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SESCOOP/PR: Ney Guimarães fala sobre sucessão na propriedade rural

A 22ª live promovida pelo Sistema Ocepar, por meio do Sescoop/PR, para os Agentes das Cooperativas Paranaenses, na última sexta-feira (07/08), debateu sucessão familiar, um tema importante para a sustentabilidade das propriedades rurais e, por extensão, das cooperativas. O convidado foi o professor Ney Guimarães, uma figura conhecida no setor e que há muitos anos ministra cursos para grupos jovens e de mulheres cooperativistas. “O Ney Guimarães é um expert nesse assunto”, disse a analista de Desenvolvimento Cooperativo, Eliane Lourenço Goulart Festa. “Trouxemos o tema para as lives porque os agentes das cooperativas vivem de perto os anseios e os desafios de trabalhar a sucessão familiar nos projetos de formação. O tema mexe com questões sérias e decisivas. De quem é essa tarefa? A quem cabe enfrentar e conduzir a sucessão familiar? A quem interessa o bom processo sucessório? Qual o papel da cooperativa?”, questiona Eliane.

Pouco se discute - Na avaliação de Ney Guimarães, a passagem de comando das propriedades rurais é um tema importante, porém, pouco reflexivo. “Temos que analisar a questão com o olhar do educador cooperativista. O cooperativismo se preocupa com premissas mais profundas, somos uma doutrina social e econômica, e isso tem que ser passado de geração para geração”, disse. Portanto, trabalhar a sucessão familiar nas propriedades rurais não deve ter somente como foco a passagem de patrimônio, mas perpetuar o conhecimento em torno da filosofia cooperativista e o envolvimento das novas gerações.

Herdeiro ou sucessor - “Se não houver um bom processo sucessório, a propriedade rural pode entrar em colapso, porque os filhos começam a agir com desinteresse, não investem mais na atividade, a renda caí, a prosperidade foge das mãos. A cooperativa sente isso porque os herdeiros não participam do dia a dia como os pais faziam”, afirmou. “Todo sucessor é herdeiro, mas nem todo herdeiro é sucessor”, pontuou.

Sim, há oportunidades - Segundo o professor, há muitos motivos para que os jovens se interessem pela atividade rural. “Em 2050, vamos chegar a 9 bilhões de habitantes no planeta e essas pessoas precisarão de alimentos”, exemplificou. Então, se não é a falta de oportunidades, as perspectivas de progresso, o que pode afastar os jovens do campo? Na visão de Ney Guimarães é ponto chave é o relacionamento familiar. “A preocupação com a sucessão deve iniciar antes mesmo dos filhos nascerem. Ou seja, a construção ocorre no relacionamento entre o casal, e deles com os filhos, com a propriedade e com a cooperativa. Os caminhos definidos pelo casal definirão o processo sucessório. É preciso iniciar este processo em vida, e não esperar uma tragédia acontecer”, afirmou.

Família - Portanto, na opinião do professor, a boa sucessão inicia em casa, com diálogo e abertura para que os filhos possam participar das atividades familiares, e desenvolver o interesse pelo trabalho dos pais. “As cooperativas podem ajudar, promovendo cursos. Aliás, os jovens estão sedentos por conhecimento nessa área.  Não estou dizendo que a cooperativa tem que dar conta do que a família e escola não estão fazendo, mas podemos ajudar. Só a educação cooperativa tem o poder de transformar a visão, formando uma juventude colaborativa, que tem no coração ética, coletividade, uma luz diferente. E aí não tem outro jeito, senão investir em formação”, concluiu.

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