Início Sistema Ocepar Comunicação Informe Paraná Cooperativo Últimas Notícias INFRAESTRUTURA: Com investidor perplexo, temor é de adiamentos na rodada de concessões

 

 

cabecalho informe

INFRAESTRUTURA: Com investidor perplexo, temor é de adiamentos na rodada de concessões

infraestrutura 19 05 17A crise política detonada com a divulgação de gravações envolvendo o presidente Michel Temer pode prejudicar os investimentos e adiar o programa de concessões do governo federal, segundo analistas. Consultores relatam que os investidores estrangeiros foram surpreendidos com a notícia num momento em que começavam a olhar o país com maior otimismo e até "encantamento" por conta da evolução das reformas e da retomada da economia.

Adiamento - Para Welber Barral, ex­secretário de comércio exterior e sócio da Barral M Jorge, as denúncias contra o presidente podem adiar o programa de concessões do governo federal para 2022. Uma nova crise política reverte o quadro de retomada da economia do país, diz ele, e gera incertezas para qualquer desfecho possível de se imaginar para o governo Temer.

Futuro - O futuro das reformas é uma das preocupações, diz Barral. Sem a reforma previdenciária, avalia ele, o déficit fiscal para o ano que vem e para 2019 deve ser muito maior, o que afeta os investimentos em infraestrutura e a capacidade de atração para as concessões. "Se a reforma não for aprovada até o segundo semestre deste ano, não será aprovada no ano que vem. Em 2019 teremos um novo governo que eventualmente conseguirá aprovar uma proposta em 2020. Isso gerará caixa em 2021 e o programa de concessões voltará somente em 2022." O Brasil, diz Barral, precisa reduzir a incerteza qualquer que seja o presidente. "As reformas precisam ser aprovadas a qualquer custo e é preciso imunizá­las dos efeitos da crise política." Ele reconhece, porém, que separar esses dois componentes parece muito remoto neste momento.

Bomba - A ex­secretária de Fazenda de Goiás e sócia da Oliver Wyman Ana Carla Abrão estava nos Estados Unidos na noite de quarta (17/05), quando foram ao ar as notícias sobre as gravações envolvendo Temer. "A notícia caiu como uma bomba", conta. "Saí de Nova York com as pessoas em estado de choque depois de três dias de encantamento em relação às possibilidades que o Brasil começava a mostrar."

Reuniões - Ana Carla estava em Nova York desde segunda­feira (15/05). Na terça, participou da cerimônia em que João Doria (PSDB), prefeito de São Paulo, recebeu premiação de "Person of the Year" da Câmara de Comércio Brasil­Estados Unidos. Nos eventos dos dias que se seguiram ao da cerimônia, Ana Carla conta que teve mais de seis reuniões com representantes de fundos de investimentos. "Impressionante como o clima estava positivo, não somente com as reformas, mas com a própria condução do governo. O Brasil vinha num processo muito positivo e o governo perdeu a capacidade de avançar nas reformas necessárias e que já estavam sinalizando recuperação."

Perplexidade - Na quarta, ao deixar os EUA, diz ela, o clima era de perplexidade. Tudo deve ainda ser investigado, pondera, mas as notícias criam incerteza. "Isso tirou as reformas do foco e colocou no lugar uma crise institucional." Gesner Oliveira, economista­chefe da GO Associados, também fala da sensação de perplexidade na conversa com executivos de fundos de investimentos brasileiros e estrangeiros.

Impacto - "O impacto no curto prazo é muito negativo. E isso só pode ser atenuado se a política econômica for blindada dessa crise. Independentemente do desfecho, seja a troca de presidente ou eleição direta ou indireta, seria importante manter nomes chaves da equipe econômica." Para ele, é necessário preservar a equipe, as atuais reformas e também os programas de investimento, que têm como linha mestra o PPI (Programa de Parcerias de Investimentos). "Se isso for mantido é possível administrar o dano. O contrário seria retroceder dois anos no tempo."

Óleo e gás - No setor de óleo e gás, porém, que ensaia uma retomada dos investimentos, as revelações contra Temer podem não ter tanto impacto, avalia Décio Oddone, diretor­geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Ele participou de vários encontros com investidores esta semana e as preocupações, conta, eram todas de longo prazo. "Hoje coloquei um panorama do setor nos próximos anos, as próximas rodadas, e depois das conversas iniciais na sessão de debates ninguém perguntou nada sobre a situação de curto prazo do Brasil." (Valor Econômico)

 

Submit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to LinkedIn

Últimas Notícias