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LIVE LITERÁRIA: “Sapiens, uma breve história da humanidade” é tema do primeiro evento promovido pelo Sistema Ocepar

Sapiens, uma breve história da humanidade, um best seller internacional recomendado por Barack Obama, Bill Gates e outras celebridades. Esta foi a obra escolhida para ser tema da primeira live literária promovida virtualmente pelo Sistema Ocepar. E, dessa forma, mostrando a influência do livro entre grandes lideranças mundiais, a bibliotecária do Sistema Ocepar, Edite Viana dos Santos Alves, o apresentou aos cerca de 45 participantes que acompanharam o evento, realizado no final da tarde de sexta-feira (28/08). Ela lembrou que a iniciativa é uma extensão do projeto “Estante Itinerante”, implantado pela biblioteca da entidade com o propósito de incentivar o hábito da leitura entre os funcionários. O evento foi conduzido com o apoio do coordenador de Comunicação, Samuel Milléo Filho, e aberto pelo superintendente da Ocepar, Robson Mafioletti.

Autor - Lançado originalmente em 2011, em Israel, o livro Sapiens foi publicado em 2015. O autor é Yuval Noah Harari, professor israelense de História da Universidade Hebraica de Jerusalém. “A obra descreve o nosso passado, o presente e o futuro, seguindo uma linha cronológica iniciada desde que éramos caçadores/coletores. Muitas vezes nos questionamos, principalmente quando crianças: mas por que conhecer história? O que interessa é o presente; o futuro é incerto. Porém, não é bem assim. Conhecer o passado nos faz entender o presente e planejar o futuro. Sapiens, o tema desta live, trata sobre a história da humanidade, a evolução do ser humano, da idade da pedra até os dias atuais”, ressaltou Edite.

Convidado - O convidado para bater um papo informal sobre a obra foi o consultor-sênior do Sebrae-PR, Ricardo Dellamea. Economista, iniciou os estudos acadêmicos em Buenos Aires, na Argentina, na Universidad del Salvador. É pós-graduado em comércio exterior pela FAE Business School, de Curitiba (PR), e mestre em Gestão Empresarial pela Esade, de Barcelona, na Espanha. Especializou-se em assuntos ligados ao Mercosul, integração econômica e micro e pequenas empresas, planejamento estratégico, entre outros. Dellamea começou destacando o autor do livro tema do encontro. “Harari é um fenômeno mundial. O mundo inteiro hoje, de certa forma, está sendo influenciado um pouco pela obra e pelo pensamento dele. É quase como se houvesse uma espécie de agenda global tratando de temas que o autor aborda no livro e que até então não apareciam muito na pauta”, afirmou.

Perspectiva - De acordo com ele, isso é perceptível especialmente por meio de artigos publicados em jornais e declarações de grandes lideranças mundiais que trazem à tona ideias defendidas pelo autor de Sapiens. Para Dellamea, Harari apresenta a história da humanidade a partir de uma cronologia muito mais abrangente. “Ele coloca a linha histórica desde a criação do mundo de fato, numa linha de tempo que retrocede ao Big Bang, há 13,5 bilhões de anos. E, às vezes, nos perguntamos quando imaginaríamos analisar a história a partir de 13,5 bilhões de anos atrás?”, acrescentou. “Já em relação ao surgimento da espécie humana, Harari mostra que a divisão para nosso ancestral comum do macaco ocorreu há 2,5 milhões de anos e Sapiens aparece no período de 200 mil a 500 mil anos atrás. Não estamos acostumados com essas grandes dimensões históricas e isso nos desperta uma outra perspectiva”, acrescentou.

Grandes revoluções - Ao fazer a contextualização do livro, Dellamea destacou ainda que Sapiens é dividido em cinco temas que abordam as grandes revoluções vividas até o momento: a revolução cognitiva, a revolução agrícola, a unificação da humanidade, a revolução científica e o homem se tornou um Deus. Ele apontou algumas curiosidades da obra, como o fato de ter havido outras cinco raças humanoides coexistindo na Terra, juntamente com Sapiens, que se sobressaiu por possuir uma mutação genética, o que colaborou para que outras tribos, que viviam de forma isolada, passassem a querer conviver de modo mais conjunto, compartilhando crenças. “O autor fala, em determinado momento que a diferença real que existe entre nós e os chimpanzés é a ‘cola mítica’, que une grandes quantidades de indivíduos, famílias e grupos. Essa ‘cola’ nos tornou mestres da criação. Essa capacidade abstrata de criar mitos é que fez com que o Sapiens, por uma mutação genética, começasse a convencer outras tribos nômades, que tinham um limite natural de 150 indivíduos aproximadamente, a se somar ao seu grupo”, sublinhou.

Debate - Por aproximadamente uma hora e meia, Dellamea e Edite destacaram diversos outros fragmentos da obra, entre os quais, o ponto de vista de Harari sobre a revolução agrícola. “Ele foi muito crítico sobre essa questão, dizendo que não foi o homem que dominou a agricultura, mas a agricultura que o domesticou pois, a partir daí, a humanidade começou a trabalhar de forma sistemática para assegurar sua alimentação”, disse Dellamea. “Por outro lado, hoje temos mais indivíduos vivos mas pior alimentados em relação aos caçadores/coletores”, comentou Edite. Harari afirmou ainda que nos últimos 100 anos, a humanidade superou três questões: a fome (o problema hoje é mais de distribuição de alimentos e não a sua falta), a guerra e a peste. Mas, com o advento da Covid-19, que aflige o mundo todo, Dellamea afirmou que Harari está preparando as “Notas pós-pandemia”, com reflexões sobre o cenário vivido atualmente a partir do novo coronavírus.

Esgotamento - Para o autor de Sapiens, a humanidade também está chegando ao seu limite. “O humanismo está numa espécie de esgotamento porque o homem não tem mais medo de nada. Se eu não tenho mais medo de nada, eu posso manipular células, eu posso brincar de Deus. Em grandes linhas, Harari propõe esse esgotamento. O que virá depois disso? Aparentemente será uma filosofia de computadores/máquinas subjugando humanos. É esse o cenário mais o menos que o autor do livro traça. E ele diz, fiquem espertos, se vocês não se espertarem, esse é um risco bastante concreto, segundo a visão dele”, frisou.

Incentivo - Edite e Dellamea encerraram o evento desejando que mais pessoas sintam-se estimuladas a mergulhar na leitura de Sapiens, uma breve história da humanidade. “O objetivo dessa live é motivar quem ainda leu, que saia incentivado a ler o livro. E quem leu fica com vontade de continuar a discutir o seu conteúdo. Foi essa a proposta desse evento. Sempre estarei à disposição para a gente conversar, refletir e evoluir. Não se trata de ser dono da verdade, nem de ter respostas objetivas, mas, sim, de manter essa dinâmica de diálogo e raciocínio, algo que não fica obsoleto, pode ter certeza. Ler, dialogar e refletir são habilidades e práticas que ainda vão ter espaço dentro da nossa condição humana”, finalizou Dellamea.

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