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EMERGENTES: Banco dos Brics oferece US$ 600 mi em créditos ao setor público este ano

O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), criado pelos governos de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o chamado grupo dos Brics, quer abrir seus cofres para financiar projetos de prefeituras e governos estaduais brasileiros.

Contratos - Seus executivos estão em busca de contratos e a expectativa é de fechar o ano com até US$ 600 milhões em crédito para o país. O primeiro contrato já foi firmado, no fim de abril, com o BNDES. "O mandato do Novo Banco de Desenvolvimento é apoiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos países membros, incluindo projetos capitaneados pelo setor público", disse ao Valor, Paulo Nogueira Batista Júnior, um dos vice­presidentes da instituição e seu Chief Risk Officer (CFO).

Municípios - Por e­mail, da cidade chinesa de Xangai, onde fica a sede do banco, Nogueira Batista apontou que municípios brasileiros com população de mais de 100 mil pessoas, assim como os Estados, podem recorrer a fontes externas de financiamento com garantias da União.

Interesse - "Nesse sentido, o NBD está, sim, interessado em financiar projetos de Estados e municípios que tenham relação com o mandato da instituição e que obtenham garantia do governo federal", afirmou o economista. "O banco dará especial atenção ao setor de infraestrutura sustentável, isto é, energia renovável, eficiência energética, transporte limpo, saneamento básico, etc."

Possibilidades de crédito - No fim de abril, Nogueira Batista e outro vice­presidente do NBD, o chinês Xian Zhu, se reuniram com secretários de Fazenda e prefeitos de alguns municípios brasileiros em Brasília para apresentar as possibilidades de crédito do banco. A reunião fez parte da programação de um encontro da Frente Nacional dos Prefeitos.

Identificação - "O NBD tem mantido conversas com municípios e Estados no Brasil para a identificação de projetos aderentes ao mandato da instituição", disse o executivo. "Esses projetos podem ser inteiramente financiados pelo NBD ou em parceria com outros bancos multilaterais de desenvolvimento."

Foco - Nogueira Batista diz que por ora o foco é fechar operações de crédito com entes públicos. "O NBD também pode financiar projetos do setor privado, mas essa modalidade de operação vai ser gradualmente explorada, e deve aumentar à medida que as capacidades institucional e de gerenciamento de risco do banco se consolidem."

Alternativas - O também chamado banco do Brics, foi criado pelo grupo de países de economias em desenvolvimento como uma alternativa a instituições multilaterais criadas e tradicionalmente lideradas por países ricos ­ o Banco Mundial é o exemplo mais claro.

Discussão - A ideia começou a ser discutida em 2012, durante o primeiro mandato da então presidente Dilma Rousseff (PT), com os demais líderes dos integrantes do Brics. Em 2014, Dilma, o russo Vladimir Putin, o primeiro­ministro indiano, Narendra Modi, o presidente chinês, Xi Jinping, e o sul­africano Jacob Zuma assinaram, num encontro em Fortaleza, o acordo que estabeleceu o novo banco.

Intenção - "O NBD tem a intenção de aprovar até US$ 3 bilhões em projetos nos países membros, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, em 2017. Deste montante, pelo menos 70% devem ser direcionado a projetos do setor público com garantia soberana", afirmou Nogueira Batista.

Montante - A fatia desse montante vai depender do interesse de setores públicos do Brasil e da qualidade de seus projetos, afirmou. Mas o banco trabalha como um horizonte para o país. "Para 2017, o total de recursos aprovados para tomadores de crédito no Brasil pode chegar a algo como US$ 500 milhões ou US$ 600 milhões".

Estreia formal - O NBD fez sua estreia formal no mercado de crédito do Brasil em 26 de abril. Foi quando assinou um contrato com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "O contrato tem o valor de US$ 300 milhões e é para projetos na área de energia sustentável", afirmou Nogueira Batista. (Valor Econômico)

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