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MARCO: Paraná comemora 100 anos da escola que moldou o agronegócio do estado

marco 06 04 2018No início do século 20, madeira e erva mate eram os motores da agricultura paranaense. Mas ainda faltava algo para explorar esse potencial: profissionais especializados. Já era tempo de criar um curso de Agronomia na Universidade do Paraná.

Curso - Em fevereiro de 1915, isso finalmente ocorreu, ainda com o curso vinculado às engenharias. Mas não por muito tempo. Três anos depois, o curso foi extinto devido à legislação de escolas politécnicas: elas não poderiam possuir o vínculo para o ensino agronômico.

Resposta imediata - A resposta foi imediata. Um projeto de lei estadual proposto pelo deputado Romário Martins passou a vigorar no dia 5 de abril de 1918, criando a Escola Agronômica do Paraná, fundada por Martins e outros depois mentores: Lysimaco Ferreira da Costa, o primeiro diretor, e Adolar de Hefreville Hintz, primeiro agrônomo a lecionar na escola. Ela inicialmente ficou no Ginásio Paranaense, na Rua Emerlino de Leão. Nove anos depois, foi transferida novamente para a Universidade do Paraná, no Palácio das Luzes.

Contribuição ao agronegócio - Hoje, cem anos depois, os fundadores podem não estar presentes, mas serão homenageados. O centenário da escola será comemorado às 19h pela coordenação do Curso de Agronomia do Paraná, no Setor de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Paraná, onde a Escola Agronômica está hospedada atualmente.

Coordenador - Luiz Antonio Lucchesi, atual coordenador do curso de graduação em Agronomia, destaca que as famílias dos fundadores estarão presentes no evento da escola, que está diretamente ligada à evolução do agronegócio no Paraná.

Contribuição fundamental - “A contribuição é fundamental. Somos talvez a 3ª ou 4ª escola [de agronomia] do Brasil. Apoiamos o aumento da produtividade, o desenvolvimento do cooperativismo. Questões polêmicas como o uso de transgênicos, agroquímicos fazem parte do nosso trabalho e lidamos com problemas graves da agronomia, partindo para a solução, como o uso de água adequado, erosão, herbicidas”, exemplifica o coordenador.

Reconhecimento - A escola foi reconhecida como de utilidade pública já em 1919 pelo presidente Epitácio Pessoa e registrada no Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio naquele ano, sendo oferecida a outros estados, inclusive com uma carta divulgada pela escola “Aos Mato-grossenses”, republicada no livro História da Escola Agronômica do Paraná, do autor Luiz Doni Filho.

Interior - “Desde o começo, tínhamos pessoas do interior do Paraná, de outros estados e até mesmo de fora do país que vinham e voltavam levando o nome da escola. Ela começou a crescer em fama através das pessoas que levavam esses ensinamentos”, emenda o vice-coordenador do curso, João Carlos Bespalhok Filho.

Do Brasil para o mundo - Ao longo dos anos, a escola se tornou referência nacional e internacional, garante Lucchesi. Bespalhok conta que atualmente a universidade recebe estudantes de todo o mundo, além de promover programas reconhecidos internacionalmente.

Projeto - “Pelo projeto Solo na Escola, por exemplo, nossos professores explicam a produção de alimentos a estudantes [do ensino fundamental]. A ação recebeu o reconhecimento da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura é uma agência das Nações Unidas)”, afirma Bespalhok.

Intercâmbio - Os coordenadores reforçam ainda o intercâmbio realizado entre a UFPR e outras universidades do mundo. “Temos mais de 80 convênios internacionais, fora os programas de mobilidade nacional”, destaca Luchessi. Há, por exemplo, programas de estágio em parceria com a Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, um país que, assim como o Brasil, é forte produtor agrícola.

Formados há meio século Durante esses cem anos, a escola mais famosa do agronegócio paranaense formou diversas personalidades. Uma delas é o atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Outro é o ex-diretor de Itaipu, Jorge Samek. Há exatos 50 anos também saia das portas da universidade outra ‘lenda do agronegócio’: José Aroldo Galassini, fundador e presidente da maior cooperativa da América Latina, Coamo.

Teoria - “Há 50 anos era mais teoria. Tínhamos as disciplinas de matemática, química e íamos nos aperfeiçoando. Aprendíamos muito com os com os produtores porque não tínhamos aquela bagagem prática”, recorda Galassini, que brinca ter sido um aluno ‘nota 7’. “Nunca fui o melhor nem o pior da turma”, diz.

Emater - Da mesma turma do presidente da Coamo saiu também um coordenador do curso da agronomia UFPR: Fukuo Morimoto. Ele começou a lecionar fruticultura em 1970, trabalhando na antiga Carpa, atual Emater. Nos anos 2000, ele se aposentou da empresa e foi coordenador por duas gestões. Ele conta que, quando aluno, muito da parte prática era feito na própria fazenda do curso. “Mas quando eu era professor sempre buscava levar os alunos em viagens para conhecer. A maior satisfação profissional da minha vida foi formar alunos”, diz Morimoto.

Hoje - Nesse panorama, os alunos de hoje se dividem entre aqueles que querem ir para as fazendas e outros que buscam atuar em outras áreas agronômicas. “Eu particularmente penso em concursos ou alguma empresa. Muita gente que se forma aqui tem boas chances pela qualidade do curso”, afirma Leonardo Glinkski, presidente do Centro Acadêmico de Agronomia da UFPR. 

Caminho oposto - Caminho oposto do colega Michael Jangada. Ex-advogado, com 32 anos, Jangada percebeu no curso uma oportunidade para resgatar a produção das terras da família, no interior do Paraná. “Fui criado no Rio de Janeiro e passei em várias universidades, como a de Viçosa, que é muito famosa. Mas escolhi a Federal pela qualidade dos professores, o reconhecimento e também pela proximidade com as terras da família, em Embaú”, completa.

Calouros - Hoje o curso de graduação em Agronomia recebe 132 calouros por ano, além de alunos de outros cursos e instituições via mobilidade acadêmica. Atualmente são 669 alunos matriculados. Desde sua fundação, o curso formou 4.610 engenheiros agrônomos. (Gazeta do Povo)

 

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