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EXPORTAÇÕES: Fim da transição pós-Brexit pode trazer oportunidades comerciais ao Brasil no Reino Unido, diz adido agrícola

A transição pós-Brexit termina em 31 de dezembro de 2020, quando o Reino Unido passará a determinar suas próprias regras e normas de comércio internacional. “A partir de 2021, o Reino Unido terá que consolidar suas próprias parcerias de negócios e o Brasil se coloca como um parceiro estratégico. Os interesses são complementares e podem levar a um acordo comercial entre os países”, afirmou o adido agrícola brasileiro em Londres, Augusto Billi, durante seminário on-line na tarde desta quinta-feira (26/11). Promovido pelo Consulado do Reino Unido, em parceria com o Sistema Ocepar, o evento discutiu perspectivas e oportunidades bilaterais existentes no mercado agropecuário.

Demanda - Formado por Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, com 66 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de 2,8 trilhões de dólares (2018), o Reino Unido é a 6ª maior economia do mundo e suas importações agrícolas anuais ultrapassam a 53 bilhões de dólares. “Quase 80% desta demanda é suprida pelos países da União Europeia. No cenário pós-Brexit, as normatizações favoráveis ao bloco europeu não permanecerão no patamar atual. Isso abre uma oportunidade para que o Brasil ocupe um espaço maior no comércio com o Reino Unido”, disse Billi.

Diversificação - Segundo o adido agrícola, o Brasil exporta cerca de 1 bilhão de dólares em produtos agropecuários ao Reino Unido, principalmente carne de frango (138,3 milhões), carne bovina (103 milhões), complexo soja (141,5 milhões), frutas e sucos (160 milhões) e café (104,7 milhões). “O Reino Unido ainda segue todas as regras da União Europeia e por isso o Brasil ainda não exporta suínos e pescados, entre outros produtos. A partir de 2021, vamos tentar abrir mercado para uma pauta mais diversificada da produção agropecuária brasileira. Acreditamos que as normas que vão pautar as decisões comerciais terão mais base na ciência, sem a necessidade de agradar interesses dos produtores da França ou Espanha”, analisou. “Há também muitas oportunidades para ampliarmos as vendas no setor de frutas, com tarifa zero para os sucos”, observou.

Cooperativismo - De acordo com Billi, o mercado do Reino Unido é formado por um consumidor exigente e disposto a pagar mais por um produto de qualidade e que cumpra também com os requisitos de sustentabilidade. “Cabe a nós fazer a lição de casa, que é trabalhar a nossa imagem de sustentabilidade. Temos que falar de pessoas, e o cooperativismo do Paraná tem um modelo de negócios que atua de forma sustentável. Pequenos agricultores que juntos se tornaram mais fortes. É isso que temos que mostrar ao consumidor, o quanto o agro mudou e melhorou a vida das pessoas e o quanto as propriedades respeitam o código florestal e se preocupam com o meio ambiente”, concluiu.

Perspectivas - O webinar foi aberto pelo superintendente da Ocepar, Robson Mafioletti, e pelo cônsul honorário do Reino Unido no Paraná, Adam Patterson. Na opinião do cônsul, o Brasil é um parceiro estratégico e a relação comercial pós-Brexit tem perspectivas positivas. “Há mais de 200 anos temos um relacionamento de comércio e investimentos. Acredito que no futuro o comércio será ainda mais forte, em vários setores e em especial na agropecuária, na qual o Paraná é uma referência de qualidade e produtividade”, afirmou. Também palestraram no evento, Maria Luqueze, diretora no Brasil da UKEF e Gabriela Meucci, líder do setor agro no consulado britânico.

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