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ECONOMIA: Dólar supera R$ 4,16 após Copom e Fed

 

economia 20 09 2019O mercado de câmbio voltou a sofrer os efeitos colaterais dos juros baixos no Brasil. Com a perspectiva de que a taxa Selic vai testar novas mínimas históricas nos próximos meses, os investidores viram menos prêmio a ser capturado no real e preferiram buscar a proteção do dólar, num movimento que levou a cotação acima de R$ 4,16, sendo o destaque entre as divisas globais.

 

Resposta - O movimento veio em resposta às sinalizações, bastante diferentes, dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos. A autoridade monetária brasileira foi bem mais agressiva em indicar o espaço para corte de juros, enquanto o Federal Reserve dosou o tom sobre seus próximos passos. Isso indica que o diferencial de juros entre os dois países ficará ainda mais comprimido - fator que joga contra o real.

 

Alta - O dólar comercial encerrou a quinta-feira (19/09) em alta de 1,43%, negociado a R$ 4,1623, o maior nível desde 3 de setembro. A valorização contra o real foi a maior do dia entre as 33 divisas mais líquidas do mundo, como também foi muito mais intensa. O salto por aqui foi o maior desde 19 de agosto, quando o dólar subiu 1,58%.

 

Real desvalorizado - A forte depreciação do câmbio levanta a discussão sobre até que ponto o real pode continuar se desvalorizando sem que isso afete a inflação e, com isso, represente alguma restrição à intenção do Copom de continuar cortando juros.

 

Repasse cambial - O economista-chefe da Garde, Daniel Weeks, pondera que o repasse cambial do dólar tem sido bastante tímido, pelo menos desde o ano passado. “Iniciamos 2018 com dólar a R$ 3,20 e encerramos a R$ 3,90. Já a projeção de inflação começou em 4% e encerrou em 3,55%, mesmo com a greve dos caminhoneiros e outros eventos.”

 

Cálculos - Em seus cálculos, o modelo do BC permite inferir que ele vê um repasse cambial de cerca de 5%. Isso significa que um câmbio perto de R$ 4,20 já aproximaria a inflação da meta, ao menos no cenário híbrido divulgado no comunicado do Copom na quarta-feira. “Eu começaria a me preocupar com um dólar a R$ 4,30, R$ 4,40”, diz.

 

Risco - O risco do dólar alto, porém, pode ir além da inflação. É o que alerta o economista Alberto Ramos, do Goldman Sachs. Segundo o analista, um diferencial de juros cada vez menor pode tornar a moeda brasileira ainda mais volátil e acabar desancorando o câmbio. Isso teria reflexos negativos não apenas para a inflação, mas também para as condições financeiras domésticas. “Caso as condições macroeconômicas se desestabilizem, a retomada do crescimento pode ser atingida, exatamente o contrário do que quer o BC.”

 

Desancoragem - O economista nota que esse processo de desancoragem pode começar a dar sinais tão logo o real ultrapasse o nível dos R$ 4,20. Por outro lado, diz Ramos, existe a possibilidade de a atual gestão do BC se mostrar mais disposta a “disciplinar” o mercado através de intervenções diretas. “Caso o real continue com desempenho muito abaixo das demais emergentes, isso pode animar o BC a entrar novamente no mercado”, afirma.

 

Análise semelhante - Análise semelhante faz o economista-chefe para América Latina do ING, Gustavo Rangel. Para ele, o Brasil não precisa usar juros para limitar a desvalorização de sua moeda, ao contrário de outros emergentes, como o México. “Não é controverso dizer que o câmbio a R$ 4,20 é muito depreciado”, diz.

 

Importante - O importante, para Rangel, é que as perspectivas de inflação e o crescimento autorizam o BC a continuar em um ciclo de cortes. E o câmbio, ao menos por enquanto, não incomoda. “O Brasil pode se dar ao luxo de praticamente ignorar o câmbio em sua política monetária” já que o repasse ainda é pequeno, afirma. (Valor Econômico)

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