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FORMAÇÃO INTERNACIONAL: Cooperativistas iniciam viagem pela Oceania

O Dairy Australia, órgão nacional de serviços para os produtores da indústria de leite, foi o primeiro local visitado, nesta segunda-feira (15/05), pela quinta turma do Programa Internacional de Formação de Executivos e Líderes Cooperativistas que está na Oceania em missão técnica de estudos até o dia 26 de maio. A viagem iniciou pela Austrália e inclui ainda a Nova Zelândia. O grupo é composto por dirigentes de cooperativas do ramo agropecuário e de crédito, OCB, Sebrae e Sistema Ocepar, que está sendo representado pelo coordenador de desenvolvimento cooperativo, João Gogola Neto, e pelo coordenador técnico Devair Antônio Mem.

Oportunidade - A formação de executivo e líderes cooperativistas tem por objetivo proporcionar aos participantes a oportunidade de conhecer a realidade, boas práticas e desafios do sistema cooperativo em diversos países, para que eles possam ser utilizados como base de evolução e desenvolvimento no sistema cooperativista do Paraná. A quinta turma já conheceu a realidade do cooperativismo brasileiro e paranaense e também estve na Argentina, Itália, Alemanha, Holanda, Estados Unidos e Canadá.

Apoio - O Dairy Australia (DA) tem o papel de ajudar os agricultores a se adaptarem a um ambiente operacional em constante mudança e a alcançar uma indústria de laticínios sustentável e rentável. Lá, o grupo de cooperativistas foi recebido pelo gerente de políticas comerciais, Robert Pettit. A entidade foi formada em 2003 como parte da reestruturação da indústria de laticínios australiana, pois o segmento passou por uma significativa desregulamentação nos anos 2000. “A indústria revisou suas organizações e estruturas, formando DA para assumir as funções que antes eram realizadas pela Australian Dairy Corporation (ADC) e pela Dairy Research and Development Corporation (RDDC). Para seu funcionamento, foi desenvolvida uma nova Constituição e um Acordo de Financiamento Estatutário acordado com o Governo Federal”, conta João Gogola Neto.

Obrigações - Ainda de acordo com ele, a DA opera dentro de uma matriz complexa de obrigações devidas a várias partes interessadas. Em virtude de sua condição de Empresa de Pesquisa e Desenvolvimento Rural (RDC) de propriedade industrial, ela deve obrigações a seus membros e à Commonwealth e também está sujeita às obrigações legislativas ordinariamente devidas pelas corporações.

Benefício - “De acordo com a Dairy Austrália, eles retornam $3 em benefício para os agricultores a cada $1 de contribuição. A entidade tem o objetivo de investir em toda a cadeia abastecimento de produtos lácteos, identificando as melhores oportunidades para a ação coletiva - atividades que os agricultores e as empresas não fazem sozinhos de forma eficiente”, acrescenta o coordenador do Sescoop/PR.

Representação - A DA representa 6.102 produtores, com plantel de 1.663.000 vacas em lactação. Em média, os produtores contam com 273 vacas em produção, são responsáveis pela produção de 321 mil toneladas de leite em pó, 344 mil toneladas de queijo e 118 mil toneladas de manteiga. O custo de produção do leite gira em torno de AUD 0,40 (dólar australiano) por litro e o de venda em AUD 0,42. Em 2013, o preço era de AUD 0,50, o que comprova a informação da redução do valor de venda no mercado.

Recursos - Os recursos financeiros da DA são oriundos dos produtores de leite (2/3) e governo (1/3), no caso dos produtores a contribuição está relacionada ao volume de leite produzido, em média AUD 5 mil por ano. A referência de contribuição é de 1/3 de centavo por litro de leite.

Dificuldades - Em 2016, o setor de lácteos australiano enfrentou dificuldades, principalmente relacionadas ao preço do produto, pois 65% dos produtos colocados no mercado são oriundos ou estão vinculados a marcas de grandes redes de mercados e, como estas redes têm foco na comercialização de grandes volumes de produtos, acabaram por fazer grandes campanhas comerciais e, por sua vez, derrubaram o preço do produto no varejo. O setor de lácteos é a segunda maior indústria da Austrália, ficando atrás apenas da de carnes. Algo em torno de 34% da produção é destinada à exportação.

Linha de crédito - Na Austrália não existe linha de crédito específica para produtor de leite. Para investir em sua atividade, o produtor recorre ao banco e paga em média de 6% a 7% de juros ao ano, sendo que a inflação no país é de 2,5% ao ano. A maior cooperativa de leite Australiana é a Devondale Murray Goldburn, que responde por 35% do share da atividade. A cooperativa é totalmente controlada pelos seus associados e o quadro social inclui 2.500 produtores de pequena e média escala. Ela possui marcas consolidadas no mercado australiano e domina o setor de alimentos no país.

Loja - Na parte da tarde, o grupo visitou uma loja do Woolworths, a maior rede de supermercados da Austrália, com 961 lojas e mais de 111 mil funcionários. Na oportunidade, foi possível observar a metodologia de uso de produtos de indústrias e cooperativas com a marca do mercado, além da estratégia de venda e concentração de produtos. Nesta terça-feira (16/05), o grupo seguirá para a cidade de Birchip, a cerca de 300 quilômetros de Melborne.

A Austrália - A Austrália é uma monarquia constitucional com uma divisão de poder federal. O país tem um sistema de governo parlamentarista com a rainha Elizabeth II (ou Isabel II) como a Rainha da Austrália, um papel que é diferente da sua posição como rainha nos outros reinos da Commonwealth. Como a rainha reside no Reino Unido, os poderes executivos investidos nela pela Constituição são normalmente exercidos pelos seus representantes na Austrália (o Governador-Geral, em nível federal e os governadores, em nível estadual), por convenção sobre os conselhos dos ministros da Rainha.

PIB - Atualmente a 13ª maior do mundo por Produto Interno Bruto (PIB) nominal, a Austrália possui uma economia de mercado altamente desenvolvida, sendo que ultrapassa US$1,23 trilhão (estimativa 2016). Seu PIB per capita está em US$ 48.806,00 (2016).  O setor industrial, que corresponde por cerca de 25% do PIB australiano, tem boa parte de sua escala voltada para o setor primário, com a larga produção de alimentos, vinhos, tabaco e a exploração mineral, bem como as atividades que exigem maior tecnologia, como a indústria de máquinas e equipamentos, a indústria química, metalúrgica, siderúrgica e petroquímica. 

Exportações - As exportações australianas também incluem gênero alimentícios, como carne e trigo, além de lã e minérios, como bauxita, chumbo, níquel, manganês, além de ouro, prata e diamante, sendo a Austrália um dos maiores exportadores mundiais deste último.

Parceria comercial - O Brasil é o maior parceiro comercial da Austrália na América do Sul, com um comércio bilateral de mercadorias que totalizou R$ 1,25 bilhões em 2016.  As principais exportações da Austrália para o Brasil são: carvão, petróleo bruto, ferro e aço. As principais exportações do Brasil para a Austrália são: café, equipamentos de engenharia civil, sucos, calçados e medicamentos. A Austrália possui um cooperativismo pujante. Um em cada sete australianos está ligado a pelo menos uma cooperativa. Os ramos de destaque no país são o crédito e o agropecuário. Também se destacam os ramos consumo e habitacional.

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