FORMAÇÃO: Programa Cooper Universitário é lançado em Maringá

 

O lançamento do Programa Cooper Universitário, promovido no final da tarde desta terça-feira (10/9), no Auditório Hélio Moreira, em Maringá, na região Noroeste do Estado, reuniu dirigentes do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop/PR), lideranças de várias cooperativas, autoridades, representantes da área de ensino e estudantes. 

 

Disseminar - Realizado pelo Sistema Ocepar, por meio do Sescoop/PR, o programa será implementado em parceria com a Pluricoop Cooperativa de Trabalho de Executivos em Gestão e Treinamento, sediada em Maringá, tendo como objetivo disseminar os princípios cooperativistas no ensino superior, por meio da interação entre cooperativas e universidades. A iniciativa conta com o apoio do Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Faculdades Maringá, Prefeitura de Maringá e cooperativas Cocamar, Cocari, Aurora Alimentos, Sicoob Central, Unicoop, Sicoob Metropolitano, Unicampo e Unimed Maringá. 

 

Marco - A solenidade foi iniciada com a participação do Coral Cocamar, que entoou o Hino Nacional e algumas canções de seu repertório. Convidado a pronunciar-se na abertura dos trabalhos, o diretor do Sistema Ocepar e presidente do Conselho de Administração da Cocamar, Luiz Lourenço, destacou o momento histórico, citando que “o programa será um novo marco do cooperativismo paranaense”. 

 

Expandir - Na sequência, o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, comentou que o Cooper Universitário é uma ideia que começou a ser desenvolvida há quatro décadas e agora se junta a outros programas, entre os quais o Cooperjovem (voltado ao público infantil), o Menor Aprendiz, o Jovemcoop (que reúne lideranças jovens), o Lidercoop (para as lideranças femininas), e os fóruns especializados. “Vamos começar no Paraná e com o propósito de que ele seja levado para todo o país”, afirmou o presidente.

 

Empregos - Ricken comentou que em Maringá há nove cooperativas, das quais duas de produção, três de crédito, duas da área de saúde e duas de profissionais de trabalho, que geram 5.158 postos diretos de trabalho. Na região, as cooperativas proporcionam 23 mil empregos e, em todo o estado do Paraná, 105 mil. “O crescimento da oferta de empregos nas cooperativas paranaenses é de 6% em média ao ano”, havendo segundo ele, uma movimentação de profissionais ao redor de 10%, o que equivale a cerca de 10 mil vagas. “Eu não conheço nenhum outro setor no estado que ofereça tantos empregos como as cooperativas”, frisou o presidente, salientando que o programa “talvez seja a primeira oportunidade como profissional que o participante tenha na vida”.

 

Ideias - O vice-prefeito de Maringá, Edson Scabora, também participou da abertura, elogiando a iniciativa e dizendo ser necessário “levar à academia as ideias que são aplicadas aqui fora”. Comentou que os realizadores do programa podem contar com a prefeitura e finalizou lembrando que a colonização de Maringá, ocorrida há mais de 70 anos, com famílias adquirindo pequenas propriedades rurais, exigiu que elas cooperassem entre si para vencer suas dificuldades. 

 

Histórico - “Um legado para o cooperativismo” foi o tema da palestra da especialista em Recursos Humanos e inspiradora do programa, Mariza Trindade Bica Viana. Ela lembrou que em 1979 conheceu o cooperativismo e seu envolvimento com o setor aconteceu no ano seguinte. Em 1999, com a implantação do Sistema S no cooperativismo, a ideia seguiu adiante e em 2000 realizaram-se os primeiros estudos no Sescoop Nacional, mas a experiência pioneira com uma faculdade se deu em 2006. Em 2017, o Sistema Ocepar abraçou o programa, que foi lançado no ano seguinte durante o Fórum de RH em Maringá, sendo apresentado em 2019 no 14º Congresso Nacional de Cooperativismo (CNC). 

 

Humanista - “Estamos vivendo um momento com trabalho e sem emprego”, disse Viana, citando que o cooperativismo oferece uma capacitação humanista e não excludente, uma vez que os empregos no setor só estão aumentando. E finalizou: “O Cooper Universitário é um filho que agora segue seu caminho, pois as cooperativas precisam de pessoas capacitadas”. 

 

Na região - Em sua participação, Adriana Pierini, diretora-executiva da Pluricoop, explicou que inicialmente o programa será realizado com o envolvimento de universidades e cooperativas da região de Maringá. Além de ampliar o conhecimento sobre o cooperativismo entre as instituições de ensino superior e estudantes universitários, o Cooper Universitário também visa preparar os acadêmicos para ocupar as vagas de estágio e de trabalho nas cooperativas paranaenses. Além disso, tem como meta disponibilizar uma plataforma de talentos onde os participantes do programa poderão manter o currículo atualizado à disposição das oportunidades que surgirem no setor. 

 

Fases - Pierini expôs ainda que o programa é dividido em quatro fases: planejamento com a área de RH das cooperativas aderentes; articulação com instituições de ensino superior; apresentação do Cooper Universitário às instituições de ensino e planejamento de ações. Ao mesmo tempo em que proporcionará aos estudantes a oportunidade de trabalho em cooperativas, a ideia é formar um banco de talentos, com profissionais que detenham conhecimento diferenciado sobre o cooperativismo e que possam atender às demandas e peculiaridades do setor.

 

Objetivos - Em resumo, os objetivos do programa são oportunizar uma efetiva e estratégica aproximação entre cooperativas e instituições de ensino superior; desenvolver conhecimentos sobre cooperativismo; proporcionar a experiência de trabalho em cooperativas; aprimorar competências dos profissionais que estejam iniciando carreira no sistema cooperativista e, como já dito, compor o banco de talentos para acesso das cooperativas. 

 

Atribuições - A Pluricoop será a responsável pelo contato com as instituições de ensino, para apresentar: os objetivos do Cooper Universitário, as vagas de estágios disponíveis nas cooperativas, o roteiro para a adesão das instituições de ensino e o cronograma de execução das etapas do programa. Por sua vez, o Sescoop/PR coordenará a organização da plataforma de recrutamento e seleção dos estágios, contemplando: vagas de estágio disponíveis, cadastro de interessados, cronograma do processo seletivo, termo de compromisso, e etapas do programa Cooper Universitário. 

 

Módulo - Pierini discorreu também que os estágios começam em setembro/2019 e terminam em setembro/2020, com os seguintes módulos: cooperativismo, gerenciamento de projetos, comunicação, gestão, gerenciamento de projetos II, inovação, liderança, governança, gerenciamento de projetos III, sustentabilidade, empregabilidade, oficina de cooperativismo e gerenciamento de projetos IV. “Mais do que um estágio, é uma oportunidade de formar talentos”, pontuou a diretora da Pluricoop, assinalando que os estagiários serão monitorados por profissionais egressos do cooperativismo. Ao final, os “cooperunis” devem entregar à sua cooperativa um projeto cuja temática será definida no início do programa. 

 

Futuro - O painel “Construindo um futuro cooperativo” reuniu José Roberto Ricken, João Paulo Koslovski, ex-presidente da Ocepar, e Leonardo Boesche, superintendente do Sescoop/PR. Ricken recordou sua trajetória no sistema cooperativista e disse que “dá para fazer uma carreira no cooperativismo”, enquanto Boesche recordou-se que o pai participava de uma cooperativa no Rio Grande do Sul e voltava para casa sempre aborrecido com o que ouvia nas reuniões. Por isso, Leonardo, adquiriu aversão ao cooperativismo e só mudou de opinião a respeito do sistema quando se mudou para o Paraná e, a pedido da Emater, fez estágio em uma cooperativa, quando, enfim, conheceu melhor o sistema. “Quando a Mariza [Viana] apareceu com a ideia do Cooper Universitário, achei que seria o caminho.” E finalizou: “Quem conhece o cooperativismo, até pode sair do sistema, mas o cooperativismo jamais sairá dele”. 

 

Mensagem - Koslovski aproveitou para fazer uma pequena palestra e, em vez de contar sua experiência e vivência no sistema, ao qual serviu por 43 anos, preferiu dirigir uma mensagem aos estudantes. Primeiramente ele destacou a contribuição de Luiz Lourenço para que o Sescoop/PR pudesse avaliar o resultado de suas ações. Em seguida, indagou: “quantos sonhos passam pelas nossa cabeça?” Alguns sonhos, disse, extrapolam o alcance, mas se a pessoa é determinada, consegue transformar um sonho em realidade agindo de forma proativa. Ou seja, ela precisa ter foco no que quer, saber onde quer chegar, ter desprendimento, comprometimento em viabilizar o seu projeto, dedicação, estudar sempre. 

 

Como agirem - “Façam as coisas bem feitas, não tenham medo de errar, sejam curiosos e participativos, aprendam a ler, amplie o conhecimento, sejam humildes e prestativos, ensinem (quem ensina, semeia), sejam éticos, honestos e corretos no agir, sejam bons ouvintes sem se omitirem; não reinventem a roda, sejam prudentes, tenham respeito e tolerância a opiniões, despertem a criatividade e inovem, sejam e deem exemplo; lembrem-se que sorte e profissionalismo andam juntos; a determinação em fazer acontecer, faz a diferença; adotem a cooperação e a solidariedade como bússola”, asseverou o ex-presidente do Sistema Ocepar.  

 

O setor - Koslovski disse ainda que o cooperativismo do Paraná é exemplo de organização e resultados para milhares de pessoas, com um faturamento de R$ 83,6 bilhões em 2018 que deve chegar a R$ 100 bilhões em dois anos; de 2000 a 2018, o sistema cooperativista paranaense cresceu 15,99% por ano, em média; são mais de 105 mil empregos diretos e 1,7 milhão de cooperados. Em 18 anos, foram realizados 72.377 eventos com 2,3 milhões de pessoas e mais de 961 mil horas. “O cooperativismo do Paraná representa uma oportunidade ímpar para quem deseja crescer”, citando que a expansão contempla não apenas o segmento agropecuário, mas também as áreas de trabalho, crédito, turismo e outros. 

 

Tendência - Entre os estagiários que dirigiram perguntas aos painelistas estava Natan Fratta da Silva, selecionado para uma oportunidade na área de logística da Cocamar. Ele quis saber de João Paulo Koslovski se o cooperativismo é uma tendência. O ex-presidente do Sistema Ocepar respondeu que, apesar do seu desenvolvimento e dos inúmeros benefícios que proporciona, o cooperativismo ainda é muito cerceado no Brasil, a legislação ainda é muito desfavorável, mas a tendência é de a sociedade conhecer e valorizar cada vez mais o sistema cooperativista. Segundo ele, o país tem só 15 milhões de cooperativistas para uma população de 210 milhões de habitantes, o que é pouco.

 

Reconhecimento - Concluindo, foram entregues troféus, em reconhecimento pelo apoio, a Edson Scabora (vice-prefeito de Maringá), João Paulo Koslovski, Amaury Meller Filho (diretor da Faculdades Maringá, que cedeu suas instalações para as reuniões do programa), Mariza Trindade Viana (inspiradora do programa Cooper Universitário), Geâne Nazaré Ferreira (gerente de desenvolvimento social de cooperativas do Sescoop Nacional), Luciano Pereira Santos (chefe do Núcleo Regional de Ensino de Maringá), Luiz Lourenço (diretor do Sistema Ocepar e presidente do Conselho de Administração da Cocamar), Cleide Aparecida Bulla (presidente da Pluricoop), Luciano Ferreira Lopes (presidente da Unicampo), José Maria Bueno (Sicoob), Vilmar Sebold (presidente da Cocari), Luiz Agita (presidente do Sicoob Metropolitano), Fabiano Silva Dal Magro (representante da Aurora Alimentos), Giovana Brites (Unimed Maringá), José Carlos Barbieri (Faculdade Cidade Verde) e José Roberto Ricken (presidente do Sistema Ocepar).

 

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