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RAMO CRÉDITO: Cooperativas ocupam espaços deixados pelos bancos

À medida que os bancos fecham agências por todo o País, o cooperativismo de crédito vai ocupando os espaços deixados por eles. De 2013 a março deste ano, o número de agências bancárias caiu de 22.918 para 20.784, segundo o Banco Central. A redução é de 9,3%. Já os PAs (pontos de atendimento) das cooperativas aumentaram de 5.092 para 6.421, ou seja 26%, no mesmo período.

Participação - Apesar desse crescimento, a participação do cooperativismo no mercado financeiro ainda é muito pequena: 5,7% no caso dos depósitos e 4,2%, nos créditos oferecidos. As mais de 900 cooperativas desse ramo têm 10,5 milhões de associados, que mantêm aproximadamente R$ 148 bilhões em depósitos, de acordo com o FGCoop, fundo garantidor do SNCC (Sistema Nacional de Crédito Cooperativo).

Presencial - O diretor-presidente da FNCC (Federação Nacional das Cooperativas de Crédito), Wanderson de Oliveira, afirma que os bancos fecham agências apostando no atendimento digital, ao passo que as cooperativas também investem em tecnologia, mas sem deixar de lado o atendimento presencial, uma das características do ramo. “As pessoas ainda gostam de sentar para conversar com o gerente, tirar dúvidas, discutir um investimento”, alega. Segundo ele, até os mais jovens, que preferem os aplicativos, querem atendimento personalizado e presencial em determinadas situações. “Têm necessidade de um contato físico com o gerente e, nos bancos, isso está cada vez mais difícil.”

Mão-de-obra - Além de ocupar os espaços deixados pelos bancos, as cooperativas estão aproveitando parte da mão-deobra da qual eles estão abrindo mão. “Contratamos muitos dos funcionários demitidos. São profissionais com larga experiência e só precisam ser treinados para aprenderem como funciona uma cooperativa”, explica.

Funcionários - De acordo com a OCB (Organização das Cooperativas do Brasil), o ramo de crédito tinha 37.266 funcionários em 2007. Já, em 2017, eram 60.237 – um crescimento de 62%.

Bom exemplo - A expansão do Sicoob Ouro Verde é uma boa amostra do crescimento do cooperativismo de crédito no País. No início de 2018, segundo o presidente do conselho de administração, Rafael de Giovani Netto, a cooperativa tinha 23 PAs. No ano que vem, deverá contar com 40. Há dois anos, tinha 240 funcionários e, atualmente, dispõe de 300.

Plano - A singular Ouro Verde, que tem sede em Londrina, ganhou esse nome recentemente, depois da união do Sicoob Norte do Paraná com o Sicoob do Amapá, estado para o qual a cooperativa está se expandindo e onde já inaugurou dois pontos de atendimento: um na capital Macapá e outro na cidade de Santana. “O plano para os próximos anos é a inauguração de cinco novas agências no Amapá e pelo menos 17 no Estado de São Paulo”, afirma Neto.

São Paulo - Em São Paulo, a cooperativa está começando a atuar agora e ainda não conta com PA. “Estamos com os pés no Estado. Fomos autorizados pelo Banco Central a atuar em nove municípios, como Bauru, Marília, Ourinhos e a própria capital”, conta.

Aumento - Com R$ 16 milhões de resultado no ano passado, o Sicoob Ouro Verde teve aumento superior a 30% no patrimônio líquido e um crescimento de 18% nas operações de crédito. “Na carteira das pequenas empresas, os bancos recuaram 30% e as cooperativas cresceram 20% nos últimos anos”, justifica Netto.

Singulares - O Sicoob é uma das quatro confederações do SNCC. E tem o maior número de singulares, 466, incluindo a Ouro Verde.

Agências sem dinheiro - Segunda maior confederação do País, o Sicredi tem 116 singulares, sendo uma delas o Sicredi União PR/SP, cooperativa que pretende abrir três pontos de atendimento em Londrina neste ano. Mas não serão PAs tradicionais. A ideia é trazer para a cidade o conceito da Agência Smart implantado há um ano em Cafeara (100 km de Londrina).

Diferença - A diferença é que o local não movimenta dinheiro, com exceção de cheques que podem ser depositados pelos associados. Segundo o superintendente de Negócios da cooperativa, David Conchon, a primeira Smart londrinense, a ser inaugurada dia 21 de maio na Avenida Bandeirantes (em frente ao Hospital Evangélico), ainda será num modelo híbrido, “com um pouco de dinheiro para atender alguma necessidade do associado”, mas as outras duas (uma na Avenida Inglaterra e outra na Madre Leônia Milito), serão iguais às de Cafeara.

PA - A cooperativa também está projetando um PA para a Avenida Saul Elkind, na zona norte, mas ainda não tem prazo definido para implantá-lo. “Estamos num processo de expansão muito grande. Os bancos estão fechando suas agências e nós ocupamos esses espaços”, diz Conchon. De acordo com ele, esses pontos de atendimentos são mais viáveis economicamente porque o custo da movimentação do dinheiro físico é muito alto devido não só a questão logística como de segurança. “Oferecemos todos os demais serviços como concessão de empréstimos, crédito rural, crédito imobiliário, entrega de talões de cheque, consórcios, seguros e operações via internet com auxílio de funcionários a quem precisar”, explica.

Característica - Outra característica das agências Smart é que elas operam com poucos funcionários. “Trabalhamos com duas pessoas”, conta. Ele diz que são “gerentes de negócio” capacitados para atender os associados.

Expectativas superadas - Segundo o superintendente, a agência de Cafeara superou as expectativas. “Implantar esse modelo era um grande desafio para nós.” Ele afirma que a unidade tornou-se “case de sucesso apresentado dentro e fora do Brasil” por apresentar viabilidade econômica e segurança.

Máquinas - Cafeara tem apenas 2.900 habitantes e, para garantir que o PA tivesse sucesso, o Sicredi distribuiu 50 máquinas de cartão pelo comércio e entre os profissionais liberais da cidade. Os associados não têm custo de abertura e manutenção da conta, tampouco anuidades de cartões.

Dados nacionais - Em todo o País, a confederação Sicredi tinha ao final de março deste ano R$ 57,8 bilhões em crédito. Em dezembro de 2016, eram R$ 63 bilhões, ou seja, houve um crescimento de 58%. No mesmo período, o total de depósitos passou de R$ 40,3 bilhões para R$ 62,5 bilhões - aumento de 55%.

Crescimento - Também no mesmo período, o número de PAs cresceu 6%, de 1.521 para 1.600 e o de associados foi de 3,41 milhões pra 4,13 milhões (21%). (Folha de Londrina)

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