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ECONOMIA: Consumo maior sustenta números no trimestre

 

Os sinais de melhora da economia doméstica atenuaram os ventos contrários vindos do exterior e sustentaram os balanços das empresas no terceiro trimestre. Em boa hora, o consumo começou a impulsionar o mercado interno, o que garantiu certa estabilidade num momento em que o medo de uma guerra comercial atingiu em cheio os preços das commodities, reduziu a demanda nos mercados globais e interferiu no câmbio.

 

Retomada - Se no primeiro e no segundo trimestres as empresas de capital aberto falaram muito de expectativas - um tanto frustradas - quando se referiam à melhora do mercado doméstico, no terceiro trimestre a retomada começou a aparecer nos balanços, sobretudo no caso das empresas de setores dependentes da economia doméstica como consumo, varejo, energia e saneamento e construção civil - foi o primeiro trimestre desde o fim de 2017 em que o resultado líquido consolidado das incorporadoras ficou no azul, puxado pelo desempenho das companhias de média e alta rendas.

 

Acima do esperado - A maioria das empresas teve resultados acima do esperado, o que deve se repetir no próximo ano, dizem analistas. Mesmo as fabricantes de bens industriais, como máquinas e equipamentos e implementos automotivos, que demoram mais tempo para acusar a recuperação da economia, tiveram aumentos de receita e encomendas no mercado doméstico.

 

Variação cambial - É claro que a variação cambial, com o dólar batendo em R$ 4,16 no fim de setembro, teve um impacto forte na última linha dos balanços com a marcação ao valor de mercado das dívidas em moeda estrangeira. No entanto, esse baque, que costuma ser minimizado como “sem efeito caixa”, não deve tirar a atenção da recuperação operacional que há muito vinha sendo adiada.

 

Lucro líquido - Levantamento feito pelo Valor Data mostra que o lucro líquido combinado de julho a setembro de 269 companhias não financeiras com ações negociadas em bolsa recuou 28%, na comparação com os mesmos meses de 2018, para R$ 16,5 bilhões.

 

Despesas financeiras - As despesas financeiras subiram quase 38%, para R$ 28,8 bilhões, com a variação cambial.

 

Lucro operacional - O lucro operacional, antes do efeito do dólar, cresceu 1,1%, para R$ 51,7 bilhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), muito usada pelo mercado, cresceu de 9,3%. A receita líquida avançou 2,6% no período, para R$ 429,7 bilhões.

 

De fora - A análise exclui Petrobras, Vale e Eletrobras para evitar distorções por causa do tamanho das três companhias. A Oi também ficou de fora, já que não publicou os resultados do terceiro trimestre.

 

Próximo trimestre - Segundo analistas de três bancos de investimento - Itaú BBA, Santander e Bradesco BBI - consultados pelo Valor, a maioria das empresas apresentou resultados acima do esperado no terceiro trimestre, o que deve se repetir no próximo ano principalmente no caso das que dependem mais do cenário interno do que do externo.

 

Exterior - Pelo menos no terceiro trimestre, o mau tempo no exterior pegou de jeito empresas de siderurgia e mineração, como CSN e Gerdau, e de papel e celulose, como Suzano, por causa do recuo nos preços de seus produtos. Outras companhias não perderam receita, mas começaram a notar os primeiros sinais da desaceleração na encomenda de clientes estrangeiros.

 

WEG - A fabricante de motores elétricos WEG, de Jaraguá do Sul (SC), percebeu que nos mercados asiáticos e europeus houve uma queda no ritmo de pedidos de produtos de ciclo curto, que são aqueles de menor porte e fabricados em série, como reflexo da redução nos investimentos em aumento de capacidade.

 

Romi - A fabricante de máquinas Romi, de Santa Bárbara d’Oeste (SP), decidiu que a melhor estratégia diante da turbulência do exterior, que fez com que os pedidos da sua subsidiária alemã recuassem 53% no terceiro trimestre, era o mercado local.

 

Metisa - A Metisa, metalúrgica de Timbó (SC) cujos clientes estão nos setores automotivo, ferroviário e agrícola, segue o mesmo caminho, desde que começou a notar uma reação das vendas no mercado interno, que veio gradualmente compensando a retração no exterior a partir de 2019. A administração da companhia diz, no relatório que acompanha o balanço do trimestre, que planeja aumentar o desenvolvimento de novos produtos para aproveitar a recuperação da atividade econômica.

 

Expectativa - Para os próximos trimestres, a expectativa é que consumo continue sendo o motor da recuperação doméstica, segundo economistas da A.C. Pastore & Associados, tendo em vista a impossibilidade do governo oferecer estímulos fiscais e a permanência de incertezas que fazem com que os investimentos em capital não sejam feitos de forma mais consistente.

 

Aumento - No terceiro trimestre, a retomada do consumo influenciou o aumento de 10,4% na receita líquida consolidada de 29 companhias ligadas à produção e à venda de bens de consumo - como varejistas de moda e administradoras de shoppings – conforme a análise do Valor Data.

 

Três vezes maior - O avanço foi quase três vezes maior que a inflação do período. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou em 2,89% no acumulado de 12 meses até setembro. O lucro no caso específico dessas companhias recuou 1,2%, em um ritmo bem menor que no consolidado das empresas.

 

Varejo - O volume de vendas do varejo restrito cresceu 1,6% no terceiro trimestre, na comparação com os três meses imediatamente anteriores, segundo o IBGE. Em comparação ao terceiro trimestre do ano passado, o avanço foi maior, de 2,6%, com as vendas mais intensas na maioria das atividades, com destaque para móveis e eletrodomésticos e tecidos.

 

Ampliado - No comércio varejista ampliado - que inclui as atividades de veículos e materiais de construção - o avanço no volume de vendas foi de 1,4% no terceiro trimestre, frente aos três meses anteriores, com ajuste sazonal. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a alta foi de 4,4%.

 

Impulso maior - A expectativa é que a melhora na concessão de crédito e a liberação dos saques das contas do FGTS impulsione ainda mais o consumo. No terceiro trimestre, o saque das contas já teve efeitos positivos, ainda não mensurados, em empresas como Via Varejo e BR Malls.

 

Incertezas - Em contraste, as incertezas no cenário externo devem mudar pouco, segundo economistas do Bradesco, com baixa perspectiva de crescimento na Europa, estabilização na Ásia e incertezas em relação às decisões de política externa dos Estados Unidos. (Valor Econômico)

 

economia 21 11 2019

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