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ENTREVISTA: Meta das cooperativas é faturar R$ 100 bilhões até 2021

entrevista 03 07 2019O presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, afirma que mesmo com as incertezas econômicas e políticas, as cooperativas do Paraná mantêm a meta de faturar R$ 100 bilhões até meados de 2021. “Os produtos de cooperativas paranaenses são exportados para mais de 100 países. Crescemos 19% em 2018, com uma movimentação econômica de R$ 83,7 bilhões”, disse Ricken, em entrevista exclusiva à Associação de Diários do Interior - ADI Paraná.

Mecanismos - Ele defende mecanismos que viabilizem o escoamento da safra de forma multimodal, em que as rodovias deem vazão de forma satisfatória das safras em curtas distâncias até chegar em portos de hidrovias ou pontos de carregamentos de ferrovias. “Não podemos ficar dependendo apenas do modal rodoviário”.

Principais trechos - Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

ADI - Como o senhor avalia os principais pontos da Reforma da Previdência do relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) e o impacto que podem causar nas cooperativas? Quais os prós e os contras da reforma para o cooperativismo?

José Roberto Ricken - Esta reforma se faz necessária para restabelecer o equilíbrio das contas da previdência social e dar fôlego ao governo. No caso específico do agronegócio, a regra atual de aposentadoria para os pequenos e médios produtores rurais ficou mantida. A reforma prevê ainda, aumento das contribuições previdenciárias sobre a receita bruta, desoneração da folha de pagamento, fazendo que ocorra recolhimento da contribuição sobre as exportações que até então estão imunes do tributo. Esta medida deve acarretar um aumento nos custos com a mão de obra e contraria aos reais objetivos para qual foi criada, ou seja, permitir o aumento da contratação de funcionários, elevando a oferta de empregos.

Caso não ocorra alteração na proposta, deverá impactar negativamente a renda do produtor, porque esse aumento de carga tributária terá que ser repassado no preço. Já em relação às cooperativas do ramo crédito, um ponto de atenção é quanto a majoração da alíquota da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) de 15%, atualmente, para 17%, aumento que certamente impactará nas suas operações e atingirá o cooperado tomador de crédito. Mas estamos otimistas que essa reforma seja aprovada com as devidas modificações e que não impactem o setor.

ADI - As cooperativas paranaenses faturaram em 2018 R$ 83,7 bilhões e investem R$ 2 bilhões por ano. Nós já estamos na metade do ano, como está o plano de expansão para 2019, apesar do quadro de estagnação econômica do país, as cooperativas do Paraná vão continuar a crescer?

J.R.R. - O setor não está imune aos efeitos das incertezas econômicas e políticas. Atualmente, os produtos de cooperativas paranaenses são exportados para mais de 100 países, e entraves ao comércio internacional têm reflexos imediatos ao setor. Mesmo assim, crescemos 19% em 2018, com uma movimentação econômica de R$ 83,7 bilhões. Tudo isso é resultado de planejamento. O Plano Paraná Cooperativo 100 (PRC 100), plano estratégico do cooperativismo paranaense, iniciado em 2015, não tem prazo, tem meta: atingir R$ 100 bilhões de faturamento. E se continuarmos a realizar nosso trabalho dentro do planejado, em meados de 2021 atingiremos os três dígitos. O PRC 100 representa a soma dos planos estratégicos das cooperativas. É claro que a situação econômica e política traz incertezas, mas continuamos firmes em nossos propósitos, sobretudo porque, se existe possibilidade de crescimento em tempos difíceis, ele só pode acontecer se tivermos planejamento.

ADI - O governador Ratinho Junior tem falado que o Paraná é maior produtor de alimentos por metro quadrado do mundo e quer tornar o Estado um hub logístico da América do Sul. Como as cooperativas avaliam o projeto do governador e quais as principais demandas na área de infraestrutura que podem atender o cooperativismo e agilizar o escoamento da produção e contribuir na competitividade dos produtos paranaenses?

J.R.R. - O Paraná é responsável por 18% da produção nacional, apesar de contar com apenas 2,3% da área territorial. O Estado se destaca pela produção de soja, milho, feijão e trigo, enquanto na área de proteína animal, somos o maior produtor de frangos, primeiro produtor em peixe de água doce, segundo em leite e na produção de suínos. Mesmo com este diferencial de diversificação e volume de produção, temos o desafio de intensificar a produção de alimentos com foco na agregação de valor e na exportação, aumentando a relação econômica externas e atendendo a demanda crescente no mundo. Para isso, precisamos resolver os gargalos da logística para que o estado possa ofertar todo este potencial de produção de alimento. É fundamental que sejam realizados investimentos em infraestrutura que auxiliem no escoamento da safra das cooperativas para aumentar nossa competitividade, tanto fora como dentro do país.

Entre as principais ações de infraestrutura, destaco a melhoria do escoamento via modal ferroviário, permitindo que a carga vinda do oeste do estado chegue até Paranaguá. Outro importante investimento é a linha férrea prevista para chegar até Maracaju no Mato Grosso do Sul, que poderá aliviar o fluxo de caminhões em nossas rodovias. Caso esses projetos aconteçam, consequentemente teremos novos e importantes investimentos no estado. Uma alternativa para acelerar essas obras é o estudo para renovar as concessões atuais que vencem em 2021. Esperamos que o novo modelo de concessão aconteça dentro de uma realidade econômica financeira e que venha duplicar nossas estradas e com tarifas justas.

ADI - As 215 cooperativas vinculadas a Ocepar faturaram R$ 83,7 bilhões em 2018, um crescimento de 18,9% em relação ao montante obtido no ano passado. Para este ano, a projeção é manter os 20% de crescimento?

J.R.R. - As cooperativas conseguiram, nos últimos anos, aproveitar bons momentos para planejar e investir. Hoje, 48% do faturamento das cooperativas agropecuárias advém da agroindustrialização. Isso possibilita maior flexibilidade em momentos difíceis. Não arriscaria dizer que vamos crescer nos mesmos percentuais do ano passado ou dos anteriores. Todos os anos, o cooperativismo tem desenvolvido novos projetos para ampliar sua capacidade de atendimento aos cooperados e de processamento da produção. Dos 399 municípios do nosso estado, em 130 as cooperativas são as principais empresas, gerando emprego, renda e distribuindo riquezas. Em mais de 70 municípios, as nossas cooperativas de crédito são a única instituição financeira. São indicadores que demonstram o quanto o cooperativismo hoje faz parte da vida das pessoas. Por isso precisamos dar continuidade ao trabalho de representação, defesa e fomento para que nossas cooperativas tenham um ambiente favorável e continuem crescendo e desenvolvendo as regiões em que atuam.

Perfil - Natural de Manoel Ribas, José Roberto Ricken é formado em engenharia agronômica pela UFPR, mestre em administração pela Ebape – Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas e especialista em Cooperativismo, com vários cursos no Brasil e no exterior. Atua no Sistema Ocepar desde abril de 1988, inicialmente como assessor no departamento técnico e econômico. Em 2016 assumiu a presidência do Sistema Ocepar, sendo reconduzido ao cargo neste ano para um mandato de quatro anos. (Associação de Diários do Interior - ADI Paraná)

 

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