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GESTÃO I: Programa vai apoiar cooperativas do PR a implantar o compliance

“Compliance não é uma moda, assim como outras que tivemos no passado e que, com o tempo, desapareceram. Compliance é uma forma de atuar e é o mercado que está solicitando isso”, afirmou o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, ao abrir o seminário de lançamento do Programa de Compliance do Cooperativismo Paranaense, uma iniciativa do Sistema Ocepar, que será executada por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop/PR), com apoio da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

Participantes - O evento, ocorrido na tarde desta segunda-feira (29/04), no auditório do Sistema Ocepar, em Curitiba, foi prestigiado por aproximadamente 125 pessoas, entre presidentes, dirigentes e gestores de cooperativas do Paraná, principalmente dos ramos agropecuário, crédito, saúde e trabalho. Também estiveram presentes profissionais da PUCPR.

Cooperativismo - Em seu pronunciamento, Ricken destacou a expressividade do cooperativismo na economia do Paraná e a necessidade do setor estar sempre se adequando às demandas de mercado para avançar. “Nós temos o nosso PRC100, o planejamento estratégico do cooperativismo paranaense, cuja meta financeira é chegar a R$ 100 bilhões. É um trabalho iniciado em 2015, quando as nossas cooperativas alcançaram R$ 50 bilhões de faturamento. Já completamos R$ 83,5 bilhões em 2018 e daqui a três anos, três anos e meio, no máximo, deveremos chegar aos R$ 100 bilhões. Não há nada desse tamanho no Paraná, individualmente organizado. O cooperativismo tem uma responsabilidade enorme com a sociedade paranaense. Mas nossa responsabilidade primeira é com o nosso público, os cooperados, hoje em número de 1,8 milhão de pessoas”, afirmou. “Somente as cooperativas agropecuárias, que respondem por mais de 80% do faturamento do cooperativismo do Paraná, estão chegando muito próximas a 60% do que o setor agropecuário produz do Estado. Obviamente que temos que abrir mercado, buscar mais alternativas. Hoje o cooperativismo está presente em mais de 120 países com os seus produtos, principalmente grãos, derivados e proteína animal. Esses mercados estão cada vez mais exigentes e nós, como cooperativas, temos que ter consciência disso”, acrescentou.

Complexidade - O presidente do Sistema Ocepar ressaltou também a complexidade de um Programa de Compliance. “Ou seja, vai dar muito trabalho executá-lo. Por isso, queremos implementá-lo com prudência e tranquilidade, absorvendo as experiências que já existem, observando as legislações pertinentes. Nós temos uma diferença em relação a outras empresas porque trabalhamos em forma de sistema. Nosso sistema cooperativista é organizado. Assim, vamos primeiro motivar as cooperativas para que elas adotem o programa e, segundo, vamos repassar as informações para que possamos começar um bom trabalho dessa natureza, de forma técnica e com responsabilidade”, frisou.

Amadurecimento - “Sabemos que a sociedade brasileira passa por transformações muito importantes e tenho absoluta certeza de que são transformações para melhor. É o amadurecimento da sociedade, da democracia e das nossas empresas. Nós acreditamos muito que o Brasil está indo para um novo ciclo de desenvolvimento. É nessa perspectiva que gostaríamos de iniciar este programa com todas as cooperativas”, completou. Ao final do evento, Ricken informou que o Programa de Compliance também deverá ser adotado pelo Sistema Ocepar e que o assunto será apresentado aos diretores da entidade na reunião que será realizada no dia 13 de maio.

Cultura - No evento de lançamento do Programa, o decano da Escola de Negócios da PUCPR, Bruno Henrique Rocha Fernandes, lembrou de um outro ponto importante dessa ação, que é o desenvolvimento da cultura do compliance. “O que queremos trabalhar nessa parceria com a Ocepar e Sescoop/PR é justamente como mapear e desenvolver processos efetivos mas, ao mesmo tempo, desenvolver a cultura de compliance em cada uma das cooperativas que aderirem ao programa. De fato, essa iniciativa tem duas grandes vertentes: a primeira, mapear processos, entender como fazer mais e melhor, sem burocratizar. Vamos fazer processos inteligentes. Agora, queremos trabalhar as pessoas pois não adianta ter processos maravilhosos e pessoas que não internalizaram, não apropriam e não transformam isso em sua realidade. Então, é um programa que envolve uma parte de capacitação, com conceitos fundamentais mas irá, principalmente, formar grupos em cada uma das cooperativas para que possamos construir coletivamente boas práticas de compliance. Construir, transmitir e ajudar na institucionalização dessas práticas”, afirmou.

Sebrae/PR - O superintendente do Sebrae/PR, Vítor Tioqueta, foi convidado pelo presidente do Sistema Ocepar para participar do lançamento do Programa de Compliance do Cooperativismo Paranaense e compartilhar a experiência da entidade em que atua. “Como disse o Ricken, compliance não é uma moda. É algo que está tendo que ser trabalhado nas empresas, não só no Brasil, mas no mundo todo. E compliance nada mais é do que ter conformidade em tudo o que que a empresa faz. Nós iniciamos a implantação do compliance no Sistema Sebrae em 2015. Começamos pelo Sebrae Nacional, em Brasília, já com o foco para levá-lo para todos os Sebraes do país. E aí cada estado começou a trabalhar de uma forma diferente. Foi necessário fazer algo para que todos atuassem como um sistema único. Foi quando começaram a ser tratados alguns pontos, principalmente o que chamamos de transações críticas, uma denominação muito utilizada no compliance, para que tivéssemos um entendimento igual em todo o Brasil. Iniciamos em 2015 com 51 transações críticas no sistema. Passamos para 2016 com 66 transações críticas e aí começamos a olhar tudo com antecedência sobre o que poderia ser feito para melhorar os processos”, explicou.

Código de ética - Em 2017 a soma de transações críticas chegou a 75, mas houve a implantação de algo muito importante, que foi o novo código de ética, afirmou o superintendente do Sebrae/PR. “Quase todos os estados já tinham seu código de ética, porém não eram padronizados. E havia ainda outros 10 a 15 estados que não tinham código de ética. Com isso, nós acabamos tendo um modelo único, igual para todo Brasil. Essa foi uma experiência muito positiva. No ano passado já reduzimos para 38 transações críticas, ou seja, aquelas que são realmente importantes acompanhar no dia a dia. Assim, fechamos 2018 com a implantação dos manuais, inclusive de compliance, a política de sindicância e cartilhas para disseminação do código de ética.”

Mudanças - No ano passado, contou Tioqueta, foram introduzidas outras mudanças importantes. “Especificamente no Sebrae/PR, nós criamos uma assessoria de compliance e sustentabilidade. É o único Sebrae do Brasil que tem essa unidade. Além disso, foi formado um Comitê de Compliance, que tem um ganho muito grande porque tem a participação de conselheiros, da diretoria e de colaboradores, ou seja, há representantes de todas as áreas, de todas as linhas de direção da empresa. E o Ricken é o presidente. Esse comitê coordena todas as ações e as acompanha.”

Colaboradores - Ainda de acordo com ele, todos os colaboradores foram envolvidos no processo e capacitados em compliance “entendendo claramente o que é isso”. “Porque a primeira questão que as pessoas levantam é a respeito da burocracia. Elas pensam: lá vem mais burocracia; lá vem mais controle. Eu vou ter que parar de trabalhar para fazer controle. É normal isso em todas as empresas. Mas quando você começa a analisar a situação da sua empresa e cria as transações críticas, você vê que pode promover melhorias e vai analisar os processos de outra forma, pois terá processos mais limpos, mais ágeis e priorizando de fato o que é mais importante.”

Sistema S - “Nós fazemos parte do Sistema S, em que tudo tem que ser normatizado e os órgãos de controle falam claramente isso. Você escreveu a norma, então terá que cumpri-la. Mas se você consegue ter uma norma e ela é mais simples, menos burocrática, você segue o que a conformidade pede e faz uma entrega melhor. O compliance é uma questão que está vindo e deverá ser adotada por todas as empresas. As micro e pequenas também terão que implantá-lo. Mas vale a pena. É bom, resolve os problemas e a gente tem tranquilidade desenvolver nossas atividades, sem burocracia”, finalizou o superintendente do Sebrae/PR.

Palestras - A programação de lançamento do Programa de Compliance do Cooperativismo Paranaense teve ainda a apresentação de duas palestras: “Governança e Compliance: novo paradigma no ambiente de negócios”, proferida pelo ex-ministro-chefe da Controladoria Geral da União e sócio da Warde Advogados, Valdir Simão, que colaborou com a regulamentação da Lei n° 12.846/13, conhecida como Lei Anticorrupção; e “Diálogo sobre Compliance: responsabilidades, desafios e perspectivas para as cooperativas”, com o professor da PUCPR, Jelson Oliveira.

 

Apresentação - Já o superintendente do Sescoop/PR, Leonardo Boesche, fez a apresentação do Programa de Compliance do Cooperativismo Paranaense, detalhando as etapas de sua implementação.

 

 

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