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COMPLIANCE EXPERIENCE I: A importância da ética e do compliance para o futuro das organizações

 

A manchete acima foi o tema do último encontro da série Compliance Experience, promovido pelo Sistema Ocepar de forma on-line, por meio de uma transmissão privada pela TV Paraná Cooperativo no Youtube. O evento, realizado na tarde desta terça-feira (22/09), contou com a participação de 135 profissionais gestores de cooperativas paranaenses. Na oportunidade, também foi realizado o lançamento de um Manual de Procedimentos de Compliance em Sociedades Cooperativas (veja matéria).

 

Temas- Promovida pelo Sistema Ocepar, por intermédio do Sescoop/PR, a série Compliance Experience visa contribuir para a sustentabilidade das cooperativas paranaenses. O primeiro encontro foi realizado no dia 1º de setembro, com o tema “Governança e privacidade de dados” e o segundo, ocorrido no último dia 10/09, tratou de “Compliance e investigações internas”. O terceiro, no dia 15/09, abordou “A evolução dos programas de compliance em diversos setores” e este último foi sobre “A importância da ética e do compliance para o futuro das organizações”.

 

Princípios - A abertura do evento foi realizada pelo superintendente do Sescoop/PR, Leonardo Boesche, que destacou sobre a importância da realização desta série de quatro encontros, que tratou de diferentes temas de interesse das cooperativas. “Por si só o sistema cooperativista já tem em seu DNA a integridade e a transparência, afinal, seguimos a riscas princípios fundamentais para a boa gestão. A implementação do programa no sistema se fez necessária diante das exigências do próprio mercado e, com esses encontros, pudemos ouvir especialistas das mais diferentes áreas. Temos que fazer aqui uma menção especial pela parceria com a PUCPR que nos ajudou na operacionalização do programa”, destacou. Os trabalhos do Compliance Experience foram conduzidos pelo coordenador de Gestão Estratégica, Alfredo Benedito Kugeratski Souza, e pela advogada do Sescoop/PR, Daniely Andressa da Silva, e o último encontro da série contou com a presença do professor, Bruno Henrique Rocha Fernandes, Decano da Escola de Negócios da PUCPR.

 

Ética - A primeira palestra foi realizada pelo professor e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da PUCPR, Jelson de Oliveira, que abordou o tema: “A importância da ética e do compliance para o futuro das organizações”. Para Oliveira, “o momento que vivemos é muito complicado, especialmente em relação a questões ligadas à ética e à economia. O momento é decisivo e precisamos redesenhar criativamente o nosso futuro. Não podemos deixar os outros fazerem isso por nós”.

 

Liderança - Ele citou um pensamento de Ralph Waldo Emerson: “Nosso desejo é alguém que nos inspire a ser o que sabemos que podemos ser. Precisamos sempre de alguém que nos indiquem o caminho, lideranças inspiradoras, não somente com palavras, mas com testemunhos, com atitudes éticas e transparentes na prática. Por isso, precisamos de compliance, estar em conformidade com a lei e em conformidade com a ética no dia a dia. O compliance só vai fazer sentido na medida em que todas nossas forças estiverem orientadas para uma prática desta conformidade. Que abranja a vida de toda nossa organização. O colaborador só vai se envolver depois que ver os outros envolvidos e comprometidos”, frisou.

 

Alternativa ética - O professor Jelson de Oliveira alertou para alguns pontos fundamentais que precisam ser observados: intolerância contra a corrupção; falta ou ineficiência do controle; falta de capacidade de previsão, ignorância dos riscos, imprecisão de cenários, falta de democracia, falta de transparência e individualismo. “Agir com ética só traz benefícios”, afirma o professor. Ele lembrou de uma fala de Aristóteles sobre ética: “os homens são bons de um modo apenas, porém são maus de muitos modos”. Para Oliveira, com ética há aumento de eficiência, confiança, produtividade e satisfação. Segundo ele, é preciso reconhecer a empresa ou cooperativa como um espaço eticamente educativo, de renovação cultural com compromissos e valores.

 

Pontos a considerar - O professor concluiu sua apresentação afirmando que é preciso “redefinir os processos industriais, pensar em produção de energia limpa, redefinir as necessidades de consumo, o uso dos recursos, a logística reversa, o reaproveitamento do lixo, as teorias de probabilidade, a avaliação de parâmetros, a implementação de algoritmos e a análise recursiva dos eventos. Também, a nterdisciplinaridade, análise de múltiplos paradigmas, inteligência artificial, investimentos em pesquisa, políticas tecnológicas adequadas e incentivos legais eficientes”.

Transparência - Giovani Agostini Saavedra foi o segundo palestrante que abordou o tema “Como os programas de compliance contribuem para uma gestão transparente e sustentabilidade dos negócios”. Ele é professor da Universidade Mackenzie nos cursos de graduação, especialização, mestrado e doutorado e advogado com longa experiência nas áreas de Compliance, Governança Corporativa e Proteção de Dados. “Não existe sustentabilidade nem gestão transparente de negócios sem compliance. Na verdade, a ideia de sustentabilidade surge com evolução dos institutos de governança e compliance. Só cumprir normas não protege ninguém”, alertou.

ESG - Durante sua palestra, Giovani questionou a todos: “antes de surgir o compliance podia se cometer crime e agora não? Evidente que não, as leis sempre existiram. O normal é estarmos em conformidade com todos dos deveres impostos pelas leis”. Um dos exemplos apresentados por ele foi uma carta anual para CEOs, a BlackRock, a maior gestora de investimentos do planeta com mais de US$ 7 trilhões sob gestão, que anunciou uma série de iniciativas para colocar a prática de investimentos sustentáveis no centro da construção de carteiras e da gestão de risco. Uma mensagem clara de que removeriam investimentos em empresas que não respeitarem as normas ESG - Environmental, Social and Governance, que numa tradução acrônica quer dizer: ambiental, social e de governança. Ressaltam, ainda, que empresas são incapazes de gerar lucros no longo prazo caso se não tiverem um propósito e não considerarem as necessidades de uma ampla base de stakeholders: “Propósito, acima de tudo, é o motor da lucratividade no longo prazo”, afirmou Laurence D. Fink, CEO da BlackRock.

Exigências - “O Bank of America avalia um mercado potencial de US$ 20 trilhões para investimentos sustentáveis, isso equivale a 80% do valor de mercado das 500 maiores empresas americanas. Questões ambientais, sociais e de governança corporativa não são opcionais para o investidor. A incorporação de elementos ESG ao compor carteiras pode aumentar os retornos ao passo que reduzem o risco. Essa evolução tem repercussão no Brasil e, cada vez mais, os elementos de ESG serão exigidos para fins de concessão de financiamento, participação em licitações etc. “Essa ideia de achar que estamos em conformidade está errada. Cumprir as normas é uma obrigação de todo cidadão brasileiro. Qual seria a diferença de um departamento jurídico de um departamento de Compliance se pensássemos assim”, questiona o palestrante.

Desafios - Giovani fala sobre alguns desafios de compliance: 1) Compreensão equivocada do que seja compliance; 2) Baixa profissionalização; 3) Busca por “modelos” e “mentoria” de custo baixo sem se preocupar com o que efetivamente importa; 4) Buscar sempre a simplificação e não encarar a complexidade dos problemas; 5) Confiança de que “nunca” vai acontecer conosco, porque “nunca” aconteceu e porque somos éticos. “Para isso, é necessário implementar um sistema de gestão de compliance com elementos principais e metodologia de implementação: governança corporativa; compliance e privacidade e gestão de dados. “Temos que coordenar todo este processo de forma atenta”, frisou.

Avaliação de riscos - As referidas metodologias são constituídas de algumas etapas fundamentais: 1) conhecer a empresa; 2) conhecer seu ambiente legal e as suas obrigações de compliance; 3) Realizar entrevistas e análise de documentos; 4) fazer testes e checagem dos dados levantados; 5) Identificar Riscos e Fatores de Risco; 6) Realizar avaliação de probabilidade; 7) Desenvolver Matriz de riscos; 8) Realizar monitoramento. “A avaliação de riscos conecta-se com o sistema de gestão de compliance de maneira essencial, dado que, tanto o escopo, quanto o projeto de implantação do sistema de gestão de compliance são construídos a partir da avaliação de riscos”, lembrou Giovani.

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