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ENERGIA ELÉTRICA I: Presidente da Copel recebe propostas das cooperativas paranaenses

Durante evento realizado no estande da Itaipu, no Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR), no final da tarde desta quinta-feira (07/02), o presidente da Copel, Daniel Pimentel Slaviero, recebeu do presidente da Copagril e diretor da Ocepar, Ricardo Chapla, um ofício com várias propostas para contribuir com a melhoria na rede de distribuição de energia elétrica e solucionar os diversos entraves enfrentados pelo setor produtivo. Participaram ainda da entrega do documento, os presidentes das cooperativas, Lar, Irineo da Costa Rodrigues, Copacol, Valter Pitol, Frimesa, Valter Vanzella, Primato, Ilmo Welter, C.Vale, Alfredo Lang, e o diretor executivo da Frimesa, Elias Zydek, que é vice-presidente do Programa Oeste em Desenvolvimento.

Entraves - No documento assinado pelo presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken e entregue ao presidente da Copel, são colocados alguns dos principais entraves que as cooperativas enfretam:

1. Falta de investimento na expansão e modernização das redes. Ainda hoje existem linhas de distribuição monofásicas que não comportam a demanda nas propriedades rurais, devido ao aumento de tecnologia nas atividades pecuárias e a presença de pequenas agroindústrias.

2. Linhas de transmissão. Ainda são muitas as linhas de transmissão com 69 kv. Essa tensão não suporta a carga atual do sistema, sendo necessária a construção de novas linhas com tensão de, ao menos, 138 kv. Como exemplo, de Campo Mourão a Palotina passando por Goioerê - Assis Chateaubriand – Toledo.

3. Afundamentos e oscilação de tensão. Os constantes afundamentos de energia têm resultado em perda de equipamentos, elevados gastos com geradores à diesel e tempo ocioso de desligamento e religamento das máquinas nas indústrias. As oscilações que ocorrem nas propriedades rurais muitas vezes danificam os geradores e põem em risco lotes inteiros de suínos e frangos, trazendo prejuízo ao produtor, ao integrador, ao meio ambiente, devido à necessidade de dar uma destinação adequada às carcaças e, por fim, à população em geral.

4. Manutenção das redes. A demora na realização de manutenção e reparos das redes de distribuição e transmissão, sobretudo nas áreas rurais, ocasiona diversas perdas ao setor produtivo, também expondo lotes inteiros ao risco.

Propostas - As cooperativas apresentaram cinco principais propostas à Copel:

1. Instalar novas linhas de transmissão, troca de cabos e transformadores.

2. Revisar o modelo de manutenção do sistema pela Copel.

3. Criar programa de parcerias para geração de energias renováveis, explorando potenciais de geração em Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), parques eólicos, centrais de geração fotovoltaica, biomassa e biodigestores.

4. Incentivar a geração distribuída para aumentar a oferta de energia junto à carga, melhorando a qualidade da energia oferecida.

Decreto Federal - Outro assunto que preocupa os dirigentes cooperativistas é relacionado ao Decreto 9.642, assinado pelo presidente Michel Temer, no dia 28 de dezembro de 2018, que retira gradualmente os subsídios na energia elétrica para os agricultores. Segundo o presidente da Lar, Irineo da Costa Rodrigues "o decreto prevê prazo de cinco anos para que os benefícios do setor elétrico deixarão de existir. Sem este desconto será a falência dos produtores e cooperativas". O secretário estadual da Agricultura, Norberto Ortigara, que também participou da reunião com a diretoria da Copel, afirmou que o setor precisa se mobilizar para reverter os reflexos nefastos deste decreto presidencial.

Alimentos - "Num curto prazo de tempo os custos para produção irão aumentar em 20% trazendo reflexos também nos preços dos alimentos", lembrou. A medida adotada, além de impactar diretamente produtores de aves e suínos, prevê ainda a eliminação de descontos tarifários acumulados concedidos a irrigação e aquicultura, que permitia que um mesmo consumidor tivesse acesso aos dois subsídios ao mesmo tempo. Desta forma, a atividade de irrigação no horário entre 21h30 e 06h00 da manhã passa a ter desconto sobre a tarifa B1 que é a mesma tarifa usada para calcular o desconto para os consumidores rurais. Antes do decreto de Temer, os produtores tinham um desconto aproximado de R$ 150,00 a cada 1000 kWh consumidos. Se levarmos em consideração que uma pequena propriedade tenha este consumo mensal (1000 kWh), em 12 meses a conta de energia aumentará cerca de R$ 1,8 mil, despesa extra que sairá do bolso dos produtores.

Avaliação positiva - Ao final, o presidente da Copel avaliou positivamente o evento. “Esse encontro foi muito produtivo porque nós nos reunimos com as lideranças do Oeste e Sudoeste, representantes da Ocepar e de algumas das principais e maiores cooperativas do nosso Estado. Eles mostraram a angústia que têm em relação à necessidade do fornecimento de uma energia de qualidade e estável, apontaram os pontos críticos e como isso está afetando os investimentos. Dessa forma, nós apresentamos o nosso planejamento estratégico. Em 2019, faremos o maior investimento da nossa história em distribuição. Serão R$ 835 milhões, grande parte desse valor no Oeste e Sudoeste, e nós sabemos que temos espaço para melhorar e do papel que temos para contribuir com o desenvolvimento dessas regiões”, afirmou Slavieiro.

Decreto - Em relação ao Decreto 9.642, do governo federal, ele disse que a situação é preocupante e apoia a mobilização do setor. “Esse é um assunto que nós já estávamos cientes e nos preocupa muito mas hoje, pelo depoimento da Ocepar, nós vimos o tamanho do impacto que isso trará para as cooperativas e, em especial para o pequeno produtor, que terá sua conta aumentada, em média, em 42%. É um assunto que não está na esfera da Copel, nem do governo estadual, mas na esfera federal. Então, iremos juntos com outros estados ponderar isso com o presidente Bolsonaro e com a Casa Civil, para mostrar os impactos que isso trará. Isso não faz bem para a economia do Paraná e, certamente, não fará bem para os outros estados em que a produção agrícola é tão forte e pujante e tão representativa no PIB”, acrescentou.

Clique aqui para conferir na íntegra o documento entregue pelas cooperativas ao presidente da Copel 

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