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COMÉRCIO EXTERIOR II: EUA e UE disputam mercado de US$ 50 bi por ano no Brasil

comercio exterior II 13 08 2019A disputa entre Estados Unidos e União Europeia pelo mercado brasileiro se concentra em negócios de aproximadamente US$ 50 bilhões ao ano. É essa a essência do duelo travado entre as duas potências globais para ganhar espaço em suas exportações para o Brasil. E o que motiva a Casa Branca, em última instância, na busca por um tratado de livre-comércio como o fechado pelo Mercosul com a União Europeia em junho.

Radiografia - Uma radiografia completa das transações comerciais do Brasil com Estados Unidos e Europa foi feita pela Câmara Americana de Comércio (Amcham). Obtido pelo Valor, o estudo mostra que eles concorrem diretamente no mercado brasileiro em um universo de 5.956 produtos, cujas importações atingiram US$ 59 bilhões em 2018.

Segregação - No entanto, para chegar ao que realmente está em jogo, o levantamento da Amcham segregou as compras com valor anual abaixo de US$ 10 milhões. Com isso, pode-se averiguar o fluxo de mercadorias e os segmentos mais representativas do comércio. Resultado: a verdadeira "briga" gira em torno de 906 produtos, que movimentaram US$ 50,9 bilhões no ano passado.

Bens industrializados - Trata-se sobretudo de bens industrializados de médio e alto valor agregado: máquinas e equipamentos, químicos, farmacêuticos, veículos, plásticos, eletrônicos, combustíveis, fertilizantes, bebidas, aeronaves e cosméticos.

Tarifas - A maior parte das importações paga tarifas de até 14% ou 16%. Uma pequena parcela paga alíquotas ainda mais salgadas: alimentos (20%), tecidos (26%), automóveis (35%). A corrida está sendo vencida pelos europeus. Eles são fornecedores de 54% (US$ 27,2 bilhões) do que o Brasil tem importado nesse universo de 906 produtos. Os americanos ficam atrás e detêm 46% (23,7 bilhões) do mercado brasileiro.

Conclusão - Conclusão relativamente óbvia, de certa forma, da Amcham: o acordo recém-anunciado entre UE e Mercosul, ao eliminar gradualmente as tarifas de importação em um período de 15 anos, tende a ampliar essa vantagem dos europeus porque lhes confere maior competitividade nas exportações para o Brasil.

Relevante - Óbvia, mas relevante e com implicações: se os Estados Unidos não se engajarem em ter um tratado de livre-comércio com o Mercosul, essa situação vai se agravar. Até porque mais acordos estão em negociação pelo bloco e devem reforçar a posição de outros fornecedores no mercado brasileiro: EFTA (Suíça e Noruega à frente), Canadá, Coreia do Sul e Cingapura.

Conveniente - "Queremos mostrar, com esse estudo, como seria conveniente para os Estados Unidos avançarem nas tratativas", afirma a CEO da Amcham Brasil, Deborah Vieitas, que se mostrou otimista com os desdobramentos da visita feita no início do mês pelo secretário americano de Comércio, Wilbur Ross, ao país. "Temos elementos para acreditar que a intenção de abrir negociações sobre um acordo de livre-comércio continuará se desenvolvendo."

Barreiras - Além dos efeitos da redução tarifária, o acordo União Europeia-Mercosul tenderá a diminuir as barreiras não tarifárias enfrentadas por produtos europeus no mercado brasileiro, bem como estimular o aumento de investimentos da Europa no Brasil.

Variáveis - O estudo aponta ainda que variáveis como o comércio intrafirma e a qualidade e grau de substituição dos produtos também influenciarão no potencial de concorrência. "Um tratado de livre-comércio muda de forma dramática o ambiente de negócios entre os signatários", diz o vice-presidente-executivo da Amcham, Abrão Árabe Neto. "Não estamos falando apenas de eliminação de tarifas, mas facilitação de comércio, abertura em serviços, barreiras técnicas. Criam-se condições mais favoráveis para o aprofundamento da integração", acrescenta Árabe Neto. Para ele, pesa a favor da abertura de negociações o bom relacionamento entre os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro. "A sintonia que existe entre os dois governos ajuda muito", completa. (Valor Econômico)

comercio exterior II quadro 13 08 2019

 

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