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OPINIÃO: Carne bovina, o passo a passo da reaproximação do Brasil com os EUA

 

opiniao 26 06 2019*Adriano Machado e Raphael Garrone

 

A compra da carne bovina brasileira in natura pelos Estados Unidos voltou a ser pauta após a Casa Branca demostrar interesse na liberação das importações do produto, no último “Brazil Day in Washington” no mês de março deste ano. O primeiro passo para que isso ocorra envolve a inspeção americana dos abatedouros brasileiros, que começou no dia 10 de junho e se estenderá até 28 de junho. Somente após essas visitas é que os Estados Unidos irão tomar uma decisão definitiva sobre o caso. 

 

O fator-chave para a abertura comercial é o aval americano sobre as condições sanitárias do rebanho brasileiro. Caso as exportações sejam liberadas, a estimativa é que cerca de 50 mil toneladas possam ser enviadas aos Estados Unidos. Com isso, os pecuaristas do Brasil poderão também conquistar o reconhecimento e o acesso a mercados importantes, como Canadá, México, Japão e Coreia do Sul.

 

Do lado de cá, o governo do Brasil se comprometeu, também no “Brazil Day in Washington”, a importar carne suína norte-americana e, no momento, o governo brasileiro está avaliando a parte sanitária do certificado de importação. A expectativa é que a negociação envolvendo as duas proteínas se desenvolva de forma mais rápida, já que a pecuária brasileira vem enfrentando dificuldades para ampliar suas exportações por conta de restrições da China e da Rússia.

 

Como um segundo gesto de reciprocidade, as autoridades brasileiras anunciaram a criação de uma cota permitindo a importação de 750 mil toneladas anuais de trigo sem tarifa, causando um certo desconforto na Argentina, nosso principal fornecedor externo de trigo parceiro no Mercosul.

 

Ainda é cedo para avaliar, mas a impressão deixada pela comitiva brasileira em Washington diante dos investidores norte-americanos parece ter sido positiva, culminando inclusive nas visitas de inspeções que estão ocorrendo ao longo de junho. Contudo, aqui no Brasil, as decisões tomadas pelo nosso governo dividiram opiniões quanto ao equilíbrio e reciprocidade das concessões. Resta agora ficarmos atentos e aguardarmos o desenrolar das negociações nos próximos meses, o que irá depender principalmente da boa vontade das autoridades norte-americanas.

 

*Adriano Machado, sócio da PwC Brasil, e Raphael Garrone, analista sênior da PwC Brasil.  Ambos são especialistas em agribusiness

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