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INTERNACIONAL: Brasil sela paz com Argentina e recebe pedido sobre o FMI

internacional 13 02 2020Após seguidas trocas de farpas entre os presidentes Jair Bolsonaro e Alberto Fernández, Brasil e Argentina finalmente trocaram o clima de hostilidade pela retórica da paz entre os países. A bandeira branca foi levantada durante visita nesta quarta-feira (12/02) do chanceler argentino, Felipe Solá, a Brasília.

Cordialidade - No Palácio do Itamaraty, onde Solá se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, prevaleceu um ambiente de cordialidade e afagos públicos entre os dois, que chegaram a posar para uma foto abraçados depois de uma breve declaração conjunta.

Potencialização - “Quando Brasil e Argentina falam juntos, é uma voz que se potencializa”, afirmou Araújo, em nítida mudança de tom. Antes da posse de Fernández, em dezembro, o ministro havia cogitado a possibilidade até mesmo de saída do Mercosul. O bloco, segundo ele, é uma “plataforma eficiente para reposicionarmos os nossos países na economia mundial”.

Mesma linha - Solá respondeu na mesma linha, fazendo jus ao perfil de peronista moderado e conciliador que conquistou em sua carreira política, como ex-governador da Província de Buenos Aires. No entanto, ele aproveitou o encontro para fazer um pedido diante de integrantes da equipe econômica, como o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais, Marcos Troyjo.

Relato - O chanceler argentino relatou como estão as conversas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que abriu linha de crédito no valor total de US$ 55 bilhões para o país, a fim de renegociar os termos do empréstimo. O governo do ex-presidente Mauricio Macri, que deixou a Casa Rosada em dezembro, tomou US$ 45 bilhões - “uma dívida absurda”.

Apoio - Segundo ele, no giro recém-concluído pela Europa, Fernández buscou o apoio de líderes europeus e houve “receptividade inicial muito boa” no próprio FMI para uma renegociação. “Pedimos aos irmãos brasileiros que nos apoiem da forma como puderem”, cobrou.

Calote - Solá garantiu que não haverá repetição do calote na dívida, como em 2001, enfatizando a necessidade de “tempo para crescer e para pagar”. E atrelou as boas relações, com o Brasil e com o mundo, ao êxito das tratativas: “O futuro da Argentina e do comércio dependem do sucesso dessa negociação”.

Sem comentários - Autoridades brasileiras, ainda cautelosas com o novo relacionamento entre os dois países, evitaram comentar - mesmo reservadamente - se o pedido do chanceler se refletirá em apoio efetivo no FMI. Foi unânime, porém, a avaliação de que finalmente houve uma quebra de gelo e o diálogo começou a fluir. Chamaram a atenção de representantes do governo, principalmente, as falas de Solá sobre o tratado Mercosul-União Europeia e sobre a possibilidade de novos acordos.

Estratégia - “Entendemos que, como estratégia, o Mercosul deve celebrar acordos de comércio com outros países para crescer. Nós vemos esses acordos com uma mente aberta e vamos atuar para não sermos uma trava”, disse Solá.

Engajamento - Questionada sobre a interpretação que fez dessa frase, se a Argentina demonstrava engajamento no processo de abertura comercial ou se permitiria velocidades diferentes na eliminação de tarifas em futuros acordos, uma autoridade brasileira lembrou ao Valor que a “cláusula de vigência bilateral” existe para ser usada. Essa cláusula foi introduzida no tratado Mercosul-UE e permite que o acordo entre em vigência em um dos sócios do bloco sul-americano tão logo seja ratificado pelo Parlamento nacional de cada país, sem a necessidade de esperar pelos demais.

Compromisso - Outra fonte disse que os argentinos se comprometeram com a ratificação do acordo Mercosul-UE e transmitiram uma mensagem de que aceitam discutir propostas de redução da Tarifa Externa Comum (TEC). Só teriam feito pedido para o Brasil “pegar leve” no discurso.

Relação pragmática - Depois de um almoço no Itamaraty, Solá foi recebido por Bolsonaro no Palácio do Planalto e saiu prometendo uma “relação pragmática”, sem prejudicar os negócios, entre Brasil e Argentina. O presidente brasileiro propôs um encontro inicial com Fernández no dia 1º de março, em Montevidéu, durante a posse do presidente do Uruguai. Seria, nas palavras do chanceler, um “passo intermediário” na tentativa de aproximá-los. (Valor Econômico)

 

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