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AGRONEGÓCIO III: Oportunidades e desafios para o agro e cooperativas do Paraná na Indonésia e Coréia do Sul

 

Localizada na Ásia, com PIB de US$ 1,12 bilhão – a economia tem crescido, em média, 5% ao ano na última década –, a Indonésia é um potencial mercado para o agronegócio brasileiro, na avaliação do adido agrícola Gustavo Bracale. Dos 267 milhões de habitantes, 225 milhões são muçulmanos o que sinaliza uma boa oportunidade para os produtos brasileiros, especialmente os originários das cooperativas do Paraná, uma vez que o mercado halal, que inclui alimentos e bebidas, é avaliado em US$ 173 bilhões. A dieta alimentar do indonésio é pouco diversificada, pois se baseia no consumo de carboidratos, especialmente arroz e macarrão instantâneo.  Bracale foi um dos adidos convidados do Fórum de Mercado Internacional, encontro realizado com a presença dos representantes do Ministério da Agricultura em países asiáticos, e que foi mediado pelo jornalista Samuel Milléo Filho e transmitido ao vivo pelo canal do Sistema Ocepar no Youtube, a TV Paraná Cooperativo

 

Mercado Nos nove primeiros meses deste ano, aquele país exportou para o mercado brasileiro US$ 175 milhões, especialmente em óleo de palma, enquanto os embarques brasileiros para lá atingiram US$ 1,3 bilhão, com destaque para o farelo de soja, algodão e tabaco e, principalmente, com a retomada de negócios com o açúcar, devido à quebra da produção na Tailândia e Austrália. As importações da pauta agropecuária da Indonésia totalizaram, em 2019, US$ 18 bilhões, o que sinaliza que há uma boa fatia do mercado a ser conquistada pelo agronegócio brasileiro, segundo Bracale. 

 

Desafios - Ele disse que a missão é destravar aquele mercado para mais produtos brasileiros, apontando que os principais potenciais são os cereais, farelo e rações, borracha, algodão, açúcar, papel e celulose, oleaginosas, frutas e nuts, lactose e carnes. “Isso dá a ideia de qual é a verdadeira demanda de produtos agropecuários dos indonésios, a nossa atual participação e as possibilidades de ampliarmos a participação nesse mercado”, analisou. Dentro dos avanços, citou que, desde 2019, foram abertas as exportações e carne bovina congelada do Brasil, com a habilitação de 10 plantas, mas que se aguarda a liberação e pedido para mais 16 plantas, com o intuito de elevar a participação naquele mercado. Informou ainda que o governo indonésio sinalizou a abertura de importação de subprodutos de origem de animal, como farinhas e gorduras, para a produção de ração. E há um campo interessante para a oferta de produtos e serviços para o setor pecuário, como material genético, consultoria técnica, entre outros, que podem ser de interesse das cooperativas.  

 

Resistência - Em média, as tarifas de importação são baixas, em 5%. Mas, para atender interesses locais, o governo adota mecanismos para dificultar a entrada de produtos estrangeiros no país. Por exemplo, não importa carne de frango, para evitar impactos socioeconômicos e políticos. Esclareceu que, de um lado, há setores que defendem a abertura do mercado, mas de outro, há a força do lobby dos produtores que têm influência sobre os tomadores da decisão e o reforço de poucos conglomerados econômicos que dominam a cadeia e querem manter cativo esse setor. “Apesar de subsídios oficiais à produção, especialmente quanto à ração, na mesa do consumidor, o preço da carne de frango não é competitivo frente ao produto de outros mercados, especialmente do brasileiro.” A Organização Mundial do Comércio (OMC) deu ganho de causa ao Brasil em um painel contra a restrição da entrada de carne de frango. “O painel é de 2014 e, apesar da divulgação do relatório final, ainda não sabemos como e em que momento se dará essa abertura.”  

 

Competição - O adido agrícola na Coréia do Sul, Gutemberg Barone, disse que aquele país é extremamente interessante e, ao mesmo tempo, desafiador para o agronegócio brasileiro, porque, se de um lado, há um espaço muito grande a ser ocupado, por outro, é preciso enfrentar a competição de outros países. Com 51,83 milhões de habitantes, PIB de US$ 1,64 bilhão, em 2019, o país exportou US$ 542,3 bilhões, especialmente em maquinários, circuitos eletrônicos e automotivos e navios, e importou US$ 5032 bilhões, em petróleo, minérios, circuitos integrados e produtos do agronegócio. Aliás, a Coréia do Sul mantém acordo de livre comércio com 58 países que são competidores do Brasil no agronegócio. Outra questão a ser considerada: os sul-coreanos, em geral,  dão preferência aos alimentos de procedência nacional, mas por conta da juventude, especialmente devido à conexão virtual,  a influência ocidental já se observa pelo consumo de pizza, macarrão, carnes e diversos tipos de queijos, em contraste com a manutençao da dieta tradicional à base de arroz, vegetais, sopas e algumas carnes.  

 

Proteção -  Barone acrescentou ainda que o sul-coreano também é criterioso quanto a questões sanitárias e alimentos saudáveis, lembrando que, em 2019, devido ao surgimento de focos de peste suína africana no plantel do país, o consumo desta proteína teve acentuada queda e foi substituída pela carne de frango. E lembrou que o país tem um sistema complexo de fiscalização quanto à importação de produtos de origem agropecuária, com a atuação de vários órgãos, desde o Ministério da Agricultura, agências de ficalização, Ministério da Segurança de Alimentos e Medicamentos, que têm o poder de impor barreiras técnicas. “Portanto, produtos do agronegócio de outros paises para entrar na Coréia do Sul têm de enfrentar um sistema complexo de regualação oficial, além da resistência de produtores do setor e dos consumidores”, disse.  Dos  US$ 49 bilhões das importações do agronegócio em 2019, o Brasil participou com apenas 4,7%. 

 

Perspectivas - Barone disse que, em 2019, o Brasil exportou para aquele mercado  soja, em grãos e farelo,milho, café, carne de aves, manga, algodão, roupa e tabaco. E apenas Santa Catarina, conseguiu recentemente, depois de mais de 10 anos de negociação, entrar no merca de carne suína. E agora, com os avanços sanitários no Paraná, inclusive com reconhecimento oficial do governo brasileiro, e com a validação internacional pela OIE, prevista para ocorrer em  2021, de estado livre da peste suína clássica e da febre aftosa do rebanho bovino, o adido informou que já entrou com o pedido junto ao governo daquele país para estender a autorização de importação da carne suína para o Paraná e Rio Grande Sul. “Espero que não demore tanto.” Disse ainda que  também  está em negociação a exportação de carne bovina para aquele país. E lembrou que, neste ano, houve aumento muito grande da exportação de etanol, que entra na composição do álcool em gel, por causa do aumento do consumo devido à pandemia da Covid-19. E insistiu que ainda há um espaço muito grande a ocupar no setor de carne bovina, pescados, camarões, frutas, lácteos. E lembrou que, no caso das carnes de frango e suína, o país produz em torno de 80% da demanda local. “É preciso conhecer bem o mercado sul-coreano, aumentar o número de empresas registradas e  o interesse do mercado por elas, além de se adequar aos procedimentos do país para determinados produtos”, acrescentou.  

 

 

 

 

 

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