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COOPERATIVISMO I: Um sistema de inclusão

O sétimo princípio do cooperativismo defende o interesse pela comunidade e é com base nele que são desenvolvidas ações de responsabilidade social. Entre as iniciativas, destacam-se as capacitações oferecidas aos moradores das localidades em que as cooperativas atuam. Por meio de cursos e treinamentos, promove-se a inclusão no mercado de trabalho e o consequente desenvolvimento econômico e social.

Cocamar - Na Cocamar Cooperativa Agroindustrial, 33 detentos da Penitenciária Estadual de Maringá (PEM) trabalham em vários setores da produção, como na logística integrada, fiação de algodão e carga e descarga de cereais. Em regime semiaberto, eles seguem todas as manhãs para a cooperativa e, após o expediente, retornam para a PEM. Pelo contrato, 80% do salário de R$ 466,50 é enviado às famílias dos detentos, enquanto o restante torna-se uma poupança que pode ser sacada após a obtenção do regime aberto. Além disso, os detentos ganham redução de um dia da pena para cada três dias trabalhados.

Mesmo tratamento - Na Cocamar, os presos recebem o mesmo tratamento dado aos demais colaboradores, como almoço, uniforme, equipamentos de segurança e treinamentos. Os detentos possuem jornada de trabalho das 8h às 17h30. O projeto foi criado no início de 2011 e, segundo o gerente de relações humanas da Cocamar, Marçal Siqueira, as dificuldades iniciais de relacionamento foram facilmente superadas, com ajuda de uma ação de sensibilização e orientação dos líderes e demais colaboradores.

Critério - ''O principal critério para a seleção dos funcionários foi que apresentassem desejo real de trabalhar'', ressalta Siqueira. Quando criado, em 2010, o projeto contava com 10 detentos, mas a eficácia fez o número aumentar e, atualmente, o projeto conta com lista de espera de 30 interessados. ''Não tivemos nenhum problema até hoje. Os detentos se socializaram bastante e interagem normalmente com os colegas de trabalho. Eles são uma mão de obra muito requisitada porque valorizam a oportunidade de emprego'', salienta. Siqueira afirma que, caso sejam liberados, os detentos têm a chance de ser efetivados pela Cocamar.

Ofício - Para o diretor da PEM, Vaine Gomes, além do simples cumprimento da pena, o trabalho externo serve para que os detentos aprendam um ofício. ''O trabalho diminui o tempo ocioso e a tensão na unidade porque melhora o comportamento dos detentos e traz harmonia no relacionamento interpessoal ao resgatar o vínculo social deles. A referência enquanto trabalhador agrega valor às pessoas que se encontram presas'', analisa.

Oportunidade - Arnaldo Domingos Junior trabalha há seis meses como auxiliar de produção no setor de Expedição da Cocamar. ''É muito bom poder sair da penitenciária e ainda ter essa oportunidade de trabalho. A experiência e o conhecimento são muito úteis, é uma oportunidade valiosa'', comenta. Há quatro meses, Marcos Cesar Gomes atua como auxiliar de produção na cooperativa. Segundo ele, o ofício e o contato com a sociedade contribuem para sua própria evolução. O salário recebido é usado para sustento dos três filhos. ''O trabalho contribui pessoalmente e também permite que eu contribua com o quadro social, sendo útil para a empresa'', afirma. Gomes reforça que a iniciativa da Cocamar deveria servir de exemplo. ''A redução da violência precisa ser feita com oportunidade e não apenas com punição'', opina.

Opções - Ezequiel Senário de Jesus desempenha a função de auxiliar de produção no setor de expedição de óleo da Cocamar há oito meses. ''Tem sido muito bom porque vivemos com as portas fechadas para a vida e essa oportunidade abriu as portas novamente para nós'', comemora. Segundo ele, a recepção dos companheiros de trabalho foi tranquila e o reconhecimento foi conquistado com empenho e trabalho de qualidade. ''A mudança depende de cada detento e das oportunidades oferecidas. O preso tem que ter opções para que tenha a chance de escolher a coisa certa'', afirma. (Folha de Londrina)

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