cabecalho informe

OPINIÃO: A construção de um grande negócio de R$ 1,5 bilhão

 

opiniao 04 07 2019*Dilvo Grolli

 

O Brasil tem rebanho de 217,2 milhões de cabeças de gado, e o Paraná 9,2 milhões. A produção de carne do Brasil é de 11 milhões de toneladas por ano, e o Paraná responde por 500 mil toneladas/ano. Com status sanitário de livre de febre aftosa sem vacinação, os pecuaristas terão ganho de R$ 500 milhões ao ano pelo melhor preço da arroba.

 

A notícia é fantástica também aos produtores de leite. Serão 70 mil pecuaristas diretamente alcançados que, juntos, respondem por 14,5% da produção brasileira, o equivalente a 5 bilhões de litros de leite/ano. Se forem abertas as exportações de lácteos do Paraná, haverá ganho de R$ 0,10 o litro, ou seja, injeção de R$ 500 milhões na atividade pecuária leiteira do Estado.

 

O Paraná é o segundo maior produtor de carne suína do Brasil com 20% da produção. A produção nacional é de 3,8 milhões de toneladas, e o estado produz 700 mil toneladas. Se exportarmos 20% desta produção os ganhos para a suinocultura chegarão a R$ 500 milhões.

 

Com maior conhecimento do mercado sobre os nossos produtos, com boa organização sanitária e com o status sanitário do Paraná livre de aftosa sem vacinação, inicia-se uma nova etapa para o agronegócio estadual. Os consumidores estrangeiros vão valorizar os nossos produtos. No mercado interno, os consumidores se tornaram mais exigentes e poderosos, pois também se apropriaram de maior número de informações, principalmente quanto à qualidade dos produtos.

 

Para alguns pecuaristas que questionam o fim da vacinação, mas que concordam que o ideal é deixar de vacinar o gado, é importante ressaltar o ponto central da questão, que é o ganho de toda a cadeia que chegará a R$ 1,5 bilhão por ano. Isso é uma tendência mundial e sem volta.

 

A nova filosofia da economia é partilhar com todos da cadeia da pecuária e pensar grande e grandiosamente, desenvolvendo um raciocínio para gerar conexão com o mercado mundial e doméstico. Pensar somente na propriedade individual com base em teses do passado é perda de tempo. É subjugar a capacidade do Estado, dos técnicos e da agroindústria.

 

Neste sentido, o maior exemplo de sucesso é do estado de Santa Catarina, que foi pioneiro no País a conseguir reconhecimento como área livre de aftosa sem vacinação. Hoje, Santa Catarina comercializa a carne de suíno com o mundo ao preço de R$ 12,00 o quilo de carcaça, e o Paraná vende o mesmo produto no mercado interno por R$ 8,50 o quilo. Isso significa uma perda para a cadeia de 40% no preço final do quilo de carne suína.

 

O Ministério da Agricultura e Pecuária aprovou para o Paraná a antecipação da mudança de status, pois as auditorias mostraram que o estado tem condições de retirar imediatamente a vacina. O último caso de aftosa registrado no Paraná foi em 2006.

 

O pensamento disruptivo é uma realidade e os fundamentos da retirada da vacinação têm bases técnicas e econômicas. Quanto mais os técnicos do governo, os pecuaristas e as agroindustriais dominarem esse processo, mais resultados econômicos teremos no futuro. O caminho natural do Brasil e do Paraná é o das exportações.

Como já citado no preâmbulo deste, precisamos buscar um novo status sanitário. Isto significa superação e a superação faz parte dos grandes empreendedores e nossa economia será beneficiada com R$ 1,5 bilhão de lucro por ano.

 

*Dilvo Grolli é diretor-presidente da Cooperativa Coopavel, sediada em Cascavel (PR)

Submit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to LinkedIn

Últimas Notícias