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COOPER LÍDER I: Com novidades e grande público, Encontro destaca o protagonismo feminino no cooperativismo

A 15ª edição do Encontro Estadual das Lideranças Femininas Cooperativistas foi realizada, na tarde de sexta-feira (25/09), trazendo novidades e atraindo grande público. Desta vez, foi promovido pelo Sistema Ocepar, por meio do Sescoop/PR, em formato virtual, transmitido pelo canal da entidade no Youtube, na TV Paraná Cooperativo, o que possibilitou reunir até 768 espectadores, quase três vezes mais que o evento realizado em 2019, que contabilizou a participação presencial de 270 mulheres em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná. Também ganhou um novo nome: Cooper Líder Feminino, em substituição ao Elicoop Feminino, e uma nova identidade visual. “As mudanças foram significativas e necessárias para acompanhar esses novos tempos”, ressaltou a analista do Sescoop/PR, Eliane Lourenço Goulart Festa, coordenadora do evento.

Protagonismo feminino - Repaginado, o Encontro preservou sua essência e as mulheres foram as protagonistas da programação. Elas representam atualmente 45% da força de trabalho e 54% do quadro de cooperados do cooperativismo paranaense. Além disso, há 96 conselheiras fiscais, 76 integrantes em diretorias e 11 mulheres atuando como presidentes, no comando de cooperativas no Paraná. “Comparativamente, ainda é um número baixo, mas que vem evoluindo com o trabalho que as cooperativas e o Sistema Ocepar vêm realizando para promover o desenvolvimento, a valorização e o reconhecimento do público feminino”, frisou a analista do Sescoop/PR, Mariana Balthazar, que conduziu o Cooper Líder Feminino juntamente com o superintendente do Sescoop/PR, Leonardo Boesche.

Abertura - O Encontro Virtual das Lideranças Femininas Cooperativistas foi aberto oficialmente pelo presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken. Ele falou sobre o momento vivenciado com a pandemia do novo coronavírus, os desafios enfrentados dentro dessa nova realidade, as oportunidades que o cooperativismo não pode perder e a importância da liderança feminina. De acordo com Ricken, a entidade teve que se adaptar aos novos tempos e, desde que o isolamento social foi implantado como medida sanitária para evitar a propagação da Covid-19, todas as atividades estão sendo realizadas virtualmente com a preocupação de atender as demandas do setor. “Nós nos replanejamos, nos reinventamos, e hoje realizamos a 155ª reunião gerencial para nós conduzirmos de uma forma diferenciada o trabalho que está sob a nossa responsabilidade”, frisou. “O momento é inusitado, ninguém poderia imaginar, lá em março, que nós estaríamos na situação que estamos hoje”, afirmou.

Consequências - “Ninguém vai ficar imune às consequências desse momento. Pessoas e empresas vão ser afetadas de forma direta ou indireta. Nós do cooperativismo, que temos excelência em atividades essenciais, seja no agro, no crédito, na saúde, no transporte ou no trabalho, não tivemos alternativa. Nós não paramos. Não porque não quiséssemos ou não fosse necessário. Mas imaginem só se nós parássemos as nossas atividades, o que aconteceria com a sociedade?”, questionou. O presidente do Sistema Ocepar citou o exemplo da avicultura. “Nós abatemos por dia o equivalente a 2,5 milhões de aves. Para isso, é necessário ter alojado no campo 100 milhões de aves. E elas ficam entre 40 e 45 dias no campo até ir para o abate, precisam ser alimentadas todos os dias, ou melhor, todas as horas. Não há como parar”. Também destacou as atividades dos ramos transporte, crédito e saúde. “Se tem alguém que temos que reverenciar nesse momento são os profissionais da saúde, que estão se colocando em risco para atender as pessoas. São os nossos heróis”, enfatizou.

Planejamento - Na avaliação de Ricken, não há como falar em retomada no cooperativismo já que o setor não parou. “Como não paramos, temos que dar sequência ao trabalho que estamos fazendo, com prudência e cuidados absolutos. Temos que continuar”, frisou. Nesse sentido, ele afirmou que o cooperativismo paranaense deve concluir o seu planejamento estratégico, o PRC100, cuja meta financeira de atingir R$ 100 bilhões deve ser superada neste ano, e partir para um novo desafio: o PRC200, agora com a proposta do setor atingir R$ 200 bilhões de faturamento. De acordo com ele, embora possa parecer ousado, é possível visualizar o cumprimento desta meta devido ao peso que as cooperativas possuem na agropecuária paranaense, principalmente, lembrando que as cooperativas desse ramo respondem por mais de 80% do faturamento do setor. “Hoje, 60% de tudo que se produz no campo no Paraná vai para as cooperativas. Ou seja, não dá para fazer uma safra agrícola no Estado sem contar com as cooperativas. Não daria para plantar, colher, armazenar, comercializar ou industrializar. Desses 60% que recebemos, 50% já tem valor agregado, então a cooperativa recebe grãos e transforma, por exemplo, em proteína animal, ou em produto acabado. E nós temos a outra metade para fazer. Essa é garantia de que nós podemos chegar aos R$ 200 bilhões de faturamento e muito mais”, salientou.

Investimentos - Ele ressaltou também que neste ano há uma demanda de investimentos no valor R$ 3,5 bilhões, que deverão ser aplicados pelas cooperativas em novas agroindústrias e em novas estruturas de produção. “É desse movimento que participamos. E não é algo tão simples. O cooperativismo hoje engloba no Paraná sete ramos, 2,5 milhões de pessoas associadas e mais 112 mil empregos diretos. Uma cooperativa com agroindústria absorve toda a disponibilidade de mão de obra do município e, muitas vezes, é necessário buscar gente a 70, 80 quilômetros para complementar. Onde há um projeto de desenvolvimento agroindustrial de uma cooperativa, tem desenvolvimento da sociedade como um todo e esse é o grande compromisso nosso”, acrescentou.

Desafios - Sobre os desafios, Ricken disse que o primeiro entrave que o setor teve que enfrentar com a pandemia foi garantir a liquidez dos negócios. “Isso não foi fácil inicialmente. Nós tivemos que buscar alternativas e superamos isso”. Depois, o dirigente falou sobre as oportunidades e lembrou que o cooperativismo tem a grande chance de contribuir com o fornecimento de alimentos para atender a demanda, que é crescente. “Nós temos uma demanda internacional por alimentos muito grande. Daqui a 25, 30 anos serão 9 bilhões de habitantes no planeta e será necessário aumentar em 40% a disponibilidade de alimentos. E qual é o país que tem potencial de ampliar essa oferta? Somos nós. Nós temos clima, solos e usamos apenas 7% da nossa área para produzir grãos. Se contarmos também as pastagens, um quarto do país é utilizado. E nós temos consciência de que produzimos alimentos com responsabilidade ambiental”, frisou.

Oportunidade - “A nossa grande oportunidade é essa. Então, nós temos que nos organizar para atender essa demanda internacional e nacional. Hoje, o cooperativismo está presente em mais de 120 países com seus produtos. E as cooperativas do Paraná têm produtos nos 27 estados deste país”. Ele disse que recentemente viu um vídeo que mostrava os benefícios que o cooperativismo trouxe para um família de cooperados da C.Vale, de Palotina (PR), que estava feliz por causa do apoio recebido da cooperativa para produzir e obter renda. “Se você proporcionar renda para as pessoas, elas não precisam depender de ninguém, conquistam uma condição social, melhoram de vida e podem viver com sua família no local de origem”, afirmou Ricken.

Liderança feminina - O presidente encerrou seu pronunciamento destacando o papel da liderança feminina cooperativista. “Eu tenho a convicção de que a família é a base do cooperativismo. E quem mantém a família unida? Eu vou citar o meu exemplo. Meu pai faleceu quando alguns dos meus irmãos eram bem jovens. Nós nos unimos em torno da nossa mãe, levamos essa missão em frente e criamos todos. Foi ela quem liderou todo esse processo. No Paraná, o cooperativismo agrega 2,5 milhões de pessoas. Como manter todos unidos sem a participação da liderança feminina? Eu acho impossível. Então, temos que dar condições para que vocês se entusiasmem e levem essa missão para frente”, ressaltou.

Capacitação - De acordo com ele, a melhor forma de estimular o protagonismo feminino é por meio da formação. “Queremos investir nas pessoas, para que vocês tenham condições de assumir qualquer posição dentro de uma cooperativa porque o fato de 11 mulheres hoje estarem na função de presidentes é uma decorrência da evolução de onde elas estavam. Isso é natural. Se você está preparada e disposta, alguma oportunidade vai surgir. Dessa forma, vamos nos preparar, vamos investir em nós. Esse é o propósito do Sescoop/PR e da Ocepar. Nós manifestamos isso nas últimas eleições e hoje temos a Yuna Bastos na nossa diretoria”, disse. O dirigente também estimulou as mulheres a manifestarem cada vez mais suas necessidades de capacitação. “Se vocês demandarem, nós estaremos prontos a atender. Esse é o compromisso que quero assumir com vocês. Vamos investir em nós e deixar a natureza nos conduzir para onde ela nos chamar e temos que estar prontos para as oportunidades que não podemos hesitar em aproveitar quando surgirem. Vamos estar preparados e ir em frente”, concluiu.

Sescoop Nacional - Convidada a falar na sequência, a gerente-geral do Sescoop Nacional, Karla Oliveira, que também é integrante do Conselho de Administração do Sescoop/PR e representou o Sistema OCB no evento, apresentou informações do Anuário do Cooperativismo de 2019 referentes à representação feminina no cenário nacional. “Os dados apontam que, em 2014, o número de cooperadas representavam 33% no quadro total de cooperados. Em 2018, esse percentual passou para 36%, um pequeno aumento. Já a participação de mulheres no quadro de colaboradores de cooperativas, em 2018, era de 48%, representando um equilíbrio maior. Agora, quando olhamos a participação das mulheres dirigentes nas cooperativas, esse número no Paraná já é bem mais avançado do que no cenário nacional. Em 2017, as mulheres dirigentes representavam 24% do total. E quando a gente olha para 2018, aumentou um pouquinho, para 25%”, afirmou. “Então, se por um lado temos tido avanços no compartilhamento da rotina diária com nossos maridos e companheiros, por outro, ainda há muito que avançar, bastante espaço para percorrer na participação da mulher no cooperativismo, em especial no aumento da presença das lideranças femininas no setor”, complementou.

Frentes - Na avaliação de Karla, os avanços passam por frentes que necessitam ser trabalhadas de forma simultânea. “Cada vez mais, a mulher precisa buscar o seu espaço, o seu protagonismo em sua atuação, seja por sua qualidade técnica, ou por sua participação, pela representatividade, por seu posicionamento, seja também pelo compromisso efetivo das atuais lideranças na formação de novas lideranças. Também é essencial as cooperativas abrirem cada vez mais espaço para esse protagonismo feminino. Por isso, eu coloco como tão importante iniciativas como essa, do Cooper Líder Feminino, de proporcionar essa troca de experiências, esse compartilhamento de informações com o relato das quatro lideranças”, sublinhou.

Embaixadoras do cooperativismo - A gerente-geral do Sescoop/PR lembrou que ocorreu uma inovação em 2019, quando foi realizado o 14º Congresso Brasileiro de Cooperativismo e, por iniciativa da diretoria da OCB, foi instituído, pela primeira vez, um grupo de mulheres, intituladas embaixadoras do cooperativismo. De acordo com Karla, elas participaram efetivamente do evento e deixaram um manifesto que ela fez questão de compartilhar com os participantes do Encontro: “Para diminuir essa disparidade de gênero dentro do cooperativismo, é necessário respeitar as diferenças biológicas, mas que estas não sirvam de pretexto para subordinar, mas para valorizar as qualidades das mulheres.”

Comitê - “E, para dar continuidade a esse trabalho, de valorizar cada vez mais a participação feminina, as embaixadoras agora fazem parte do Comitê de Mulheres do Sistema OCB, que acaba de ser criado. Tivemos uma atividade com elas há pouquíssimo tempo, na semana passada, e eu tenho a alegria de dizer que quatro delas são do Estado do Paraná, que está bem representado”, disse Karla. Ela destacou ainda outra grande ação destinada à formação de novas lideranças em âmbito nacional, o projeto Somos Líderes. “Ele tem exatamente esse propósito de formar novas lideranças focando no grupo jovem. E há também a participação do Paraná, com duas jovens participando do processo. São espaços importantes que se abrem para esse diálogo, para essa construção. Eu finalizo agradecendo a oportunidade de participar desse evento, parabenizando o Sistema Ocepar por essa importante iniciativa e deixando aqui uma reflexão. Que cenário nós buscamos para promover a participação das mulheres no cooperativismo? Vamos buscar juntas?”, concluiu.

Evolução - Depois, a gerente de Desenvolvimento Cooperativo do Sescoop/PR, Maria Emília Pereira, mostrou como vem evoluindo a participação das mulheres no cooperativismo paranaense e nos eventos de formação. “Nós temos em nossos registros que a organização do quadro social do cooperativismo paranaense, com foco em mulheres, começou em meados de 1960, com a criação da União Feminina da Castrolanda. Em 1998, quando o Sescoop/PR surgiu, houve um incentivo e o impulsionamento dos eventos Porém, os temas naquela época eram mais voltados para artesanato, culinária, corte e costura, o que mostra que a formação da mulher ainda estava um pouco restrita às atividades domésticas”, disse de formação e capacitação feminina.. “Esse cenário é muito diferente hoje. Atualmente boa parte dos eventos promovidos pelo Sescoop para mulheres têm foco no desenvolvimento de pessoas, liderança, gestão, administração da propriedade rural, administração de cooperativas, com os cursos de formação de conselheiros, por exemplo”, acrescentou.

Participações - De acordo com ela, em 2019, foram registradas mais de 273 mil participações nos eventos do Sescoop/PR, com as mulheres representando 46% do total, ou seja, quase 126 mil participações femininas. “Esse é o nosso propósito. Nós queremos oportunizar o ensino, a educação, como disse o presidente Ricken, a capacitação para que também a mulher esteja preparada para assumir o seu papel e o seu espaço no ambiente de trabalho mas, também, nas lideranças pois, acreditamos que, dessa forma, estaremos contribuindo para um cooperativismo de igualdade, para um cooperativismo forte, apoiando a organização do quadro social das cooperativas e também da nossa sociedade”, finalizou.

Agradecimentos - Ao final da abertura, a analista do Sescoop/PR, Eliane Lourenço Goulart Festa, ressaltou as mudanças ocorridas no evento, como no nome, no formato e na identidade visual. “Outra novidade é que tivemos a participação ativa das conselheiras do Sistema Ocepar e do Sescoop/PR, que contribuíram de forma significativa na construção do encontro e são nossas convidadas do painel de hoje. A elas, nosso agradecimento especial. Vocês representam as meninas poderosas do cooperativismo”, disse, agradecendo também aos agentes do cooperativismo pelo trabalho que desenvolvem. “Vocês são o elo entre o Sescoop/PR e as cooperativas”, afirmou.

Programação - O Encontro Virtual das Lideranças Femininas Cooperativistas prosseguiu emocionando, com a presença do poeta, cordelista, declamador e palestrante Bráulio Bessa, que falou ao vivo de Fortaleza (CE). Depois, os participantes puderam se inspirar nas histórias de vida e na trajetória de quatro líderes do cooperativismo paranaense: Yuna Bastos, conselheira de Administração da Sicredi União PR/SP, Solange Martins, presidente do Sicoob Unicoob Meridional, Wemilda Feltrin, presidente da Unimed Francisco Beltrão, e Maura Carrara, presidente da Sicredi Nossa Terra, que integraram um painel coordenado pelo superintendente do Sescop/PR, Leonardo Boesche. O Cooper Líder Feminino foi encerrado com o show musical da dupla que é um fenômeno global, o Overdriver Duo.

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