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LIVE II: Brasil vive um “passageiro e bom problema” que deverá gerar oportunidades ao agronegócio brasileiro, diz especialista

live II 28 10 2020Em sua palestra, o professor da USP e FGV, Marcos Fava Neves, que também é consultor e analista de mercado, previu que as cooperativas serão “as protagonistas no Brasil fornecedor mundial sustentável de alimentos”. E também relacionou a questão da alta dos preços dos alimentos ao desequilíbrio do consumo no mercado interno, devido ao auxílio emergencial do governo federal criado em função da pandemia do coronavírus (voucher) e, principalmente, pelas exportações puxadas pela demanda mundial, sobretudo, da Ásia, além de “um câmbio surreal.”

Oportunidades – O especialista avalia que o cenário é de problema passageiro. “E é um bom problema, porque necessitamos de choque de oferta, o que significa investimentos, crescimento e criação de oportunidades às pessoas. A previsão é que o país plante 70 milhões de hectares nesta safra. Aí temos de torcer pelo clima e seguir com os investimentos. Passaremos por um período de desajustes a depender do ciclo dos produtos, mas a oferta virá e voltaremos ao normal, em outra dimensão. O problema principal (risco) é o investimento para o choque de oferta ser feito a este câmbio, pois,  o volume da produção poderá  naturalmente derrubar os preços. Somando isso ao efeito da valorização do câmbio e o fim dos vouchers, vislumbra-se riscos no investimento para o choque de oferta. Mas é o que temos que fazer e isto criará oportunidades às pessoas”, sugeriu.

Protagonista – Neves demonstrou que o Brasil tem papel relevante como fornecedor mundial sustentável de alimentos, bioenergia e outros agro-produtos como têxteis, madeira, moveis, couro e fumo, relembrando que, em duas ou três décadas, o país saiu da condição de importador para importante exportador mundial de alimentos. Para consolidar e ampliar essa posição, precisa focar as oportunidades que estão surgindo, como os mercados asiático e africano. Disse que é preciso se voltar principalmente para países como o Egito, a Tailândia e Bangladesh, que estão aumentando as importações de produtos brasileiros. Uma estratégia de reduzir a dependência da China. E, segundo ele, a tendência será ampliar os embarques de algodão, milho, frango, açúcar, carne bovina, suína, soja e açúcar, o que contribuirá para tornar o Brasil o fornecedor sustentável de alimentos e de energias renováveis. “O Brasil vai se tornar líder no fornecimento mundial de alimentos sustentável e se transformará em um país mais desenvolvido e justo”, enfatizou.

Valor agregado – Neves lembrou ainda que atualmente o Brasil é responsável por mais de 50% das exportações mundiais de soja. E disse que não tem sentido dizer que exporta apenas produtos primários, de baixo valor agregado. E citou visitas e consultorias nos Estados Unidos para atender a interesses de empresários e executivos norte-americanos que queria saber do desenvolvimento tecnológico das empresas brasileiras do agronegócio. “Então, é bom lembrar que estamos exportando inteligência artificial para os EUA, ou seja, o agro foi além e está exportando conhecimento em gestão”, enfocou.

Cooperativismo – O professor e consultor de mercado destacou ainda o protagonismo que o cooperativismo tem de assumir para que o agronegócio brasileiro ocupe mais espaço no mercado internacional, a ponto de sugerir mais união das cooperativas para conquistar poder para negociar melhor lá fora. “O produtor rural brasileiro é protagonista no suprimento mundial de alimentos sustentáveis. Neste sentido, o cooperativismo precisa cooperar entre si visando principalmente ao mercado internacional, para chegar ao lado do comprador, por meio do compartilhamento de infraestrutura de transporte, logística, elevando o seu poder de negociação”, recomendou, ao propor mais ações coletivas e integradas das cooperativas; redução de duplicidades em busca de escala de poder de negociação; assim como o avanço das cooperativas de crédito, incentivar o avanço de cooperativas de consumo, como supermercados cooperativistas; avançar em direção à distribuição e varejo de combustíveis. E ainda defendeu que o setor deveria se concentrar em organizações maiores, como em “CoopergrainsBR e CooperfoodBR. “Se não der para ser BR, que seja PR, pois o cooperativismo do Paraná é altamente desenvolvido e tem escala”, disse.

 

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