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EUA: Fed indica que não haverá novos aumentos neste ano

 

Esta quarta-feira (20/03) foi um daqueles momentos que, no fim do ano, os analistas vão avaliar como um divisor de águas em 2019. Foi o dia em que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) mudou de maneira inesperada seu posicionamento.

 

Fim do ciclo - Segundo especialistas, a reunião pode ter marcado o fim do ciclo de aperto monetário iniciado em dezembro de 2015. O Fed entregou em sua reunião desta quarta bem mais do que analistas previam e adotou uma postura mais cautelosa e "dovish" - ou seja, inclinada à flexibilização da política monetária. Enquanto o consenso apontava para uma mudança na sinalização do Fed de duas para uma alta de juro neste ano, a revisão da mediana das projeções dos integrantes do BC na reunião desta quarta, conhecida como "dot plot", zerou as chances de elevações em 2019.

 

Sem precedentes - As estimativas dos membros da autoridade monetária deixaram a porta aberta para apenas mais uma subida de taxa entre 2020 e 2021. "Se os juros realmente permanecerem parados em 2019, provavelmente [a reunião de ontem] terá marcado o fim do ciclo de aperto", avalia Lydia Boussour, economista sênior para os EUA da Oxford Economics. Já o Bank of America Merrill Lynch (BofA) classificou o resultado da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) como "uma reviravolta 'dovish' sem precedentes".

 

Estável - O Fed manteve a taxa básica estável no intervalo entre 2,25% e 2,50% ao ano. Se deixar a meta dos Fed Funds inalterada era amplamente esperado, zerar a mediana de projeções em 2019, não. 

 

Outra surpresa - Em outra surpresa de perfil "dovish", o BC americano confirmou o fim do programa de enxugamento do balanço, que chegou a US$ 4,516 trilhões no fim das três rodadas de afrouxamento quantitativo ("QE") até 2015. Segundo o Fed, o ritmo vai começar a diminuir a partir de maio e o programa vai acabar no fim de setembro. A carteira de ativos deve chegar ao

ponto final ainda com um enorme volume, de cerca US$ 3,5 trilhões, conforme sinalizou o presidente do Fed, Jerome Powell, na coletiva de imprensa para explicar a decisão.

 

Valores atuais - O Fed atualmente permite que US$ 30 bilhões em Treasuries e US$ 20 bilhões em títulos hipotecários vençam a cada mês. A partir de maio, o volume cairá para US$ 15 bilhões no caso dos Treasuries. Nas hipotecas, conforme cheguem ao vencimento, o principal será reinvestido, abaixo do limite de US$ 20 bilhões, também em títulos do Tesouro dos EUA.

 

Leituras - Várias leituras foram feitas sobre a repentina mudança de posição do Fed. A questão que se coloca agora para investidores é: o BC estará vendo uma piora mais forte do que o antecipado da economia global? Ontem o comportamento do mercado refletiu essa desorientação. Após a decisão, as ações passaram a subir diante da perspectiva de manutenção dos estímulos.

 

Perdas - Mas, perto do fim da sessão, voltaram a registrar perdas. Os Treasuries, por sua vez, mantiveram forte demanda. Com o movimento de compra, os preços se elevaram e os "yields" (rendimentos) recuaram. O retorno do papel de dez anos do governo americano caiu ao menor nível em um ano.

 

Futuros - O movimento se refletiu nos futuros dos Fed Funds, usados para apostar nos rumos da política monetária americana. O mercado passou a precificar 39% de chances de que o BC dos EUA venha a cortar a taxa de juros já em 2019. Antes da decisão, a taxa estava em 23% e, um mês atrás, em 18%, segundo dados da CME.

 

Alerta - Powell alertou que os dados recentes realmente foram mais fracos e "menos favoráveis ao crescimento". Apesar disso, o presidente do Fed insistiu no tom otimista na coletiva, dizendo que as condições permanecem "favoráveis" e que há uma "perspectiva positiva". A impressão que ficou para o mercado é que o Fed ainda não sabe qual será seu próximo passo.

 

Lado mais positivo- Para Steven Blitz, economista-chefe da TS Lombard, "o Fed, como todos os bancos centrais, sempre vê o lado mais positivo, caso contrário já estaria cortando as taxas agora". Blitz diz que "todas as pausas são ilusões".

 

Questão - Na avaliação do economista da TS Lombard, "a questão é se a posição atual é estimulativa o suficiente para fazer ressurgir o crescimento [global], ajudada pelos estímulos chineses - ou dados mais fracos estão para surgir? Meu palpite é que dados mais fracos estão para vir". O especialista prevê, como próximo passo do Fed "um corte de taxas".

 

Sem necessidade - Na visão de Geraldine Sundstrom, chefe de estratégia para fundos de mercados emergentes da Pimco, o Fed pode até ter aumentado a cautela sobre o crescimento dos Estados Unidos, mas ainda não vê a economia americana precisando de corte de taxas. "O Fed não parece alarmado com a economia e com os dados que está vendo no momento."

 

Alteração dos planos - Lydia, da Oxford, ressalta ainda que, se a atividade econômica retomar a força no próximo trimestre, o BC poderá até alterar os planos e elevar a taxa de juros no fim do ano. "Nosso cenário base permanece o de que os ventos contrários atuais vão se dissipar gradualmente, enquanto a atividade doméstica nos EUA comece a ser retomada a partir do segundo trimestre", afirma. (Valor Econômico)

 

eua tabela 21 03 2019

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