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COOPER LÍDER II: A poesia transformadora de Bráulio Bessa

A história de Bráulio Bessa, um dos maiores artistas populares da atualidade, suas reflexões e a influência feminina em sua vida, foram destaques no Encontro Virtual Feminino de Lideranças Cooperativistas (Cooper Líder), realizado pelo Sistema Ocepar, na última sexta-feira (25/09), por meio da plataforma Teams e transmissão pelo Canal Paraná Cooperativa no Youtube.  Bráulio Bessa é poeta, cordelista, declamador e palestrante. É alguém que hipnotiza com palavras. Com sua fala mansa, sotaque inconfundível cearense e seu inseparável chapéu, Bráulio Bessa tem milhões de visualizações nas redes sociais, um quadro semanal no programa matinal Encontro Com Fátima Bernardes, exibido pela TV Globo, e seus livros estão na lista dos mais vendidos do país. 

Inspiração - “Contar a minha história é inspirar. Minha mãe não me pariu no sofá de Fátima Bernardes. Existe uma história por trás disso. Quem esquece de onde veio, não sabe pra onde vai”, disse. “O meu ou o seu caminho, não são muito diferentes, tem espinho, pedra, buraco pra mode atrasar a gente, mas não desanime por nada, pois até uma topada empurra você pra frente”.

A descoberta - O que você vai ser quando crescer? Uma pergunta comum, de uma professora dedicada do interior do Ceará, fez aflorar a dúvida no então menino, Bráulio Bessa.  Enquanto o restante da turma respondia, sem hesitação, Bráulio se deu conta de que não tinha resposta. Mal sabia ele que a mesma professora que fizera aflorar a dúvida também o ajudaria a encontrar sua vocação. “Semanas depois, ela passou outro trabalho que era estudar a obra de um poeta. Foi debruçado sobre os livros, encantado com o que lia, com a rima, a métrica da poesia, que decidi o que queria fazer na vida: escritor e poeta. Corri até minha professora e pedi que repetisse a pergunta. E lá veio: ‘Bráulio, o que você que ser quando crescer’. Não vou ser, respondi. Eu já sou. Poeta”.  Disse que “nossa missão é entender que servimos para alguma coisa boa e que podemos deixar algo de bom”. “E eu quero ser escritor e poeta, ajudar a transformar a vida de alguém. Ela me olhou, pensou nas minhas palavras e disse: ‘pois você já é poeta’. Estas palavras, dessa professora, me fizeram poeta. Ela tinha noção do poder e da missão que um ser um humano tem”, contou.

O Brasil gosta de poesia - Bráulio Bessa relembrou fatos de sua trajetória profissional, sempre com uma reflexão poética sobre sonhos, vida, atitude, perseverança e esperança. O artista disse que com a tutoria de sua professora de escola, passou a escrever textos todas as semanas, aprimorando a escrita e seu olhar poético. “Ser poeta é ser um observador”, confessou. Afinal, nem toda lágrima é dor, nem toda graça é sorriso, nem toda curva da vida, tem uma placa de aviso, e nem sempre o que você perde, é de fato um prejuízo”.

Persistência - Bráulio falou da tentativa de publicar seus textos e as negativas das editoras, com a justificativa de que o “sua poesia era muito limitada, por ser regional, e que o mercado editorial brasileiro não tem espaço para poesia”.” “Fiquei muito incomodado com isso. Pensei em Carlos Drummond de Andrade e tantos outros poetas. Ora, pensei, o brasileiro gosta de poesia, só não sabe disso. E alguém tinha que contar isso pra ele. E esse alguém era eu”, disse. E arremata: “Sendo eu, um aprendiz, a vida já me ensinou que besta é quem vive triste, lembrando o que faltou”.

Reflexões - “O Brasil tem um grande defeito. Valoriza muito o famoso, não o artista. Não conhece os artistas populares. Não podemos cobrar o contrário. Como cobrar que o povo valorize algo que não conhece?”, disse. “Decidi que não podia seguir batendo na porta de mais 40 editoras, sem ter um público. Tinha que ter a certeza de que estava escrevendo pra gente. Decidi ir para a rua, para as feiras, declamar poesias. E a internet é a maior feira do mundo. Peguei a literatura de cordel, que sempre foi vista com olhos tortos, principalmente pelo mundo editorial, e trouxe para o mundo tecnológico”, contou.

A um passo da TV - O convite para a TV surgiu ao acaso. “Um dia recebi um email do programa da Fátima Bernardes. Não me enxergava no universo da televisão, um cara do interior do Ceará, cheio de sotaque. Pensei que era um vírus, e não respondi na hora. Voltei ao assunto só às 9 horas da noite.  Quando descobri que era verdade, pensei que tinha perdido a grande chance da minha vida, de ser visto por cinco minutos, em rede nacional".

A grande chance - Nas semanas seguintes, uma nova chance: um convite para entrar ao vivo por dois minutos. “Mas na hora, quanto a Fátima disse “bom dia”, minha conexão de internet falhou. Os dois minutos se transformaram em 30 segundos. Fiquei apavorado. Era um momento de crise. E então criei uma oportunidade, me convidei para ir ao vivo”, disse. Este convite veio semanas mais tarde, desta vez, a proposta era que Bráulio declamasse um poema sobre a história do jovem cearense João Vitor, um menino pobre e que tirou a maior nota no Enem. “No palco, olhei para a mãe do João Vitor e pensei que a inspiração ali era ela. Declamei um poema sobre a força de uma mãe, nordestina, brasileira”, contou.

A revelação- Finalmente, o talento de Bráulio Bessa foi revelado ao Brasil. Desde então, se passaram cinco anos. E o brasileiro, que já gostava de poesia, mesmo sem saber, passou a amar ainda mais, a partir do trabalho desse cearense que ao dar voz aos seus sentimentos, consegue tocar a alma e transformar vidas. Confira a seguir, um dos mais belos poemas de Bráulio Bessa.

RECOMECE

Quando a vida bater forte
e sua alma sangrar,
quando esse mundo pesado
lhe ferir, lhe esmagar...
É hora do recomeço.
Recomece a LUTAR.

Quando tudo for escuro
e nada iluminar,
quando tudo for incerto
e você só duvidar...
É hora do recomeço.
Recomece a ACREDITAR.

Quando a estrada for longa
e seu corpo fraquejar,
quando não houver caminho
nem um lugar pra chegar...
É hora do recomeço.
Recomece a CAMINHAR.

Quando o mal for evidente
e o amor se ocultar,
quando o peito for vazio,
quando o abraço faltar...
É hora do recomeço.
Recomece a AMAR.

Quando você cair
e ninguém lhe aparar,
quando a força do que é ruim
conseguir lhe derrubar...
É hora do recomeço.
Recomece a LEVANTAR.

Quando a falta de esperança
decidir lhe açoitar,
se tudo que for real
for difícil suportar...
É hora do recomeço.
Recomece a SONHAR.

Enfim...

É preciso de um final
pra poder recomeçar,
como é preciso cair
pra poder se levantar.
Nem sempre engatar a ré
significa ca voltar.

Remarque aquele encontro,
reconquiste um amor,
reúna quem lhe quer bem,
reconforte um sofredor,
reanime quem tá triste
e reaprenda na dor.

Recomece, se refaça,
relembre o que foi bom,
reconstrua cada sonho,
redescubra algum dom,
reaprenda quando errar,
rebole quando dançar,
e se um dia, lá na frente,
a vida der uma ré,
recupere sua fé
e RECOMECE novamente.

Bráulio Bessa

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