cabecalho informe

VAREJO: Vendas frustradas em julho e incertezas podem minar 3º trimestre

varejo 14 09 2018Passados os efeitos da greve dos caminhoneiros, as vendas do varejo brasileiro continuaram pressionadas em julho pela incerteza dos consumidores com a economia e a política. E devem seguir assim nos próximos meses, com a lenta recuperação do mercado de trabalho e a indefinição eleitoral, segundo analistas.

Restrito - Conforme divulgado nesta quinta-feira (13/09) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas do varejo restrito - que exclui comércio de automóveis e material de construção - recuaram 0,5% em julho, na comparação com junho, pior do que o esperado pela média do mercado, de alta de 0,2%. Foi o terceiro mês seguido de baixa, período em que acumulou queda de 3,2%.

Resultados negativos - De junho para julho, os destaques negativos do varejo foram as vendas de móveis e eletrodomésticos (-4,8%) e produtos de uso pessoal e doméstico (-2,5%). São atividades que cresceram em junho, embaladas pela venda de televisores para a Copa do Mundo e que, portanto, teriam sofrido com o fim do evento. Mas não foi só.

Crédito - Segundo Fabio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), as atividades que mais dependem de crédito foram exatamente as mais afetadas de julho. Ele citou também a queda de 2,7% de material para escritório, informática e comunicação na passagem de junho para julho pela pesquisa do IBGE.

Aversão - "Outros segmentos que dependem do crédito também micaram, capturando a maior aversão do consumidor ao momento. Dólar sobe, taxa de desemprego recua lentamente. Os juros ao consumidor até recuaram, mas o cenário eleitoral complica o segundo semestre. Todo ano eleitoral é assim", disse o economista.

Hiper e supermercados - As vendas de hiper e supermercados até cresceram 1,7% em julho, recuperando parte das perdas do mês anterior (-3,6%), quando foram afetadas pela greve dos caminhoneiros. O resultado compensou, no entanto, apenas uma parte das quedas das outras atividades ao longo do mês.

Perda de ritmo - Segundo Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, o varejo perdeu ritmo de recuperação por qualquer base de comparação. Frente a julho do ano passado, o varejo restrito recuou 1%, a primeira queda em 15 meses. A média móvel trimestral intensificou a queda de junho (-0,2%) para julho (-0,8%).

Percepção - "Essa perda de ritmo é evidente quando se entende que os estoques foram normalizados [após a o fim da greve], mas a percepção de consumidores vem se deteriorando, com índices baixos de confiança. É uma percepção de recuperação lenta. Consumidores estão cautelosos nos seus gastos", reforçou a técnica.

Indicadores coincidentes - Segundo parte dos analistas consultados, indicadores coincidentes disponíveis - como sondagens do comércio e do consumidor, índice do varejo do Serasa, consultas ao SCPC - apontam a quarta queda seguida das vendas para agosto. A MCM Consultores prevê recuo de 0,8% do varejo restrito; o Itaú estima baixa de 0,1%.

Sinais mais claros - Para a MCM, a reversão dessa perda de fôlego do varejo depende de sinais mais claros de retomada do emprego e do arrefecimento da incerteza política. "Dois meses após a greve, as vendas sinalizam um ritmo de recuperação errático e lento, muito aquém daquele que prevalecia no início do segundo trimestre", avaliou Sarah Bretones, analista da MCM.

Geração de empregos - Para o banco MUFG, a melhora do ritmo depende da geração de empregos com carteira assinada, o que estaria ligado ao resultado das eleições.

Crescimento - Menos pessimista, a consultoria Tendências, o varejo restrito deve ter pequeno crescimento em agosto, apoiado na liberação de recursos do PIS/Pasep, iniciada no dia 4 do mês, e por menor base de comparação, após três meses consecutivos de queda do setor, período em que acumulou baixa de 2,3%.

Gradual - "O ritmo seguirá bem gradual, nada animador. Assim, o varejo deve fechar o ano com um crescimento de 2,5% tanto pelo conceito restrito quanto pelo conceito ampliado, que inclui as vendas de automóveis e materiais", disse Isabela Tavares, analista da Tendências Consultoria, que ainda não chegou a um número para agosto.

Ampliado - Pelo varejo ampliado, que inclui o comércio de automóveis e material de construção - atividades também influenciadas pelo desempenho do atacado -, as vendas recuaram 0,4% em julho, frente ao mês anterior. Para esse recorte do comércio, porém, as previsões são positivas: o Itaú prevê alta de 1,6% em agosto, e a MCM, de 4,4%.

Veículos - Neste caso, o cenário está baseado no desempenho das vendas de veículos. De acordo com o balanço da Fenabrave, 248.638 veículos foram vendidos em agosto (incluindo na conta automóveis, ônibus e caminhões), 14,3% acima do verificado no mês anterior (217.486). Em relação ao mesmo mês do ano passado, a alta foi de 14,8%. (Valor Econômico)

 

Submit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to LinkedIn

Últimas Notícias