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COCAMAR: Projeto SuperSolo é tema de evento da Embrapa

O SuperSolo, projeto que a Cocamar conduz há dois anos em parceria com a Embrapa Soja, foi o tema da 73ª Reunião do Treino e Visita que essa última instituição promoveu na terça-feira (24/11), em videoconferência.

Agenda - A programação iniciou às 8h10, com abertura a cargo de Carina Rufino, chefe de Transferência de Tecnologia e Inovação, e Maiko Zanella, analista de desenvolvimento técnico do Sistema Ocepar. Na sequência, o gerente técnico da Cocamar, Rafael Furlanetto, fez uma apresentação da iniciativa, seguido de uma palestra do engenheiro agrônomo e cooperado da Cocamar em Apucarana, Fábio Von Gaevernitz Lima, a respeito dos impactos do projeto na visão do produtor.

Pesquisadores - Os resultados do projeto SuperSolo: fertilidade do solo, foi o tema abordado a seguir pelo pesquisador da Embrapa, Henrique Debiasi , sucedido pelo colega Júlio Franchini, que analisou Resultados do Projeto Super Solo: monitoramento de talhões por imagens aéreas. Após a discussão dos resultados pela equipe do Treino e Visita, a especialista Divania de Lima, da Embrapa Soja, falou sobre encaminhamentos para a próxima reunião.

O projeto- Furlanetto comentou que Cocamar e Embrapa realizaram o SuperSolo pelo segundo ano seguido, na safra de verão passada. Trata-se de um levantamento sobre as características dos solos em diferentes regiões de atuação da cooperativa, no norte e noroeste do Paraná. No ciclo anterior (2018/19) foram visitadas 24 propriedades rurais e nesse último (2019/20), mais 25.

Reduzir perdas - De acordo com Henrique Debiasi, “a agricultura é a arte de reduzir as perdas, pois os materiais, como sementes, já chegam com todo o seu potencial produtivo. Por isso, quanto melhor o produtor manejar o seu solo e empregar adequadamente os recursos, menos ele irá perder em produtividade”.

Manejo - Nesse contexto, a forma como o solo é manejado acaba sendo decisiva e não vai adiantar investir apenas em adubação química, deixando de lado os aspectos físico e biológico. Se o solo estiver compactado – o que é comum na realidade da agricultura paranaense – as raízes vão se aprofundar cerca de 20 cm, enquanto que em solo não compactado o sistema radicular pode alcançar o dobro em profundidade, assegurando um ambiente mais favorável às plantas ao reduzir os efeitos de veranicos.

Insumos - O pesquisador chamou atenção para o fato de o produtor observar alguns quesitos básicos e elementares para o sucesso do seu negócio, entre os quais uma análise de solo – o que lhe permitirá fazer a reposição de nutrientes de acordo com as necessidades detectadas. “Uma análise de solo custa muito barato diante do resultado que ela vai trazer na colheita”, afirmou Debiasi, mencionando que além dos insumos comuns – adubos, sementes, fertilizantes e defensivos – o produtor também deve levar em conta outros “insumos”, que dependem dele, como uma boa cobertura do solo, o mínimo revolvimento do mesmo, enriquecê-lo com matéria orgânica, proporcionar que as raízes se desenvolvam e também uma diversidade biológica, com práticas, entre as quais, a rotação de culturas.

Infiltração de água- “O principal fator para a viabilidade de uma cultura é a água, quanto mais água, maior a uniformidade da lavoura”, ressaltou o pesquisador, lembrando que uma visão aérea de um campo geralmente permite ver muitas falhas. Segundo ele, a capacidade de infiltração de água aumenta com a diversificação, sendo o capim braquiária mais factível para a realidade regional, cultivado em consórcio com o milho de inverno ou de forma solteira. Além dos benefícios trazidos pelo seu enraizamento, que rompe a compactação, oxigena o solo, abre canais para a infiltração de água e cicla nutrientes de camadas mais profundas, a braquiária vai inibir o desenvolvimento de ervas de difícil controle, como a buva e o amargoso. “Os resultados do consórcio milho x braquiária atingem o seu ápice no terceiro ano.”

Arapongas - Para mostrar um pouco dessa realidade e também do projeto SuperSolo, no dia 17 de novembro o Rally Cocamar de Produtividade visitou duas propriedades no município de Arapongas, em companhia do pesquisador Henrique Debiasi, da Embrapa Soja, e do gerente técnico da Cocamar, Rafael Furlanetto.

Sustentabilidade - Na primeira, com área de 130 hectares, há 21 anos os proprietários fazem plantio direto e há três aprimoraram o sistema para torná-lo mais sustentável e garantir mais produtividade, adotando no inverno o consórcio milho e braquiária recomendado pela Cocamar. O administrador Paulo Staffen, que trabalha ali há 31 anos, disse estar satisfeito com o que a braquiária tem proporcionado ao solo. No primeiro ano de consórcio com o milho, lembrou Staffen, o capim concorreu com a cultura de inverno, o que já era esperado, mas nas duas safras seguintes, diante das boas condições de solo, contribuiu para um aumento de produtividade do cereal, sem falar dos efeitos positivos disso sobre a cultura no verão.  

Diagnóstico - A equipe de técnicos que acompanhou o Rally analisou as plantas, observando o bom desenvolvimento das raízes, e coletou amostras para fazer um diagnóstico rápido de estrutura de solo, que permite saber, por exemplo, sobre como está sendo a infiltração de água.

Saúde do solo - O pesquisador da Embrapa, Henrique Debiasi, mostrou que o solo coletado se desprendeu com facilidade, em torrões pequenos, possibilitando a infiltração da água da chuva. “Essa é uma propriedade que se pode considerar sustentável”, disse, uma vez que o investimento é feito pensando, principalmente, na saúde do solo. Com a boa infiltração, ocorre também o armazenamento de água – condição para que as plantas, ao desenvolver raízes mais profundas, resistam por mais tempo uma estiagem.

Sem cobertura - O mesmo diagnóstico foi efetuado em outra propriedade no mesmo município, onde a soja havia sido semeada em solo sem qualquer tipo de cobertura. Desta vez, observou-se que as raízes das plantas não se desenvolvem devido à compactação, comprovada pela coleta de amostras, que resultou em torrões grandes e compactos. Furlanetto explicou que embora houvesse ainda umidade na camada inferior, as raízes não conseguiam acessá-la, diferente do que se viu na propriedade anterior.

Resultados desiguais - “Nas duas propriedades foram utilizados, possivelmente, os mesmos insumos, havendo o mesmo investimento. Inclusive o solo argiloso apresenta características semelhantes. No entanto, os resultados com certeza vão ser muito desiguais”, completou o gerente técnico da Cocamar. (Imprensa Cocamar)          

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