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COMÉRCIO EXTERIOR II: Azevêdo vê reorientação da OMC na direção de acordos plurilaterais

comercio exterior II 15 12 2017O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, aponta para "reorientação" na forma de negociar acordos a partir das persistentes dificuldades na conferência de Buenos Aires, encerrada na noite de quarta-feira (13/12).

Discordância - Os 164 países não conseguiram concordar sequer em modestos programas de trabalho, como negociar redução de subsídios agrícolas domésticos no futuro - de interesse de nações exportadoras, como o Brasil, e da grande maioria dos países em desenvolvimento.

Grupos diferentes- Em meio ao racha, surgiram três diferentes grupos de países que decidiram abrir discussões para lançar negociações sobre novos temas: comércio eletrônico, facilitação de Investimento Estrangeiro Direto (IED) e medidas para melhor integrar pequenas e médias empresas no comércio global.

Resistência - Dessa forma, eles tentam driblar a resistência de países como Índia e África do Sul, que não querem nem ouvir falar de novos temas até que questões da abandonada Rodada Doha sejam contemplados. Outros países julgam que dá para fazer as duas coisas, e sobretudo não ignorar novos temas que marcam uma profunda mudança no comércio global.

Adaptação - "O sistema [multilateral de comércio] vai se adaptando continuamente", afirmou Azevêdo, ao ser indagado pelo Valor sobre reformas nessa entidade chave na governança econômica global. "Até 2008, vínhamos tentando fechar a Rodada de Doha num pacote único, como empreendimento único. Depois [os países] foram tematizando, tendo certo realismo no que era possível fazer. E, a partir da conferência de Bali [2013], começamos a focar as negociações em áreas que achávamos que eram possíveis [para um acordo] à luz das dificuldades anteriores", acrescentou.

Reorientação - Para Azevêdo, "isso em si já é uma reorientação do sistema". Agora, em Buenos Aires, ele cita as três declarações de grupos de países sobre temas difíceis, como comércio eletrônico. "Não existiam grupos desse tamanho", disse ele. "O número de países [participantes] é significativo e está aumentando. Toda vez que pergunto quantos são, o número já é diferente. E o interessante é a parcela do comércio que eles fazem, sendo em média 75% do comércio global nesses segmentos. É uma mudança também ter de tudo nesses grupos, como países desenvolvidos, emergentes, menos avançados."

Questão - A questão é se esses grupos lançados em Buenos Aires resultarão em negociações plurilaterais (participa quem quer). A resposta de Azevêdo é prudente. "Eles estão começando uma conversa com quem está disposto a conversar. No final, decidirão se abrirão negociações com todos os membros, multilateralmente, ou só com um grupo de membros. Esse é o primeiro passo. Não se pode prejulgar o resultado, é cedo para dizer se será multi ou plurilateral". (Valor Econômico)

 

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