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ALGODÃO: Ampliação da oferta tende a restringir a bonança da cultura

algodao 18 02 2019O período de bonança vivido pelos produtores de algodão mundo afora está ameaçado pelo crescimento da oferta previsto para a temporada internacional 2019/20. A mais recente sinalização nesse sentido veio na semana passada, quando o Conselho Nacional do Algodão (NCC, na sigla em inglês) divulgou projeção de aumento de área de 3% nos Estados Unidos, para 5,8 milhões de hectares.

Cotações - Considerado um aumento expressivo para os padrões americanos, a notícia pressionou as cotações na bolsa de Nova York, que caíram para o menor patamar em 14 meses. A tendência é que o cenário seja reforçado pela Austrália, que deverá ser o quarto maior país exportador no ciclo 2018/19 e onde também é esperado um aumento do plantio e recuperação de participação no mercado global.

Alta - Nos últimos três anos, os contratos de segunda posição de entrega do algodão acumularam alta de cerca de 22% em Nova York, passando de um patamar inferior a 59 centavos de dólar a libra-peso para quase 72 centavos de dólar. Esse salto estimulou a elevação da produção mundial. O Brasil não ficou de fora dessa barca e a área plantada no país passou de 940 mil hectares, em 2016/17, para 1,5 milhão em 2018/19, segundo estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Adversidades - No ciclo 2017/18, os produtores brasileiros foram beneficiados por adversidades que prejudicaram outros países. Nos EUA, a produção sofreu quebras e perdas de qualidade em decorrência do furacão Michael. Na Austrália, onde a produção é irrigada, a falta de água provocou uma redução de área de 43%, e a queda da produção foi estimada em 45%, para 566 mil toneladas, segundo o USDA. Na Índia, problemas com patentes fizeram a produção cair 7%, para 5,9 milhões de toneladas.

Colheita - Animados, os cotonicultores brasileiros deverão colher em 2018/19 um volume quase 25% maior, de aproximadamente 2,5 milhões de toneladas.

Ventos não tão favoráveis - As primeiras perspectivas apontam que os ventos não serão tão favoráveis na safra 2019/20, já que o aumento de área no mundo deverá pressionar as cotações, apesar do incremento da demanda mundial. Jack Scoville, analista da consultoria Price Futures Group, projeta que as cotações ficarão em torno de 65 centavos de dólar a libra-peso, o que representaria uma queda de quase 10% em relação a sexta-feira.

Austrália - “A tendência é que a Austrália volte a elevar sua produção para algo em torno de 800 mil toneladas”, avaliou Gabriela Fontanari, analista da consultoria americana INTL FCStone. Já o diretor do Comitê Internacional do Algodão (ICAC, na sigla em inglês), Andrei Guitchonts, acredita que as secas deverão continuar a limitar o avanço da área australiana.

Déficit - De todo modo, as estimativas para 2018/19 ainda apontam para um déficit de 5,5 milhões de toneladas de algodão na relação entre consumo e produção, e a perspectiva é que a China diminua sua área de cultivo, enquanto países como Turquia, Indonésia e Vietnã tendem a ampliar suas compras da commodity. “Temos de lembrar que várias fábricas de tecidos sintéticos estão sendo fechadas na China”, disse Gabriela Fontanari, ressaltando que a demanda pela fibra natural deverá se manter aquecida.

Fundamentos - Paralelamente aos fundamentos de oferta e demanda, a guerra comercial entre China e Estados Unidos, que dá sinais de que poderá arrefecer, continua a ser um pano de fundo das negociações em Nova York. Guitchonts, do ICAC, lembrou que parte da queda acumulada desde julho do ano passado, de quase 16% segundo cálculos do Valor Data, decorre da disputa entre os dois gigantes do comércio global. Caso Washington e Pequim entrem em acordo, pelo menos esse fator de pressão deixará de existir.

Recuperação - “Eu acredito em um acordo e na recuperação dos preços para patamares de 80 centavos de dólar por libra-peso, ou mais, até o fim da safra 2018/19”, afirmou. De acordo com John Pestell, trader na Índia, os preços ainda podem cair até o patamar de 60 centavos de dólar e, depois, se recuperar para um patamar entre 74 e 77 centavos de dólar a libra-peso.

Queda - Victor Ikeda, analista do banco holandês Rabobank no Brasil, avalia que os preços podem cair para 69,78 centavos a librapeso até o fim desta safra, considerando as quedas acentuadas no petróleo, matéria-prima para a produção do tecido sintético. Sem isso, disse, a tendência é de cotações acima de 70 centavos de dólar a libra-peso. (Valor Econômico)

 

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