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DIA INTERNACIONAL: A força do cooperativismo de crédito

dia internacional 19 10 2017Nesta quinta-feira (19/10), é celebrado o Dia Internacional das Cooperativas de Crédito. Hoje, mais de 231 milhões de pessoas formam a nação cooperativista financeira mundial. Todas usufruem de serviços bancários que impulsionam a realização de sonhos profissionais e pessoais. Do Ocidente ao Oriente, cerca de 68.882 cooperativas financeiras contribuem com a prosperidade dos seus associados.

Entrevista - Em comemoração à data, a Entrevista da Semana é com o coordenador nacional do Conselho Especializado do Ramo Crédito da Organização das Cooperativas Brasileiras (Ceco/OCB), Léo Trombka, que faz uma análise e traça perspectivas para o ramo.

Na última década, o cooperativismo de crédito registrou um forte crescimento no país. Na sua opinião, quais fatores foram responsáveis por essa alta?

O cooperativismo de crédito no Brasil começou a crescer a partir de 2008 com o evento da crise financeira originada no subprime nos Estados Unidos e que se expandiu para todo o mundo, inclusive para o Brasil. Só que aí entra o diferencial do sistema cooperativo. Enquanto o capitalismo tem bancos, proprietários, acionistas e seus clientes, no cooperativismo todos são donos. Não tem o sócio majoritário. Como não visa ao lucro, quando aconteceu a crise, o sistema cooperativo tinha um colchão de liquidez muito grande. Ele pôde manter as taxas baixas para empréstimo, uma remuneração adequada para as aplicações e, consequentemente, pôde honrar compromissos e manter a expansão, porque não visava ao lucro.

Como foi a expansão no período?

No Market Share do sistema cooperativo frente ao sistema financeiro nacional, de acordo com dados de dezembro de 2016, respondemos por 3,57% em ativos totais, 6,4% dos depósitos, 5,95% do patrimônio líquido, e nós temos 3,42% das operações de crédito. Em 2014, os ativos totais eram 2,71%, e os depósitos 4,73%, o patrimônio líquido 4,79% e as operações de crédito 2,78%. Em 2008 o crescimento do sistema cooperativo passou a ser maior percentualmente. Ele começou a crescer mais, uma média de 20% ao ano. Isso significa que a cada três anos o sistema cooperativo dobra de tamanho. Mas a crise, que pegou o sistema financeiro tradicional, também pegou as cooperativas. Só que o crescimento das cooperativas de crédito continuou sendo maior do que no sistema financeiro tradicional porque as taxas continuaram mais baixas. O sistema bancário tradicional começou a encolher o fornecimento de crédito, que ficou mais restritivo. E o sistema cooperativo não.

Como o senhor vê a atuação do BC na regulamentação das cooperativas de crédito? Ela garantiu maior segurança jurídica para o setor?

O BC entendeu a importância das cooperativas de crédito. Elas permitem maior distribuição do crédito, colocam as pessoas dentro do sistema financeiro. Ele é inclusivo nos lugares onde não havia nenhum banco e compete com o sistema financeiro tradicional. As taxas são efetivamente mais baixas porque não visam ao lucro. O BC deu um apoio maior. E, sendo um órgão que normatiza, vem exigindo que as cooperativas sigam dentro da segurança e, inclusive, trabalhando em conjunto. Por exemplo, com a criação do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito foi um trabalho conjunto com a OCB.

Qual a importância do Fundo Garantidor de Crédito para as cooperativas?

O Fundo Garantidor é fundamental para aumentar cada vez mais a credibilidade do sistema cooperativo. Você sabendo que o sistema cooperativo tem auditorias, é controlado pelo BC, tem auditoria do BC, tem auditoria das centrais, tem auditoria das singulares. E, mais do que isso, ele tem uma garantia caso uma cooperativa tenha default, esteja mal. O fundo garante R$ 250 mil por CPF, que é o mesmo do fundo garantidor dos bancos.

As auditorias nas cooperativas contribuem, por um lado, para aumentar a segurança da instituição, mas aquelas de menor porte têm apontado dificuldades na contratação de empresas especializadas. Isso vem sendo um entrave para as cooperativas de crédito de menor porte? Quais as soluções?

A partir do momento que foi criado o Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito, que é um fundo único para todo o sistema, tivemos o primeiro passo para a união de todo o sistema. Criado o fundo, passou-se para o segundo passo que foi a criação da EAC (Entidade de Auditoria de Cooperativa), lançada pelo Banco Central em dezembro de 2015. Ele estabeleceu os requisitos para empresas interessadas em fazer auditoria cooperativa. A norma que saiu do BC, número 4454, disciplina as entidades de auditoria cooperativa. Ela deve se apresentar ao BC, que checa se ela atende ao escopo do trabalho. Isso traz muito mais segurança ao Fundo Garantidor. Segundo, é mais uma entidade comum a todo o sistema cooperativo. E terceiro: o objetivo é conquistar ganho de escala e reduzir o preço. Agora, o BC estabeleceu um cronograma. Por exemplo, até dezembro de 2016 foram auditadas aquelas cooperativas plenas, que são as que têm maior risco. Isso abrange algumas maiores e principalmente os dois bancos cooperativos e as confederações. Até o fim de 2017, as clássicas terão que ser auditadas e até o fim de 2018, mais em geral. Esse é o objetivo de procurar reduzir o custo porque agora todas vão ter que ser auditadas por entidade de auditoria cooperativa.

O Banco Central olhou com maior atenção as cooperativas de crédito, principalmente na última década. Na sua opinião, as mudanças no governo podem alterar essa relação?

O penúltimo presidente do Banco Central era o Alexandre Tombini, uma pessoa extremamente ligada ao cooperativismo. Antes dele, era o atual ministro Henrique Meirelles, que também foi uma pessoa muito voltada ao cooperativismo, embora ele não pertencesse ao sistema cooperativista. O Banco Central é um órgão técnico e é obvio que vai querer se manter assim. E ele é cada vez mais independente. E mantendo essa linha de independência e sabendo que o sistema cooperativo é uma solução que vem crescendo, eu não tenho nenhum temor que a mudança da direção do BC vá afetar o sistema cooperativo. (Entrevista publicada na 4ª edição da revista Coopera SP, do Sescoop/SP, e reproduzida no Informe OCB)

 

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