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INTERNACIONAL: Da apreensão ao alívio, Fed impulsiona ativos locais

 

internacional 29 11 2018A apreensão que os investidores demonstravam com a cena externa teve um alívio nesta quarta-feira (28/11). A sinalização do Federal Reserve (Fed, o BC americano) de que o processo de alta de juros pode ser mais brando que o esperado impulsionou o real e a bolsa local, enquanto os juros futuros se firmaram em baixa num claro movimento de redução do prêmio de risco.

 

Motivo - O principal motivo do alívio foi o tom mais ameno adotado nesta quarta pelo presidente do Fed, Jerome Powell, sobre o caminho dos juros americanos. Para Powell, as taxas ainda estão baixas em relação à média histórica e permanecem aquém do ponto neutro da economia.

 

Ibovespa - Tão logo o presidente do Fed terminou de falar, na tarde desta quarta, o Ibovespa ficou bem perto de bater a máxima histórica. O Ibovespa subiu 1,55%, aos 89.251 pontos, depois de alcançar os 89.483 pontos. No fim das contas, faltaram pouco mais de 300 pontos para o índice bater o recorde de fechamento anterior, de 89.598 pontos, registrado em 5 de novembro.

 

Fluxo forte - O movimento também veio acompanhado de fluxo forte, que superou os R$ 13 bilhões. A maioria das "blue chips" da bolsa subiu, caso dos bancos e da Vale. O salto de ontem na bolsa foi tão significativo que, em novembro, o Ibovespa já acumula alta de 2,09%.

 

Mercado - "O mercado entende que o Fed deve parar de subir juros quando chegar no patamar neutro, que está próximo. Esse seria um cenário otimista", afirma Marcos de Callis, estrategista de investimento da asset do Banco Votorantim. Em suma, quanto menor o juro americano, maior a atividade dos ativos de risco.

 

Queda - O dólar abandonou uma relativa estabilidade e passou a cair contra a moeda brasileira. A cotação chegou no fim do dia em baixa de 0,90%, aos R$ 3,8418, depois recuar até a mínima de R$ 3,8323, garantindo o lugar do real entre um dos melhores desempenhos globais da sessão.

 

Mundo - Uma alta de juros mais suave nos Estados Unidos também influencia as taxas ao redor de todo o mundo. Um bom indicador desse movimento, o DI janeiro de 2021 caiu para 7,87% nas mínimas do dia, para fechar em 7,93% na B3, ante 7,96% na véspera.

 

Obstáculos - No entanto, o bom humor tende a enfrentar alguns obstáculos. O comportamento dos ativos locais ainda é muito dependente dos desdobramentos da guerra comercial entre Estados Unidos e China e da situação das commodities. "O real vai reagir bastante aos eventos domésticos a partir de janeiro de 2019, quando ficará mais clara qual a probabilidade do governo emplacar a reforma da Previdência e o programa de privatização", afirma Solange Srour, economista-chefe da ARX Investimentos.

 

Incentivo - Para Fernando Barroso, diretor da CM Capital Markets, a sinalização de Powell pode incentivar o fluxo global e a negociação dos investidores estrangeiros - que estão pouco alocados no momento em ativos emergentes e já retiraram cerca de R$ 10 bilhões da bolsa no ano. Mas isso não muda, para ele, o enfoque do mercado na resolução dos problemas fiscais do Brasil, que ainda expõem a fragilidade do país perante o mundo.

 

Interesse - "O Fed está tirando a volatilidade do mercado porque não tem interesse em uma queda brusca das bolsas globais, mas isso não muda a estratégia dos bancos centrais [de países desenvolvidos] quanto ao fim dos ciclos expansionistas", diz Barroso. "Se o Brasil não corrigir o rumo fiscal, teremos problemas porque não vamos conseguir atrair capital estrangeiro perene."

 

BC - Sinal de que a liquidez está fraca neste fim de ano, o Banco Central do Brasil faz hoje mais uma rodada dos chamados leilões de linha, aqueles de venda de dólares com compromisso de recompra. Após "emprestar" o total de US$ 3 bilhões nos últimos dois dias, a oferta desta vez é de até US$ 1,25 bilhão. Entretanto, a operação agora serve para rolagem de uma linha que venceria no começo de dezembro - em vez de oferta de recursos novos, como ocorreu nas outras vezes.

 

Rolagem - Também existe a expectativa de que o BC sinalize em breve o início da rolagem de US$ 10,3 bilhões em swaps cambiais que vencem em janeiro. Com essas operações, o BC evita a saída de recursos no mercado.

 

Desafiador - Vale dizer ainda que o cenário para emergentes é desafiador, mesmo com o sinal animador do Fed para os juros. De Callis, do Votorantim, salienta ainda que, por trás da indicação de Powell, tem a mensagem de que ele está preocupado com a atividade econômica no ano que vem. "De certa forma, ele acusa que o cenário de crescimento talvez não seja tão robusto como estava imaginando", diz. "É um sinal de que está preocupado com os impactos da guerra comercial."

 

Eventos de curto prazo

- Por isso, alguns eventos de curto prazo também ganham relevância, a exemplo da reunião do G-20 neste fim de semana quando os líderes das maiores economias do mundo devem abordar políticas protecionistas. "Apesar de ter afetado bem os mercados, o Fed era mais previsível, mas Trump é muito imprevisível", resume Solange. (Valor Econômico)

 

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