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MUNDO: UE ameaça taxar produtos de países poluidores

mundo 10 12 2019A ideia de uma taxa de ajuste de fronteira ligada ao clima começa a avançar na União Europeia (UE). A Comissão Europeia (CE) estuda propor essa tarifa nesta quarta-feira (11/12), como parte do pacote climático da nova presidente da Comissão, Ursula von der Leyen.

Vago - O vice-presidente da CE, o holandês Frans Timmermans, foi vago nesta segunda-feira (09/12) sobre quais elementos estarão no pacote climático que será discutido nesta semana em Bruxelas e que vem sendo chamado de “Green New Deal” europeu.

Medidas - Mas ele deixou claro, em entrevista na CoP de Madri, que a UE não hesitaria em impor medidas para proteger sua indústria de concorrentes que não respeitarem o Acordo de Paris. “Se queremos atingir as metas que estabelecemos no Acordo de Paris, isso exigirá medidas. Vamos tomar essas medidas. Se você tomar as mesmas medidas ou algo comparável, não haverá nada a corrigir na fronteira”, disse sobre a possibilidade de o bloco adotar taxa de carbono às importações de países com emissões elevadas.

Indústrias - “Mas, se não [fizerem isso], claro, em determinado momento teremos que proteger a nossa indústria, que assumiu esses compromissos”, seguiu. “Não queremos colocar a nossa indústria numa posição mais fraca que as outras.” “Espero que não haja necessidade de tomar essa medida. Mas se for necessário, não hesitaremos”, acrescentou Timmermans.

Reação - Na semana passada, o professor He Jiankun, da Universidade Tsinghua, que está com a delegação chinesa na CoP, reagiu à ideia de a UE criar tarifa comercial ligada às emissões de carbono. Lembrou que o Acordo de Paris estabelece cooperação multilateral “e que um ato unilateral deixa muitas questões em aberto”.

Questionamento - “Como isso seria?”, questionou He. “Seria para todos os países? Seria a mesma taxa para todos os produtos? Como ter um tratamento justo?”, indagou. “Creio que uma medida unilateral pode ter impacto na atmosfera franca do Acordo de Paris.”

Taxa de descarbonização - Timmermans adiantou que, na cúpula europeia desta semana, em Bruxelas, será apresentada a taxa de descarbonização de longo prazo do bloco, para 2050. “Vejo o sentido de urgência crescendo entre os países-membros [da UE], mas também vejo preocupação porque isso representará uma grande mudança na estrutura econômica, no mix energético. Mas esses países verão que fazem parte do esforço europeu e terão solidariedade do resto da UE”.

Exemplo - O bloco quer “liderar pelo exemplo”, diz ele, mas como responde por só 9% das emissões globais, “é importante se pudermos convencer os outros parceiros a se mexer na mesma direção”.

Cúpula - Estas decisões preparam o bloco para a cúpula que pretendem ter com a China em Leipzig, em setembro. “Há desafios geopolíticos, a guerra comercial não ajuda. Mas, ao mesmo tempo, um crescimento econômico menor também não ajuda”, disse Timmermans. “A liderança chinesa tem mostrado sua consciência da necessidade de enfrentar as emissões globais”, continuou. Ele vê uma “boa base” para UE e China chegarem a um acordo na cúpula de setembro.

Esforços locais - Sobre os EUA, o vice-presidente da CE, o órgão executivo da UE, disse que tem observado a “miríade” de esforços locais que vem sendo feita no país. “Mas confesso que tenho pouca paciência com negacionistas, porque a ciência climática é muito robusta.”

Economia - Timmermans seguiu: “Isso não é apenas bom para o clima e para o meio ambiente, mas é bom para a economia. É para onde a economia está se movendo. E é bom para os empregos, no longo prazo. Como neto de mineiros de carvão, todos sabemos que este não é o futuro.”

Governo brasileiro - Sobre a ideia do governo brasileiro, de que os países desenvolvidos deveriam pagar os em desenvolvimento para manter as florestas, Timmermans disse não ter falado com o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. “Não posso imaginar que não chegaremos a um ponto em comum de entendimento sobre como vamos proteger os nossos bens globais comuns como as florestas tropicais”, afirmou. “Mas tenho de ser muito claro: qualquer acordo que tivermos deve ajudar a irmos adiante [no Acordo de Paris], e não para trás.” (Valor Econômico)

 

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