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MERCADO: BC acalma câmbio, mas dólar mantém espaço para novas altas

 

mercado 22 05 2018No primeiro dia da atuação reforçada no câmbio, o Banco Central conseguiu conter a escalada do dólar com a venda de swaps cambiais. Em meio a um cenário externo bem mais ameno do que nos últimos dias, a moeda americana sofreu a maior queda em três meses.

 

Dúvidas - O quanto esse alívio vai durar ainda é alvo de dúvidas. A desvalorização do dólar nesta segunda-feira (21/05) também pode ser atribuída a uma dose de "sorte" do BC, cujas atuações ocorreram num dia de dólar em baixa em relação a várias divisas emergentes.

 

Fechamento - No fechamento desta segunda, o dólar caiu 1,40%, a R$ 3,6886, maior desvalorização diária desde 14 de fevereiro passado (2,31%). É a primeira queda após seis pregões consecutivos de alta, nos quais a cotação saltou 5,49%.

 

Espaço - Mas, num cenário de alguns meses, o espaço de mais altas da moeda americana se mantém, uma vez que lá fora houve apenas um desmonte parcial de apostas de baixa na moeda americana. Isso entra na conta dos fundamentos, já que o mercado global está no meio de um processo de redução de liquidez, derivado sobretudo das altas de juros nos Estados Unidos.

 

Posição técnica - Aqui, a posição técnica do mercado segue distante de níveis extremos, o que quer dizer que, na prática, investidores estão bem menos comprados em dólar do que parecem. E isso deixa espaço para montagem de novas posições a favor da moeda americana, ainda mais considerando que a incerteza política no Brasil ainda não está incorporada de forma substancial nos preços.

 

Fundos de investimento - Fundos de investimento, por exemplo, ainda carregam posições líquidas vendidas em dólares na B3 na casa de US$ 10 bilhões. Esse valor considera contratos de dólar futuro e cupom cambial (juro em dólar). Mesmo quando se incluem na conta os contratos de swap cambial, esse grupo de investidores ainda detém cerca de US$ 2 bilhões em posições que ganham com a queda do dólar.

 

Valorização - Também na bolsa, os estrangeiros sustentam US$ 25 bilhões em apostas de valorização do dólar. Mas esse estoque já chegou perto de US$ 40 bilhões em 2015. Naquela época, o diferencial de juros a favor do Brasil estava em dois dígitos.

 

Spread - Hoje, esse spread está abaixo de 5 pontos percentuais. Ou seja, mais um estímulo à compra de dólar. Mas analistas ressaltam a importância do movimento do BC - não apenas o aumento das ofertas de swaps, mas também (e principalmente) a indicação clara de que poderá colocar mais dólares no mercado, se necessário. Isso foi visto como forma de preservar as chances de um "efeito surpresa" na atuação, o que, ao longo da semana passada, foi bastante defendido pelos participantes do mercado de câmbio.

 

Reforço - Para Ilya Gofshteyn, estrategista do banco Standard Chartered em Nova York, o recado do BC reforça cenários de posições favoráveis ao real, num pano de fundo em que divisas emergentes de forma geral parecem mais fracas que o justificado pelos fundamentos.

 

Oferta - Nesta terça-feira (22/05), o Banco Central ofertará mais 15 mil contratos de swap cambial - ou seja, US$ 750 milhões de dinheiro "novo" no mercado. E também manterá o leilão de 4.225 contratos de swap em operação de rolagem do vencimento junho.

 

Lote - O lote de swaps a vencer em junho soma US$ 5,65 bilhões. O volume total no mercado já está em US$ 25,798 bilhões, US$ 2 bilhões a mais do que no começo do mês. O aumento do estoque é resultado dos cinco leilões de 5 mil contratos "novos" de swap cambial realizados na semana passada e da colocação de 15 mil feita ontem. A expectativa é que, até o fim do mês, o BC coloque um total de US$ 6,5 bilhões em dinheiro "novo" no mercado de câmbio. Com isso, o estoque de swaps cambiais irá para US$ 30,298 bilhões, maior patamar desde 19 de outubro de 2016 (US$ 30,317 bilhões).

 

Movimentações - "O BC mostrou ao mercado que está atento às movimentações do câmbio", diz Carlos Pedroso, economista sênior do Banco MUFG Brasil. Segundo ele, a entrevista do ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, também ajudou a acalmar os ânimos, uma vez que nela o ministro afirmou que também o Tesouro Nacional pode atuar para amenizar a volatilidade no mercado de juros. "Isso mostra que o governo está atuando em conjunto para seus objetivos", afirma.

 

Projeção - O economista, porém, não espera que o dólar volte a patamares em torno de "R$ 3,20 ou R$ 3,30". "Estamos confortáveis com a projeção de R$ 3,40 para o fim do ano, mas até lá a volatilidade será grande e a moeda poderá subir mais", diz Pedroso. (Valor Econômico)

 

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