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INTERNACIONAL: França promete endurecer negociação UE-Mercosul

O governo francês precisou mostrar dureza nesta quinta-feira (23/05) formalmente sobre um acordo de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, numa demonstração de como o tema se tornou politicamente sensível às vésperas da eleição para o Parlamento Europeu. O ministro da Agricultura, Didier Guillaume, divulgou comunicado "reafirmando a posição clara e firme" da França sobre as negociações entre os dois blocos, diante de sinalizações de que o acordo estaria próximo de ser fechado.

Interesse dos franceses - "A França não ratificará nenhum acordo que prejudique os interesses dos agricultores e consumidores franceses, as exigências de qualidade sanitária e alimentar de padrões europeus, e nossos engajamentos ambientais do Acordo de Paris [de combate a mudanças climáticas]."

Posição - O representante francês acrescenta que o presidente Emmanuel Macron "já conversou com o presidente Juncker [JeanClaude Juncker, da Comissão Europeia] e reafirmou a ele claramente essa posição". Completa dizendo que Macron já tinha manifestado essa mesma "firmeza" em relação a negociações comerciais entre a UE e os Estados Unidos há algumas semanas.

Sem negociação - Na verdade, se houver realmente acordo, tudo o que os franceses mencionam estará contemplado. Não há sequer negociação de padrão sanitário, pois deve vigorar o que já é adotado hoje nas relações entre o Mercosul e a Europa. Além disso, o presidente Jair Bolsonaro já afirmou que o Brasil continuará no acordo do clima.

Reação - Mas, na França, a reação às negociações prossegue. Na segunda-feira (20/05) à noite, em debate na TV francesa entre representantes de partidos que participarão da eleição ao Parlamento Europeu, François Bayrou, em nome da coalizão no poder na França, já tinha reagido explicitamente a um acordo da UE com o Mercosul, insistindo nos mesmos pontos mencionado pelo ministro da Agricultura.

Protecionismo - Bayrou falou da "posição firme" do governo francês diante dos ataques vindos sobretudo da extrema-direita representada por Marine Le Pen. Tanto ela como uma representante do partido "La France insoumise", de esquerda, sugeriram diferentes formas de protecionismo para defender a agricultura francesa.

Declarações - A agitação na França em relação a um acordo UE-Mercosul aumentou agora também após declarações nesta semana da comissária europeia Cecilia Malmström. Ela afirmou que a Comissão Europeia poderia fechar o acordo com o Mercosul antes do fim de seu mandato, em outubro. E sinalizou que as próximas discussões entre os dois blocos, em junho ou julho, poderiam ser elevadas ao mais alto nível político, indicando que uma conclusão do entendimento seria iminente.

Tendência - Existe uma clara tendência protecionista nos mercados desenvolvidos. Nos EUA, os ataques de Donald Trump contra a China ainda são considerados tímidos pelos democratas.

Direção - Poucos países estão hoje na outra direção, de abertura comercial. Um deles é o Brasil, que promete reduzir gradualmente barreiras, mesmo no cenário atual, porque a equipe econômica julga necessária para modernizar e integrar mais a economia ao resto do mundo.

Maior acordo - A negociação UE-Mercosul, uma vez concluída, será o maior acordo de livre-comércio até agora assinado pelos europeus. As discussões já duram 20 anos. E Macron, que chegou ao poder em 2017 como liberal na França, encontra-se numa posição hoje particularmente vulnerável, depois das agitações de rua pedindo sua demissão. (Valor Econômico)

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