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BANCO CENTRAL: Indicação de Campos Neto ao BC agrada mercado

 

bc 16 11 2018O economista Roberto Campos Neto, do Santander, foi indicado nesta quinta-feira (15/11) como futuro presidente do Banco Central (BC) do governo de Jair Bolsonaro. E o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, permanecerá na função.

 

Receptividade - Entre profissionais do mercado financeiro, a escolha de Campos Neto foi bem recebida - ex-BCs também elogiaram a indicação. A manutenção de Mansueto também é bem-vista: significa a continuação do trabalho de aprovação da reforma da Previdência e outras mudanças na política fiscal, para reversão do déficit primário.

 

Autonomia - Campos Neto poderá ser o primeiro presidente de um BC independente, caso se confirme a intenção do atual chefe da autoridade monetária, Ilan Goldfajn, de aprovar no Congresso a lei que confere autonomia à instituição. O BC autônomo nasceu no fim de 1964, quando Roberto Campos, avô do presidente indicado, era ministro do Planejamento. Mas essa foi uma ideia de curta duração.

 

Perfil - "Ele é visto como alguém competente. Tem perfil diferente do Ilan, sendo um profissional mais de mercado, mas deve ser um nome bem recebido pelos investidores", diz Gustavo Loyola, sócio da Tendências Consultoria e ex-presidente da autoridade monetária.

 

Escolha acertada - Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do BC e sócio da Mauá Sekular, afirma que a escolha de Campos Neto foi acertada. "Ele é muito bem preparado tanto do ponto de vista acadêmico, com experiência no exterior, como de mercado." Segundo Figueiredo, Campos Neto é conhecido por ser um profissional que sabe formar equipe. Ele disse esperar que parte dos atuais diretores do BC seja mantida.

 

Confirmação - As indicações de Campos Neto e Mansueto foram confirmadas nesta quarta em nota pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. O indicado ao BC precisará passar ainda por uma sabatina no Senado para ser confirmado. Ele foi escolhido por Guedes depois da recusa de Ilan, que alegou motivos pessoais para não permanecer no posto. Ele afirmou em nota que ficará no cargo até a apreciação do sucessor pelos senadores.

 

Apoio - No comunicado, Ilan manifestou apoio a um projeto de autonomia do Banco Central, que tramita na Câmara dos Deputados. E afirmou que "continuará trabalhando junto com os parlamentares para aprovar o texto ainda em 2018".

 

Aprovação - "A eventual aprovação da lei, com mandatos fixos e intercalados dos membros da sua diretoria (presidente e diretores), permitirá um futuro no qual as transições do BC e do governo ocorram em momentos distintos, com conhecidos benefícios para a economia", disse. "A atual gestão do BC tem se empenhado na aprovação da lei de autonomia com mandatos de tempo fixos, mas sempre com o intuito de valer para a próxima diretoria."

 

Sinalizações - Na nota, Ilan ressalta ainda "sinalizações recentes sobre política econômica feitas pela futura administração federal e as importantes indicações a cargos públicos na área, que visam o crescimento, com inflação baixa e estável". Ele afirmou que "adotará todas as providências para garantir a melhor transição no comando da autoridade monetária e, atendendo a pedido do novo governo, permanecerá no cargo até que o Senado aprecie o nome de Roberto Campos Neto, nos próximos meses".

 

Diretoria - "A atual Diretoria Colegiada, com membros oriundos do setor privado e servidores de carreira, permanecerá à disposição do novo presidente do BC, contribuindo para a continuidade e a normalidade dessa transição." Ilan classificou Campos Neto como "profissional experiente e reconhecido, com ampla visão sobre o sistema financeiro e a economia nacional e internacional" e disse que "conta com seu apoio e confiança no futuro trabalho à frente do BC".

 

Formação - Campos Neto tem 49 anos e possui especialização em Economia com ênfase em Finanças pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Trabalhou no antigo banco Bozano, Simonsen de 1996 a 1999 e está desde 2005 no Santander Brasil.

 

Cargo - Atualmente é o diretor responsável pela tesouraria da instituição. Próximo de Guedes, o economista tem frequentado reuniões da transição e também participou da campanha, elaborando planos de governo. Seu avô foi ministro do Planejamento durante o governo militar do general Castelo Branco (1964-1967).

 

Conhecimento - O presidente do Santander, Sérgio Rial, elogiou a formação do futuro presidente do BC, a quem atribuiu um "sólido conhecimento" na área econômica. "Roberto Campos Neto é um profissional com sólida formação e profundo conhecimento da área econômica. Desejamos a ele muito êxito no desempenho de sua nova função, tão importante para o desenvolvimento do país", disse Rial, em nota.

 

Continuidade - André Esteves, sócio-fundador do BTG Pactual, disse que vê uma indicação de continuidade na administração da autoridade monetária. "Campos Neto é experiente e reúne todas as condições de continuar o ótimo trabalho que vem sendo realizado no BC ao longo dos últimos anos."

 

Alinhamento - Figueiredo, da Mauá, destaca a importância do alinhamento entre o BC e a Fazenda para a eficácia da política monetária. Assim, diz, a continuidade de Mansueto tende a trazer uma complementariedade ao BC, reforçando o ajuste fiscal. Por seu perfil, visto como mais liberal, analistas de mercado dizem esperar que Campos Neto mantenha uma condução mais "hawkish" (inclinada ao aperto) da política monetária. "Na margem, a nomeação de Campos Neto aumenta a chance de um aumento da taxa de juros em sua primeira reunião [no início de fevereiro] para estabelecer credenciais ortodoxas", afirma a Capital Economics em relatório.

 

Condução - Para Gustavo Loyola, a condução da política monetária vai depender do perfil da nova diretoria do BC. O ideal, segundo ele, é que o ela seja diversificada, integrando diretores com carreira mais acadêmica com profissionais com perfil mais de mercado. "Seria interessante que houvesse a manutenção de alguns diretores, mas essa é uma questão que ainda precisa ser definida", diz. (Valor Econômico)

 

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