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COMÉRCIO: Bolsonaro na Índia para vender etanol, que pode virar commodity e mexer com preço do açúcar

 

comercio 20 01 2020Para uma agenda de quatro dias, o  presidente Jair Bolsonaro desembarca, nesta semana, na Índia, onde deve assinar uma dúzia de acordos comerciais que promovam o agronegócio brasileiro. A viagem ocorre após um pedido do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, que esteve em Brasília em novembro, na cúpula dos Brics - bloco formando por Brasil, Rússia, Índia China e África do Sul. "Existe um interesse grande do governo indiano em uma aproximação maior com o Brasil. Há muitos territórios inexplorados", disse Amit Kumar Mishra, cônsul da Índia em São Paulo.

 

Negócios - Atualmente, o setor agropecuário brasileiro fornece alimentos para cerca de um bilhão de pessoas em todo o mundo. Em 2019, o setor exportou US$ 96,8 bilhões - o equivalente a 43,2% do total produzido. A Ásia foi o principal destino, com 49%.

 

Balanço - Ao fim de 13 meses de governo, só a equipe internacional da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, terá visitado 32 países nos 5 continentes. No período, foram abertos 26 novos mercados para produtos brasileiros - de arroz para o México a lácteos para a China.

 

Tecnologia - Segundo país mais populoso do mundo - e com data marcada para ser o primeiro -, a Índia quer aumentar para 10% a quantidade de etanol em sua gasolina até 2022. Hoje, a mistura não chega a 7% e o país de 1,3 bilhão de habitantes quer aproveitar o conhecimento brasileiro para cumprir a missão.

 

Subsídios - O governo indiano subsidia parte da produção de açúcar, a maior do mundo na última safra, principalmente de pequenos agricultores que dependem do produto para sobreviver. Os incentivos ligados ao transporte variam de cerca de mil rupias (US$ 14,6) por tonelada a 3 mil rupias (US$ 42,2) por tonelada. O governo também paga diretamente aos produtores de cana-de-açúcar 138 rupias (US$ 1,9) por tonelada.

 

Reflexo - Isso acaba distorcendo preços internacionais. Portanto, direcionar parte da cana para produzir etanol poderia reduzir esse volume e a oferta global de açúcar, aumentando os preços e atendendo a interesses brasileiros e indianos.

 

Benefícios - "Para o Brasil, os benefícios de um aumento da quantidade de etanol seriam regular os preços internacionais do açúcar e uma maior procura pelo biocombustível", diz Amaury Pekelman, presidente da União Nacional da Bioenergia (Udop). "Além disso, o etanol é um aliado na mitigação da emissão dos gases de efeito estufa na atmosfera, o que melhoraria a qualidade do ar das metrópoles indianas."

 

Nova commodity - "Queremos transformar o etanol em uma commodity mundial e despertar o interesse em parceiros importantes que vejam esse produto como uma alternativa viável", afirma o diplomata Flávio Bettarello, secretário adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

 

Oportunidade - Dalci Pagolin, adido agrícola na Índia, concorda que há benefícios aos dois parceiros. "Hoje o mercado de etanol está muito concentrado em EUA e Brasil, seria muito importante que fosse para outros países."

 

Concentração - O Brasil é o segundo maior produtor de etanol do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. O produto brasileiro, à base de cana, é mais eficiente e ecológico do que o norte-americano, feito de milho. O uso do etanol como combustível em larga escala, no entanto, ainda ocorre basicamente nesses dois países, o que limita sua transformação em uma commodity comercializada internacionalmente. (Notícias Agrícolas/Estado de S. Paulo)

 

 

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