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FÓRUM DE MERCADO II: Agricultura paranaense de olho no clima e mercado; apreensão e otimismo

Questões cruciais para a agricultura brasileira e, em especial, a paranaense, o clima e o mercado de commodities, especialmente de soja e milho, foram esmiuçadas no Fórum de Mercado, via live, na tarde desta quarta-feira (30/09), na TV Paraná Cooperativo. As estrelas do evento, com mais de 700 visualizações em várias partes do Brasil, por meio do canal Youtube, foram Luiz Renato Lazinski, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com mais de 30 anos de trabalho, e André Pessôa, engenheiro agrônomo da Agroconsult, especialista em análise de mercados agrícolas e política  e de política agrícola.  Se de um lado, o mercado de commodities sinaliza horizonte azul para a safra 2020/2021, do outro, o clima aumenta preocupação por falta de chuvas regulares e veranicos à vista.

Estiagem - Lazinski traduziu a realidade mostrada pelos mapas meteorológicos: na prática, o La Niña, mesmo de intensidade de fraca a moderada, já está influenciando o clima desde o início do mês de setembro e que deve perdurar até maio de 2021. Uma interpretação nada favorável à agricultura, uma vez que o fenômeno, decorrente do esfriamento das águas do Oceano Pacífico, reduz a regularidade e o volume das chuvas, o que acentua a escassez hídrica do solo, retarda o início do plantio e prejudica o desenvolvimento das lavouras. E há um agravante, apontado pelo meteorologista, o Paraná, como outras partes do país, ainda está sob o efeito do que se denomina neutralidade climática desde setembro de 2019, o que explica a ocorrência de precipitação mais espaçada e abaixo da média, desfavorável, portanto, à manutenção de umidade ideal para suprir as necessidades da plantação. Isso também explica o baixo volume de água de reservatórios de abastecimento das cidades, como é o caso de Curitiba.

Chuva - Fenômeno fundamental para a agricultura, tanto para o seu sucesso ou fracasso, e sobre o qual o setor não tem como influir, o clima vai tirar o sono de muita gente, porque afetando este setor, desfavorece toda uma cadeia econômica. E o efeito do La Niña vai além do final da safra de verão, avançando até maio de 2021. No entanto, há previsão de chuva boa a partir dos próximos dias 10 e 11 deste mês. “Será uma precipitação boa, abundante. O problema é que, devido à irregularidade dessas ocorrências, é difícil a manutenção da umidade do solo”, pondera Lazinski. Isso significa que o centro-sul da América do Sul, compreendendo Mato Grosso do Sul, São Paulo, toda a região sul do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, vai sofrer com a falta ou irregularidade de chuvas. Situação diferente vai ser nas regiões sudeste e centro-oeste que terão chuvas mais regulares.

Soja - Em sua exposição, André Pessôa lembrou que o mercado da oleaginosa permanece firme sustentado principalmente pela crescente demanda da China, com a recomposição do plantel de matrizes suínas perto de 21 milhões de cabeças, num nível altamente profissional, priorizando nutrição e sanidade. O consumo doméstico também tem influenciado a alta dos preços da commodity. Por exemplo,  dos 125 milhões de toneladas colhidos na safra 2019/2020, o Brasil esmagou mais de 44 milhões de toneladas, porque o agronegócio não parou com a pandemia da Covid-19, o que se evidenciou com o consumo de óleo diesel utilizado pela frota de caminhões. Isso elevou a produção de biodiesel, do qual a soja é um dos componentes. O analista pontuou ainda que o foram exportados 81 milhões de toneladas, aproveitando o mercado aquecido, com bons preços e prêmios. Em Paranaguá, a saca de soja em setembro registrou recorde de R$ 150. A média do mês fechou acima de R$ 140 a saca e os prêmios também atingiram níveis históricos para esta época do ano, de US$ 1,80. “Só não exportamos mais por falta de produto.”

Cenário - Pessôa pontuou ainda que para a safra 2020/2021, o país manterá a performance de maior exportador da soja, tendo a China como principal destino. Estima-se que o mercado chinês terá de importar, em 2021, mais de 100 milhões de toneladas, frente aos cerca de 98 milhões de toneladas deste ano, com o Brasil fornecendo a maior parte deste volume, mesmo com os Estados Unidos voltando ao cenário, tanto no fornecimento de grãos como proteína animal. A produção brasileira, em área de 38,2 milhões de hectares, deve atingir o recorde de133,4 milhões de toneladas, pelos cálculos da Agroconsult, em um momento muito favorável para a atividade, mesmo considerando que houve alta no preço dos insumos. Sinal disso: as vendas antecipadas da próxima safra já chegam a 60% no Mato Grosso e 40% no Paraná, inclusive há registros de negócios da produção do período 2021/2022 nestes dois estados. “A venda antecipada é uma vacina contra as incertezas do mercado”, disse. O próximo ano será marcado pelo equilíbrio de oferta de procura, pois os EUA devem plantar mais soja, o que sinaliza preços abaixo de US$ 10/buschel. “Isso se não houver uma derrapada na produção por causa da alguma adversidade do clima”, ponderou.

Milho - Pessôa, lembrando que o Brasil, pelo segundo ano consecutivo, alcançou produção superior aos 100 milhões de toneladas de milho, disse que o país teve um desempenho significativo de exportação do cereal, com o embarque de 35 milhões de toneladas, neste ano. O volume só não foi maior por causa do consumo doméstico para atender demanda da avicultura, suinocultura e até para a produção de etanol. A expectativa é de aumento na área de milho, que vai chegar a 19 milhões de hectares, o que, em condições normais, permitirá a produção de até 111 milhões de toneladas do cereal no ano que vem, suficientes para abastecer o mercado interno e incrementar as exportações, que devem chegar perto dos 40 milhões de toneladas. A rentabilidade do milho  por hectare no Paraná, na safra verão, está calculada em R$ 5.016,00 e, para a safrinha, em R$ 2.272,00. A frustração de safra e o aumento das exportação do cereal pelos Estados Unidos contribuíram para manter os estoques baixos e ajudaram a recuperação do preço, o que sinaliza US$ 4/bushel, comentou o analista. 

 

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