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JUROS I: BC surpreende e mercado coloca cenários em revisão

juros I 22 03 2018A mensagem do Comitê de Política Monetária (Copom) de que o ciclo de corte de juros ainda não acabou surpreendeu os analistas e deve ter efeito direto tanto sobre o mercado de juros quanto sobre a bolsa. Assim como os ativos financeiros, os departamentos econômicos também devem se ajustar a esse novo cenário. Nesta quarta-feira (21/03), o Copom cortou a taxa Selic em 0,25 ponto, para 6,5% ao ano, e acenou com uma nova redução na reunião de maio.

Apostas - Mesmo com indicadores de inflação mais baixos do que o esperado recentemente, e com boa parte dos economistas projetando um IPCA bem abaixo da meta para o ano, de 4,5%, a comunicação do Banco Central até aqui esfriava as apostas na continuidade do ciclo de afrouxamento monetário. "Os juros futuros não estavam considerando esse corte adicional", afirma a economista-chefe da CM Capital Market, Camila Abdelmalack, que vê agora como cenário base o encerramento do ciclo com a Selic em 6,25% ao ano.

Correção positiva - Já a bolsa deve ter uma correção positiva já no começo do dia, uma vez que a taxa de juros é uma das variáveis que ajudam a definir o valor das ações.

“Cavalo de pau” - Para o economista-chefe da Garde Asset Management, Daniel Weeks, o Copom fez uma espécie de "cavalo de pau". Ele lembra que, há 45 dias, na reunião de fevereiro, o Banco Central indicou que poderia encerrar o ciclo de corte de juros com a Selic em 6,75% e, agora, diz que pode levar a taxa para 6,25% no encontro de maio. "O que parece é que o BC errou muito em sua visão sobre a inflação no começo do ano. Teve uma grande surpresa com a inflação e os núcleos e agora está corrigindo."

Certo - Mas Weeks pondera que o BC está certo em fazer essa mudança por causa do quadro de inflação benigno. "Ele pode até ser criticado por não ter sinalizado, mas o fundamento está do lado dele", afirma. "Há um hiato gigantesco, o desemprego ainda está muito alto e a inflação não para de cair."

Flexibilização - No comunicado de sua decisão, o Copom diz que considera adequada uma "flexibilização moderada adicional". E revisou sua projeção para a inflação para 2018, para 3,8% e, para 2019, para 4,1%. No comunicado anterior, a expectativa era de um IPCA de 4,2% para os dois períodos. Assim, o BC passou a trabalhar com previsões mais próximas às do mercado.

Reação - Para Maurício Molon, economista-chefe do Santander, a sinalização de uma possível nova diminuição da Selic foi uma surpresa, mas "faz todo o sentido". Para ele, o BC reagiu às leituras de inflação bem mais fracas que o antecipado neste início do ano. "A surpresa inflacionária foi muito grande, tem núcleos rodando a 2% anualizado e a magnitude dessa surpresa inflacionária no início do ano é consistente com a nova sinalização do BC."

Cenários - O Santander revisou os cenários para os juros e a inflação neste e no próximo ano. A instituição trabalha agora com um novo corte da Selic para 6,25% ao ano em maio e manutenção desse nível até meados de 2019. Em relação aos preços, o banco projeta uma inflação de 3,5% no fim deste ano e de 4% em 2019.

Cenário internacional - Um novo corte de juros em maio só não vai acontecer caso haja alguma mudança no cenário internacional, na opinião de Bruno Lavieri, economista da consultoria 4E. "O mercado continua tendo uma leitura muito 'dovish' em relação ao Federal Reserve [Fed, o banco central americano], mas essa visão pode mudar e aumentar o peso do risco externo", afirma.

Espaço - Para o chefe de economia e estratégia do Bank of America Merrill Lynch (BofA), David Beker, o mercado vinha olhando para a inflação mais baixa e considerando que poderia haver espaço para novos cortes. "Mas, quando olhavam para a linguagem do Ilan [Goldfajn, presidente do Banco Central], a impressão que se tinha era de que ele encerraria o ciclo hoje [ontem]", diz.

Eleições - Seu cenário base agora é de que o juro chegará a 6,25% no próximo encontro de política monetária. Mas, para as reuniões seguintes, Beker vê pouco espaço para reduções adicionais. "Já estaremos em pleno ciclo eleitoral. Por mais que a eleição não seja um elemento inibidor para corte de juros, os BCs preferem estar fora do debate nesses períodos", diz.

Projeções - Já para Marcos Mollica, sócio da Rosenberg Investimentos, não se pode descartar a possibilidade de o juro voltar a cair mais uma vez no encontro do Copom de junho. "A gente está revisando provavelmente para 6% no fim do ciclo este ano", diz. Em seu cenário, o BC deve começar a subir os juros novamente a partir do segundo semestre de 2019 e levar a taxa para 8%. Em relação à inflação, o economista projeta alta de 3,6% neste ano e de 4% no fim de 2019, mas "com viés de revisão para baixo". (Valor Econômico)

 

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