgotar no primeiro semestre. Além disso, o maior número de dias úteis em fevereiro, devido ao Carnaval em março, também pode ter contribuído positivamente, o que torna improvável que o forte desempenho se repita em março.

 

Fatores - Para Renan de Pieri, professor de economia do Insper, o bom resultado pode estar relacionado a três fatores: o fraco resultado de janeiro, que pode ter sido parcialmente compensado em fevereiro; a crescente confiança do empresariado nas regras da reforma trabalhista; e o início do novo governo e confiança nas reformas nos primeiros dois meses do ano.

 

Reversão - "Isso mudou um pouco nos últimos dias, com turbulências políticas e desalinhamento aparente entre Legislativo e Executivo. Talvez um pouco desse otimismo se perca nos próximos meses", afirma. "A criação de empregos pode ser revertida se o mercado começar a achar que a reforma não vai sair."

 

Interrupção - Thiago Xavier, da Tendências Consultoria, destaca que o dado de fevereiro interrompeu a dinâmica dos meses anteriores, quando a geração de vagas vinha perdendo fôlego. Na série dessazonalizada pela consultoria, o resultado de fevereiro representa geração de 97,4 mil postos, ante 74 mil em novembro, 40 mil em dezembro e 20 mil em janeiro. "É um dado discrepante, mas ainda temos que ter cautela", afirma. "Se é claro que ele contraria os meses anteriores, não é clara a dinâmica dos próximos meses. (Valor Econômico)

 

trabalho I tabela 26 03 2019

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