cabecalho informe

RELAÇÕES EXTERNAS I: Brasil cobra compensações da União Europeia por causa do Brexit

 

relacoes externas I 18 11 2019O Brasil e outros oito grandes exportadores cobraram da União Europeia (UE) compensações independentemente da forma como vai ocorrer a saída do Reino Unido do mercado comum europeu, em nova pressão na Organização Mundial do Comércio (OMC).

 

Cotas específicas - O Brasil tem várias cotas específicas que vão encolher no mercado comum europeu, no caso de açúcar, frango e carne bovina, podendo gerar prejuízos de várias dezenas de milhões de dólares.

 

Adiamento - Britânicos e europeus adiaram a decisão sobre como será feito o divórcio entre eles, que primeiro deveria ter sido acertado em 29 de março, depois em 30 de junho, que ficou para 31 de outubro e agora foi empurrado para 31 de janeiro de 2020.

 

Incertezas comerciais - Enquanto isso, as incertezas comerciais aumentam e hoje no Comitê de Acesso ao Mercado da OMC o Brasil, EUA, China, Rússia, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Uruguai e Chile cobraram de Bruxelas compensações de toda maneira, por meio de aumento de volumes de exportação ou redução de tarifas para certos produtos.

 

Insatisfação generalizadas - A insatisfação é generalizada entre os exportadores agrícolas sobre o plano de repartição de cotas que a UE definiu, para ser aplicado quando os britânicos deixarem o mercado comum europeu. Uma parte das atuais cotas passaria a ser dada pelo Reino Unido.

 

Redução - Conforme cálculos da Nova Zelândia, a repartição definida por Bruxelas poderá reduzir em 25% o volume das cotas na UE. Pelo plano, o número das cotas cairá de 142 para 130. E dessas, pelo menos 23 vão ficar com volumes 50% inferior ou ainda menor.

 

Saída sem acordo - Além disso, se houver um “hard Brexit”, ou seja, saída do Reino Unido sem um acordo com a UE, os britânicos também vão competir pelas cotas europeias que são destinadas a outros países em geral. Estudos mostram que atualmente o Reino Unido já exporta para a UE mais de 79% do volume de todas as cotas. Significa que poderiam passar a ocupar todo o volume, não deixando espaço para os outros países.

 

Discriminação - O Brasil aponta também para o risco de discriminação com um arranjo em discussão envolvendo procedimentos aduaneiros entre a Irlanda do Norte e o resto do Reino Unido. Tudo isso pode causar mais prejuízos para exportações brasileiros.

 

Queixa - A Austrália reclamou que alguns produtores de carne bovina e de ovelha praticamente cessaram exportações de maior valor agregado para o Reino Unido, não podendo aproveitar as oportunidades que aumentam no período do natal.

 

Perda - Para o Brasil, não dá ainda para dimensionar o quanto seus exportadores vão perder, no rastro da repartição de cotas entre UE e Reino Unido depois do Brexit, até porque não se sabe como esse divórcio vai ser implementado.

 

Maior importador e exportador - Certo mesmo é que a UE é o maior importador e exportador agrícola, e essencial no equilíbrio desse mercado. Qualquer mudança nas suas cotas, pelas quais permite a entrada de volume limitado com tarifa menor, terá impacto comercial significativo para os exportadores. Na prática, traz mais custos logísticos e incertezas para os exportadores.

 

Recusa sistemática - No entanto, a UE mantém uma recusa sistemática de discutir compensação cobrada pelos parceiros. Isso poderá levar mais tarde a denúncias do Brasil e outros exportadores contra os europeus — mas é um processo que pode durar anos, ainda mais com o colapso do sistema de disputas na OMC. (Valor Econômico)

 

Submit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to LinkedIn

Últimas Notícias