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USDA: Surpresa no relatório de área plantada eleva preços de soja e milho em Chicago

usda 01 07 2020O mercado da soja recebeu bem os números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta terça-feira (30/06) e encerrou o dia com altas de quase 20 pontos nos principais contratos. "O relatório surpreendeu, principalmente para o milho, o que trouxe uma combinação explosiva, e acabou puxando a soja também", explica Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest Commodities.

Preços - Os preços terminaram o dia com ganhos entre 17,75 e 20,75 pontos, levando o julho a US$ 8,84 e o novembro a US$ 8,82 por bushel, com as cotações registrando uma reação tão intensa como há semanas não se via na CBOT.

Números do USDA / área de plantio - A área de soja foi reportada em 33,91 milhões de hectares (83,8 milhões de acres), 10% maior do que na safra 2019/20. A média esperada pelo mercado era de 34,3 milhões de hectares, em um intervalo de 34,12 a 34,64 milhões. Em março, o estimado pelo USDA foi de 33,8 milhões. A área com soja deverá ser maior ou ficar inalterada em relação ao ano passado em 24 dos 29 estados que a cultivam.

Milho - Sobre o milho, o departamento trouxe a área plantada em 37,23 milhões de hectares (92 milhões de acres), ou seja, 3% maior do que na temporada anterior. As projeções dos traders variavam entre 38,04 a 38,85 milhões de hectares, com média de 38,53 milhões. Dos 48 estados produtores de milho, 28 deverão aumentar ou manter sua área de cultivo.

Mercado em Chicago - Ainda como explica Vanin, apesar dessa reação positiva e forte dos preços neste pregão, o mercado ainda pode sentir alguma pressão diante das boas condições de clima em que se desenvolve a nova safra de grãos dos EUA. Apesar da área estimada nesta terça estar perto do esperado pelo mercado, a produtividade poderia surpreender e compensar.

Precificação - "Aos poucos será precificado a entrada da safra americana, que pode ser maior do que hoje os números apontam", diz o analista. Já para os estoques finais da nova temporada, os estoques finais poderiam ficar abaixo das 11 milhões de toneladas e ajudar no balanceamento do mercado.

Próximos relatórios - Em contrapartida, Vanin explica também que em seus próximos relatórios mensais, o USDA ainda poderia revisar para baixo a demanda pela soja norte-americana, com as exportações da nova temporada atualmente estimadas em 56 milhões de toneladas. E esse volume não deverá ser alcançado com a competitividade do Brasil carregando ainda boas perspectivas para o próximo ano.

Brasil - "A área deve crescer (no Brasil) e, imaginando um clima normal, uma safra potencial de 128 a 130 milhões de toneladas, e o Brasil seria imbatível em termos de preços comparado aos EUA a partir de março para frente (...) Não é uma preferência (pela soja brasileira), mas o apetite da venda do produtor. Enquanto o americano não está vendendo, o Brasil vende e vai preenchendo esse canal de exportação", explica o analista da Agrinvest.

Mercado brasileiro - No Brasil, as cotações nos portos também subiram, acompanhando as altas em Chicago e do dólar, que encerrou o dia com ganho de 0,27% e valendo R$ 5,44. Em Paranaguá, a soja disponível fechou com R$ 114,50, subindo 1,33%, enquanto o fevereiro/21 ficou em R$ 108,50 e alta de 1,40%. Em Rio Grande, R$ 114,00 e R$ 107,00, respectivamente, subindo 1,79% e 1,90%.

Interior - No interior, os preços seguem fortes, acima da paridade de exportação em diversos pontos do país, porém, nesta terça-feira as altas - que chegaram a superar os 2% - foram pontuais. (Notícias Agrícolas)

FOTO: Pixabay

 

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