VAREJO: Comércio volta a crescer em maio e registra maior alta nas vendas em 20 anos

O volume de vendas do varejo cresceu 13,9% em maio, maior crescimento desde o início da série histórica, em janeiro de 2000. A alta foi insuficiente para o setor recuperar as perdas de março e abril, que refletiram os efeitos do isolamento social para controle da pandemia de Covid-19. No acumulado do ano, o varejo registrou queda de 3,9%. Já nos últimos 12 meses, o cenário é de estabilidade (0%). Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta quarta-feira (08/07) pelo IBGE.

Números - O gerente da PMC, Cristiano Santos, explica que os números positivos aparecem após o mês em que foi registrado o pior patamar de vendas da série histórica (-16,3%). “Foi um crescimento grande percentualmente, mas temos que ver que a base de comparação foi muito baixa. Se observamos apenas o indicador mensal, temos um cenário de crescimento, mas ao olhar para os outros indicadores, como a comparação com o mesmo mês do ano anterior, vemos que o cenário é de queda”, analisa.

Perda de ritmo - A pesquisa aponta uma perda de ritmo dos impactos do isolamento social no comércio. De todas as empresas coletadas pela pesquisa, 18,1% relataram impacto do isolamento em suas receitas em maio. Em abril, esse número era 28,1%, o maior percentual desde o início da pandemia. Com isso, há a indicação de crescimento nas atividades dessas empresas.

Massa salarial - “A massa salarial teve uma queda de 7,3 bilhões no último trimestre, como apontou a PNAD Contínua. Mas em maio também teve uma parcela do 13º salário dos aposentados e o auxílio emergencial, que já estava na sua segunda edição, benefícios que a massa de rendimento não engloba. Então muitos fatores colaboram para esse crescimento, como o próprio aumento das atividades. De alguma maneira, houve algum impacto na abertura dessas lojas físicas e também uma acomodação no modo diferente de trabalhar, como as entregas, por exemplo”, comenta Cristiano.

Atividades - Todas as oito atividades observadas no comércio varejista registraram taxas positivas na passagem de abril para maio. Entre as que apresentaram maior crescimento percentual estão Tecidos, vestuário e calçados (100,6%), Móveis e eletrodomésticos (47,5%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (45,2%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (18,5%). Já o setor de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que tinha recuado em abril, cresceu 7,1% em maio.

Varejo ampliado - O comércio varejista ampliado, que inclui também as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material e construção, cresceu 19,6% em relação a abril, descontando parte da queda dos dois meses anteriores. A atividade Veículos, motos, partes e peças cresceu 51,7%, enquanto Material de construção registrou 22,2%.

Unidades da federação - As 27 unidades da federação tiveram crescimento no volume de vendas do comércio varejista na passagem de abril para maio. Entre os maiores destaques estão Rondônia (36,8%), Paraná (20,0%) e Goiás (19,4%). No comércio varejista ampliado, a variação também foi positiva nas 27 unidades da federação, com destaque para Rondônia (35,2%), Rio Grande do Sul (27,9%) e Espírito Santo (27,1%).

Comércio registra queda de 7,2% na comparação com maio de 2019 - Quando comparado com maio de 2019, o comércio varejista recuou 7,2%, com taxas negativas em sete das oito atividades. A maior contribuição no campo negativo no indicador interanual veio do setor de Tecidos, vestuário e calçados, que recuou 62,5%.

Hipermercados - O setor de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo foi o único setor a crescer no indicador interanual, com aumento de 9,4%. A pesquisa indica que esse resultado se deve ao fato de que o setor foi considerado uma atividade essencial, o que manteve suas lojas físicas abertas durante o período de quarentena.

Artigos farmacêuticos - Já o setor de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, que abriga atividades também consideradas essenciais, recuou 2,6% nas vendas frente a maio de 2019, sendo a segunda taxa negativa consecutiva. Apesar de não ter tido suas lojas físicas fechadas durante a pandemia, o setor vem registrando perda de ritmo. (Agência IBGE de Notícias)

varejo 08 07 2020

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