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LIVE: Evento online discute desafios do planejamento estratégico em tempos de incerteza

“Com sua vasta experiência como consultor, alguma vez a pandemia apareceu como uma ameaça nas suas análises SWOT, em tantos planejamentos que você já fez na vida?” Com essa provocação ao palestrante Rui Rocha, da Partner Consulting, o coordenador de Desenvolvimento Cooperativo do Sescoop/PR, Leandro Macioski, iniciou o debate sobre “Os desafios do planejamento estratégico em tempos de incertezas”, tema da 21ª live promovida pelo Sistema Ocepar, por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop/PR), na tarde de sexta-feira (31/07), pela plataforma Microsoft Teams. Participaram 70 pessoas, entre profissionais das cooperativas paranaenses e do Sistema Ocepar.

SWOT - A análise SWOT é utilizada nos planejamentos estratégicos para auxiliar as organizações a identificar as forças, oportunidades, fraquezas e ameaças relacionadas aos seus negócios. Com 20 anos atuando como consultor e estrategista de negócios, “fazendo planejamento estratégico e ajudando as empresas nesse trabalho”, Rocha disse que nunca identificou um cenário com Covid-19. “Realmente é algo inusitado. O planeta inteiro está sofrendo com isso. Acredito que cada um, em sua empresa, no seu local de trabalho, nos seus negócios, sabe o quanto tem sido difícil passar por um momento como esse, mas que está gerando muitos aprendizados, que podemos compartilhar com vocês”, disse Rocha.

Acelerador de futuros - Ele destacou que a pandemia do novo coronavírus é um acelerador de futuros. Rocha citou como exemplo uma empresa em que presta consultoria. “É uma empresa com faturamento de R$ 700 milhões, que colocou no planejamento estratégico desenvolver um canal de comércio eletrônico até 2023, que contemplasse 10% das vendas. Com o lockdown, chegaram entre 47% e 60% das vendas em comércio eletrônico. Tiveram que fazer agora algo que estava previsto para o futuro. A empresa não tinha infraestrutura necessária pois não estava preparada para essa situação. Mas, em 40 dias, reformaram a plataforma tecnológica e conseguiram refazer todos os caminhos. Assim, o que estava previsto para 2023 teve que ser feito agora, como meio de sobrevivência. As ações e investimentos também foram antecipados para dar conta do negócio e isso aconteceu com várias empresas. Verdadeiramente estamos vivendo num tempo de acelerar o futuro”, frisou.

Velocidade e assertividade- Em sua avaliação, os fatores determinantes para superar os obstáculos e obter sucesso nesse quadro de crise provocado pela Covid-19 são: velocidade e assertividade. “Velocidade é a palavra. As empresas que conseguem ter um planejamento que permita rapidamente identificar as mudanças de mercado e se adaptarem a elas são as que se saem melhor em momentos de crise. Mesmo porque não basta apenas ter um planejamento estratégico. É algo imprescindível, importante, mas, se não der a devida atenção, se não souber conduzi-lo, não será bem-sucedido. Tanto que 44% dos planos estratégicos das empresas acabam fracassando por causa de falhas na execução. São belas estratégias, belos planos de ação mas que, sem uma pegada de implantação, pouco adiantam”, afirmou. “Os planejamentos estratégicos também têm que ser mais cleans, mais focados, com menos firulas, e orientado para que as empresas conduzam seus negócios de forma mais assertiva. A assertividade e o foco são fundamentais nesse momento para sair de crises como a que estamos passando”, acrescentou.

Mudanças - Rocha destacou ainda a importância das empresas terem equipes com profissionais abertos a mudanças. “É necessário ter pessoas com perfil adequado para encarar desafios. Porque eu tenho certeza de que a empresa cuja equipe não consiga fazer as mudanças com a rapidez e a velocidade necessárias é prejudicada. O que eu estou aprendendo com a pandemia é como a velocidade e a assertividade com que as coisas são feitas fazem a diferença. Como não foi possível identificar a crise com antecedência, temos que ser rápidos para agir. A empresa deve que ter jogo de cintura para isso e, ao mesmo tempo, é preciso ter pessoas. Hoje ser rápido, versátil, conectado e assertivo é fundamental, pois não dá para ficar tentando muitos tiros para acertar o alvo. Tem que ser assertivo e isso se faz com uma equipe com perfil adequado. As empresas, então, vão valorizar executivos e profissionais que tenham essa mobilidade, essa versatilidade de entender o momento e fazer a mudança rapidamente. Isso está comprovado agora”, acrescentou.

Mundo VUCA - Rocha também discorreu sobre as os conceitos usados para descrever o mundo que vivemos atualmente, sintetizado na sigla em inglês VUCA: Volatility (volatilidade), Uncertainty (incerteza), Complexity (complexidade) e Ambiguity (ambiguidade). “É um mundo volátil, onde tudo muda muito rápido. Incerto, pois essa falta de previsibilidade já era algo latente nas empresas e nos negócios. É complexo, porque tem muitas variáveis e estamos vivendo isso nesse momento. Também é ambíguo porque há muitas interpretações sobre a mesma situação”, frisou. “O mercado atual está em constante estado de VUCA. Nesse contexto, saber como reagir ou se preparar para a mudança de cenários é fundamental para se manter no jogo.”

Erros - O palestrante apontou ainda os erros que devem ser evitados em relação ao planejamento estratégico, entre os quais: confundir planejamento com orçamento; fugir do risco razoável; centralizar o plano em uma pessoa só; ter medo de mudar e esquecer de motivar e recompensar. “Trabalhar com planejamento estratégico é valorizar. Há a questão da meritocracia e as equipes de alto desempenho, que fazem acontecer, fazem a diferença, precisam ser reconhecidas e motivadas”, frisou. Rocha listou também os fatores críticos de sucesso, como patrocínio; cultura; envolvimento; divulgação e comprometimento e respeito à metodologia. “É preciso saber o caminho que se quer seguir ou não seguir e respeitar esse caminho”, destacou. Ao final, Rocha citou a frase de Peter Drucker, escritor, professor e consultor administrativo de origem austríaca, considerado como o pai da administração ou gestão moderna: “Planejamento de longo prazo não lida com decisões futuras, mas com o futuro das decisões presentes.” E ele reforçou: “São as decisões que tomamos agora que impactam no futuro. Isso é bastante importante. Não dá para deixa chegar lá para ver o que eu faço. Tem que pensar agora”, sublinhou.

PRC200 - No início da live, o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, agradeceu Rocha e à Partner Consulting pelo trabalho realizado na construção e execução do PRC100, o planejamento estratégico do cooperativismo paranaense, iniciado em 2015 e cuja meta financeira, de alcançar R$ 100 bilhões, deverá ser alcançada neste ano. “A nossa previsão inicial é no final do ano ultrapassar um pouco os R$ 100 bilhões. Isso não tem bem a ver com a curva normal, até porque tivemos um ano excepcional de produção e de preços, motivado pelo nível cambial, mas acho que vamos fechar um ciclo, isso que é importante. A ideia é comemorar essa conquista nos 50 anos da Ocepar, no dia 2 de abril de 2021, e iniciar um novo processo”, disse Ricken. “Agora, nós lançamos um novo desafio, o PRC200, no Fórum dos Presidentes, realizado no dia 28 de julho, com 183 participantes. Colocamos a proposta em votação e houve 153 aprovações. Eu acho que os outros não conseguiram votar. Quero aproveitar a oportunidade para falar sobre a importância da Partner nesse processo e agradecer pela parceria. Vamos agora para uma nova jornada. Isso é uma demonstração de que o planejamento deu certo”, complementou o presidente do Sistema Ocepar.

Novo desafio - Segundo Ricken, o próximo passo é chegar a R$ 200 bilhões de faturamento. “Dobrar o valor do faturamento do setor é uma simbologia, um desafio. Parece um valor absurdo, mas nós projetamos atingi-lo em três hipóteses: natural, conservadora e uma bem mais conservadora. Nós vamos nos estruturar para isso, calcular tudo, usar a metodologia. Quem planeja, tem mais chance de acertar o alvo e isso vale como lição para todos. E, se existe uma pequena diferença do cooperativismo paranaense em relação a outros estados, é que aqui sempre houve planejamento”, frisou.

Caminho certo - Para Rocha, o cooperativismo paranaense está no caminho certo. “O modelo de cooperativismo do Paraná é o mais desenvolvido do país, é uma referência, sem dúvida, e muito disso é realmente é resultado do planejamento. Vocês são bem organizados. O cooperativismo do Paraná se desponta e eu conheço muitos líderes do setor. São pessoas muito conectadas. Gosto muito de falar com elas, porque sabem do que estão falando, fruto de benchmarking, viagens de intercâmbio, das ações de capacitações, enfim, o cooperativismo do Paraná investe muito nas pessoas e isso faz com que as coisas deem certo e é só olhar o resultado que, se comparado com o de outros estados, demonstra uma grande diferença, não só em relação ao desempenho econômico-financeiro mas, também, quanto às pessoas”, afirmou o consultor.

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