cabecalho informe

COCAMAR II: Produtividade elevada mesmo sob estiagem na citricultura

Enquanto os produtores de laranja do noroeste do Paraná já projetam uma redução de 30 a 40 por cento na produtividade da safra deste ano, causada pelo déficit hídrico, uma família de Presidente Castelo Branco – município a 33,6km de Maringá – está colhendo volumes típicos de anos de clima favorável e muito além das médias regional e nacional.

História - Com sua história associada ao início da implantação da citricultura comercial na região, em 1989, os Schilive se tornaram uma referência na atividade. Não por acaso, o dedicado produtor Izaías Schilive (falecido em maio deste ano) se tornou um dos maiores vencedores do Concurso Cocamar de Produtividade de Laranja, realizado ao longo de anos, amealhando uma coleção de troféus que podem ser vistos em um armário de vidro no escritório da residência onde vivia com a esposa Aparecida.

Negócio produtivo - Izaías partiu aos 62 anos incompletos deixando como legado aos familiares o amor pela citricultura e a determinação em fazer dessa atividade um negócio bem cuidado e altamente produtivo. Hoje, a propriedade é conduzida pelas filhas Eliata e Josiane que, desde pequenas, acompanhavam o pai nos pomares e foram por ele preparadas para sucedê-lo na gestão. O Rally Cocamar de Produtividade visitou os Schilive para relatar essa história.

Atencioso - “Ele era um conhecedor, só de bater o olho percebia algum problema nas plantas”, afirma Eliata, referindo-se ao pai. “Tinha o hábito de fazer um check-list toda vez que ia viajar, mas ficava sempre telefonando para saber do andamento das coisas”, lembra Josiane, explicando que o pai, pacientemente, nunca deixava de esclarecer as dúvidas das filhas.

Muito acima - Neste ciclo 2018/19, em que a insuficiência de chuvas e as altas temperaturas vêm prejudicando os pomares, Eliata e Josiane estão registrando a colheita de 3,8 caixas de 40,8kg, em média, por planta (155kg). Elas não têm do que reclamar, pois a média regional em anos de clima favorável é de 2,3 caixas por planta (93,8kg) e a média nacional não passa de 1,8 caixa por planta (73,4kg).

Poderia ser mais - No entanto, mesmo com uma média tão alta, as duas irmãs consideram que se o tempo tivesse ajudado, elas poderiam ter repetido a excepcional produtividade obtida no ciclo 2017/18, que foi de 7 caixas de 40,8 quilos por planta (285,6 quilos) da variedade valência. Da mesma forma, se tivesse chovido bem neste ano, as laranjas teriam ficado maiores.

Números - São, no total, 25.950 pés em pomares cultivados com as variedades pera, valência e folha-murcha, dos quais 3.500 remanescem do primeiro plantio efetuado em 1989 e que apresentam potencial produtivo já em seu declínio natural. O objetivo, em breve, é renovar inteiramente essa área.

Os cuidados - Eliata, 38 anos, e Josiane, 39, seguem à risca o rigor em relação aos cuidados transmitidos pelo pai e se orientam, tecnicamente, por meio da assistência prestada pela engenheira agrônoma da Cocamar, Amanda Caroline Zito. Em matéria de tratos culturais, a cada dois meses são feitos adubação e manejo preventivo contra pragas e doenças. A cada 20 dias o pragueiro (profissional especialista na identificação de pragas) vistoria os pomares e a engenheira agrônoma emite o receituário, visitando regularmente a propriedade, que integra o grupo + de assistência personalizada. Por sua vez, ao apresentarem sintomas do greening (doença letal causada por uma bactéria), as plantas são sumariamente erradicadas.

Resíduos - Os cuidados com os pomares não terminam aí. Prestadoras de serviços para a Cocamar, as produtoras fazem a retirada de cascas de eucaliptos da usina de beneficiamento de madeira da cooperativa, ali mesmo em Presidente Castelo Branco, e de cinzas das caldeiras do parque industrial em Maringá (mediante liberação do Instituto Ambiental do Paraná). Tais resíduos, que não têm aproveitamento industrial, são misturados a esterco e cama de frango e depositados nas entrelinhas dos pomares. Essa matéria orgânica, além de enriquecer o solo, retém umidade, o que reduz o impacto dos veranicos.

Pouco herbicida - As duas irmãs também procuram economizar o quanto possível com herbicidas, preferindo as roçadas periódicas no pomar, ocasião em que as quantidades de mato cortado são acumuladas para decomposição embaixo das plantas.

Quase normal - “Esta é, de longe, uma das melhores propriedades de laranja atendidas pela Cocamar”, resume a engenheira agrônoma, comentando que se não fosse pelo tamanho dos frutos, dificilmente se perceberia que os pomares estão sendo afetados pela estiagem. “Os pés estão muito carregados e quase nem se vê laranjas pelo chão”, conclui.

Participantes do Mercado Justo - A propriedade dos Schilive é uma das 42 integrantes da Coopsoli, a cooperativa fundada no ano passado pela Cocamar para congregar exclusivamente produtores de laranja. O objetivo é atender às exigências do Mercado Justo (Fairtrade) e, desse modo, o suco elaborado com as laranjas produzidas pelo grupo segue para países da União Europeia (UE), onde é distribuído nos pontos de venda com um selo do mercado solidário internacional.

Retorno - Para cada tonelada que adquire, o Fairtrade retorna 200 dólares ao setor produtivo, que são convertidos na compra de equipamentos de proteção individual (EPI) aos trabalhadores, realização de melhorias na propriedade, estruturação do depósito de agroquímicos e aquisição de sanitários móveis. Os Schivile contam com 18 funcionários devidamente protegidos pela legislação – outra exigência do mercado justo.

Sobre o Rally Cocamar de Produtividade - Em sua 5ª edição consecutiva, a realização conta com o patrocínio dos seguintes parceiros: Basf, Spraytec, Sicredi União PR/SP e Zacarias Chevrolet (principais), Sancor Seguros, Texaco Lubrificantes, Cocamar TRR, Elanco e Altofós Suplemento Mineral Cocamar (institucionais) e o apoio do Cesb (Comitê Estratégico Soja Brasil), Aprosoja/PR e Unicampo. (Imprensa Cocamar)

Submit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to LinkedIn

Últimas Notícias