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COCAMAR I: Com ILP, quebra de paradigmas em Douradina

Pastos arrasados pelo inverno e a persistente estiagem. Na região de Douradina e em todo o noroeste do Paraná, de solos arenosos, a pecuária sofre com as condições climáticas adversas, trazendo muitos prejuízos aos produtores.

Oásis - Entretanto, lá mesmo em Douradina – que fica a 58km de Umuarama -, a propriedade conduzida pelo médico-veterinário Nicholas Martins, 35 anos, e o engenheiro agrônomo Diego Pereira, 26, até parece um oásis.

Empolgados - No inverno, enquanto os pastos degradados do entorno já estavam secos e, de tão ralos, se podia ver a terra, restringindo a alimentação dos rebanhos, Nicholas e Diego conseguiam engordar seus animais e estavam empolgados com os resultados. O Rally Cocamar de Produtividade foi conferir essa experiência a convite do gerente Alisson Rodrigues Nunes, da Cocamar, que responde pelas unidades de Douradina, Tapira e Querência do Norte.

Ampliando - É uma quebra de paradigmas em relação à realidade de grande parte dos pecuaristas tradicionais. Orientados pela Cocamar, os dois sócios implantaram há três anos a integração lavoura-pecuária (ILP). Começaram com dez alqueires (24,2 hectares), aumentaram a área para 37 (89,5 hectares) e planejam incorporar ao sistema mais 40 alqueires (96,8 hectares) no ciclo 2020/21.

Massa verde - Eles cultivam soja no verão, seguida do plantio de capim braquiária após a colheita da oleaginosa. A braquiária, espécie de fácil adaptação ao clima e solo regionais, é que garante pasto em quantidade e qualidade para o gado por pelo menos 100 dias – justamente na época mais crítica do inverno. Nicholas registrou em fotos: era tanta massa verde que chegou a encobrir as laterais de sua caminhonete.

Engorda - Com comida à vontade, eles alojaram em maio a média de 10,5 cabeças de gado por alqueire (4,3/hectare), o dobro da quantidade quando ainda não haviam aderido à integração. Para se ter ideia, a média nos depauperados pastos do noroeste do Paraná tem sido de apenas um animal por hectare, segundo dados da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab). O rebanho entrou pesando 10,5 arrobas cada cabeça e foi terminado com 14,5 arrobas, o que dá um ganho de peso de 600g/dia, em média, por cabeça. Além da braquiária, Nicholas conta que foi fornecida aos animais uma suplementação de ração. “De qualquer forma, sobrou pasto e pretendemos colocar mais animais na mesma área em 2020”, afirmou.

Soja - Nicholas e Diego não adubam os pastos, que vicejam sobre os nutrientes deixados pela soja, no verão. Aliás, a soja entrou não apenas para fazer a reforma dos pastos, mas para ser uma nova fonte de renda na propriedade. No primeiro ano, a média de produtividade foi de 120 sacas por alqueire (49,5/hectare) e, na safra 2018/19, marcada por forte estiagem, a colheita fechou em 88 sacas por alqueire (36,3/hectare), o que ainda possibilitou cobrir os custos diretos. Os sócios se estruturaram com maquinários para realizar todas as operações, exceto a colheita, contratada junto a prestadores de serviços. “A soja complementa a renda da pecuária, que é o nosso carro-chefe”, disse Diego.

Palha - Os pastos de braquiária foram dessecados quimicamente em setembro, o que constituiu outra quebra de paradigma para os pecuaristas da região que, na época, faziam das tripas coração para alimentar o gado. A dessecação é parte dos preparativos para o plantio direto da soja, efetuado na palhada.

Solo protegido - Ao visitar a propriedade no dia 9/10, o Rally se deparou com uma palhada volumosa a proteger o solo e, na oportunidade, o técnico agrícola Gabriel Teixeira, da cooperativa, que presta assistência aos sócios, demonstrou o quanto ela é necessária. Em um ponto escolhido aleatoriamente, retirou a palha para examinar as condições do solo e demonstrou que mesmo com o forte calor no momento e sob uma temperatura ambiente superior a 30ºC, o solo estava fresco e apresentava umidade. Diferente do que se podia observar em solo desprotegido, que estava seco e muito quente.  

Pesquisaram - Antes de implantar a integração lavoura-pecuária (ILP), Nicholas Martins e Diego Pereira participaram de dias de campo e, a convite da Cocamar, visitaram propriedades no Paraná e no oeste paulista, onde esse sistema é praticado, ficando convencidos de que seria um bom negócio. Três anos depois da implantação, veem que está valendo a pena, prosperam e, como já dito, seus planos são de ampliar.

Inércia - Segundo Nicholas, não existe mais espaço para a pecuária tradicional, dada a baixa produtividade e os custos altos, “a conta não fecha”. No entanto, observa uma situação de inércia dos pecuaristas mais tradicionais, relutantes em adotar práticas modernas e comprovadamente viáveis, que poderiam ajudá-los a se tornarem mais eficientes, produtivos e rentáveis.

Benefícios - O gerente da Cocamar, Alisson Rodrigues Nunes, enfatiza que o sistema de integração é a solução para reverter o quadro de empobrecimento da pecuária, como se observa em várias outras regiões do Paraná. “A integração diversifica os negócios, potencializa a pecuária, aumenta o fluxo de caixa, moderniza a gestão e valoriza a propriedade”, resume. E lembra que a Cocamar está preparada para orientar tecnicamente os produtores em todas as fases para a implantação do projeto.

Sustentável - Na região da Cocamar, que compreende parte dos estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, já existem mais de 200 mil hectares mantidos com diferentes formatos de integração, assegurando sustentabilidade aos negócios.

Sobre o Rally - Com o objetivo de conhecer e valorizar as boas práticas agropecuárias, o Rally Cocamar de Produtividade já está no seu quinto ano e conta com o patrocínio dos seguintes parceiros da cooperativa: Basf, Spraytec, Sicredi e Zacarias Chevrolet (principais), Sancor Seguros, Texaco Lubrificantes, Cocamar TRR, Elanco e Altofós Suplemento Mineral Cocamar, e o apoio da Unicampo, Cesb e Aprosoja/PR. Na viagem à Douradina, acompanharam a equipe o médico-veterinário Riccardo Tonon, da Elanco, e o técnico Alfredo Fabrão Neto, responsável pela área de irrigação na Cocamar. A gerente da Sicredi União PR/SP em Douradina, Silvia Ortiz, e o gerente de negócios agência, Mateus Santim, também participaram. (Imprensa Cocamar)

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