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FORMAÇÃO: Mais de 100 pessoas participam do lançamento oficial do Programa de inovação

Desafiadas a participar de um jogo online que tinha a ética como tema, mais de cem pessoas, entre presidentes, executivos e potenciais agentes de inovação das cooperativas do Paraná, iniciaram o processo de diagnóstico das suas competências e habilidades, na tarde desta segunda-feira (23/04), em Curitiba. Foi durante o lançamento oficial do Programa de inovação para o cooperativismo paranaense ocorrido na sede do Sistema Ocepar, que utiliza a gameficação como uma de suas ferramentas para mapear as características dos participantes.

Diagnósticos - “Algumas pessoas têm mais facilidade para executar certas tarefas que outras. Assim, ao invés de tentarmos fazer com que todo mundo faça exatamente a mesma coisa, nós iremos adequar as trilhas de conhecimento às necessidades e habilidades individuais. Vamos realizar os diagnósticos por meio de uma série de gameficações. Na verdade, os participantes vão aprender que todos fazem parte do processo de inovação, independente de ser uma pessoa que vai gerar ideias ou aquela que vai gerar o suporte para executá-la. Não existe uma pessoa mais inovadora que outra. É o conjunto entre ideia e suporte que faz com que a inovação aconteça, pois ela é a consequência dessas duas forças. Esse é o principal passo. Fazer com que as pessoas se organizem em times e trabalhem juntas”, explicou o coordenador pedagógico do Programa, Fernando Arbache.

Cultura - Ele também apontou o principal problema que precisa ser superado em relação à inovação. “Às vezes, as empresas têm uma cultura baseada na busca por metas, que dão origem a uma certa linearidade na forma de construção de pensamento. Assim, ela fica muito focada no financeiro, atrás de resultados, resultados, resultados. Nós estamos propondo que as pessoas não pensem mais em resultados. Pensem em estar construindo coisas em conjunto”, disse. “O resultado obtido num ambiente onde as pessoas estão fazendo aquilo que gostam e querem sempre vai ser bom. O grande diferencial é que existe um gap, um delay entre o processo de implantação da mudança na cultura até surgirem os primeiros resultados. Muitas vezes, isso deixa as pessoas com o pé atrás, achando que vai demorar e será tempo perdido. Na verdade, depois que começarem a ser gerados, os resultados tendem a crescer de forma exponencializada. Então, essa ruptura de raciocínio é fundamental. Ou seja, é importante fazer com que as pessoas sejam livres e abertas a pensar de uma forma diferente e o resultado será uma consequência desse processo”, acrescentou.

Palestra - Nesta segunda-feira, Arbache explicou o funcionamento do Programa de inovação para as cooperativas paranaenses, orientou sobre a realização do primeiro jogo e apresentou a palestra com o tema “Transformação da cultura e da carreira das cooperativas por meio da inovação”. Ele disse que há um ambiente propício no cooperativismo para a disseminação da cultura da inovação. “O cooperativismo já está com a cabeça aberta para que isso aconteça. Isso vai fazer com que você tenha total capacidade de fazer a adequação de uma forma mais simples e fácil, porque as pessoas já sabem que precisam trabalhar em equipe. A palavra do momento é cooperativismo ou colaboração. As pessoas hoje estão colaborando, cooperando umas com as outras. É algo que já existia há muito tempo no cooperativismo tradicional e está se tornando exatamente a grande alavanca da mudança do mundo”, ressaltou.

O Programa - O Programa de inovação para o cooperativismo paranaense foi construído pelo MIT Professional Education, instituição educacional sediada no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos, a pedido do Sistema Ocepar. O objetivo é propagar e perpetuar a cultura de inovação em todos os públicos do cooperativismo. Serão realizados módulos internacionais no MIT e desenvolvidas atividades que visam mapear as competências na busca dos autênticos agentes de inovação, por meio de Inteligência Artificial e gamificação, e desenvolver trilhas de aprendizado, promovendo a criatividade e o domínio de ferramentas que subsidiem o processo de implantação da inovação.

Parceria - A iniciativa conta com a parceria do Instituto Superior de Administração e Economia do Mercosul (Isae), cuja equipe que está conduzindo o processo de implantação das atividades é composta por Danielle Hernandes, Roberto Pazinatoe Tiago Martins. Pelo Sistema Ocepar, os responsáveis são Leandro Macioski e Carlos Eduardo de Sousa Nunes, da Gerência de Desenvolvimento Cooperativo do Sescoop/PR.

PRC 100 - No lançamento do Programa, o superintendente do Sescoop/PR, Leonardo Boesche, explicou a origem dessa ação. “Para nós, é uma alegria muito grande estar lançando esse programa que nada mais é do que fruto do nosso planejamento estratégico, o PRC 100 – Plano Paraná Cooperativo, implantado em 2015 e onde havia diversas propostas ligadas à inovação. Sabemos que muitas cooperativas já estão trabalhando com inovação, já têm os seus comitês formados internamente para atuar nessa área, mas o grande objetivo que temos é preparar as pessoas e tentar introduzir uma metodologia de trabalho, para que todas as cooperativas possam trabalhar com esse tema que, na nossa opinião, é extremamente importante para o momento que estamos vivendo”, disse Boesche.

Etapas - O presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, lembrou que a inovação é um processo que envolve várias etapas. “As empresas somente são reconhecidas pelo público quando produzem algo original e de valor. E, para atingir esse objetivo, é preciso inovar e ter criatividade. Mas para você ser criativo, é necessário ter acesso à informação, da melhor qualidade possível. A informação nos permite criar, ter ideias, despertar para o novo. E, unindo a criatividade de todos, nós inovamos e, dessa forma, chegaremos à originalidade e, assim, alcançaremos o sucesso”, afirmou. Ele disse ainda que a entidade está estimulando os colaboradores a desenvolver projetos inovadores. “Temos um prêmio anual que normalmente era dado aos funcionários a partir do resultado de uma pesquisa de satisfação, feita para verificar como as cooperativas estavam avaliando o nosso trabalho e isso valia 5% do salário. Esse ano nós realizamos uma modificação. Para ter direito aos 5% de gratificação, é preciso apresentar um projeto de inovação que deve ser aprovado por uma comissão antes de ser implantado. O que queremos com isso? Despertar aquele sentimento de inovação que todo mundo tem e, às vezes, fica meio escondido”, frisou. Ainda de acordo com Ricken, serão criados comitês de inovação por região para acompanhar as atividades do Programa recém-lançado.

Palestra - Segundo o especialista no assunto, Ari Piovezani, um levantamento realizado pela IBM mostra que os funcionários são as pessoas com maior potencial para promover a inovação no ambiente de trabalho. Ele ministrou uma palestra durante o lançamento do Programa de inovação das cooperativas paranaenses, nesta segunda-feira, com o tema “Redescobrindo pessoas, inovando empresas”. “Conforme a estatística da IBM, as empresas demoram e continuam demorando a descobrir que estão sobre uma mina de ouro, que são os seus colaboradores. A pesquisa mostra que os colaboradores são as pessoas que mais inovam dentro da lista de possíveis inovadores, como academias, centros de pesquisas e desenvolvimento e clientes. Então, toda linha de trabalho minha recomenda que se mergulhe nesse aspecto da empresa e, lá na frente, havendo necessidade e humidade de reconhecimento de que não foi possível resolver nossas questões usando toda as nossas capacidades, procurar uma ajuda no open inovation, inovação aberta”, disse.

Processo -  Ainda de acordo com ele, também é necessário que as empresas criem um ambiente favorável ao despertamento do potencial inovador dos funcionários. “É todo um processo que demanda uma metodologia de aplicação, onde são feitos os diagnósticos das pessoas. Inicialmente nós trabalhamos com uma ‘tropa de elite’, ou seja, todos são convidados a participar e vamos vendo que algumas pessoas ainda não estão integradas nessa ‘tropa de elite’. Elas não vão deixar de participar, mas terão que ser trabalhadas à parte, porque não superaram alguns aspectos da personalidade e da individualidade. É um processo de desenvolvimento pessoal feito com esse grupo até o ponto que eles rodem sozinhos e tenham descoberto o caminho para acessar o tal do andar de cima que eu prego na minha metodologia”, explicou. Nesse sentido, ele considera que o Programa das cooperativas do Paraná está no caminho certo. “É um programa bastante rico, que está sendo coordenado por pessoas competentes nessa área e não tenho dúvidas de que ele vai nessa linha. Há um paralelismo de coisas comuns nas duas metodologias”, disse.

Autoconhecimento - Piovezani também destacou a importância do autoconhecimento como um importante fator para quem quer inovar. “Eu recomendo que as pessoas procurem se descobrir, abraçar aquilo que a sua individualidade chama, pede, clama, implora, porque, senão, elas vão passar as suas vidas de uma maneira não inovadora, de modo comum, sem nada de novo e vai ser um desperdício de vida”, salientou.

Começo, meio e fim - Ele encerrou sua palestra com a música “Começo, meio e fim”, composta por Tavito, Ney Azambuja e Paulo Sérgio Valle. “O meu recado todo para vocês está nesta letra”, finalizou. Clique aqui para conferi-la.

 

 

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