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PESQUISA: Embrapa lança manual para subsidiar mistura de produtos químicos no pulverizador

pesquisa 27 08 2021A Embrapa Soja acaba de lançar o Manual técnico para subsidiar a mistura em tanque de agrotóxicos e afins, publicação que é resultado de estudos realizados conjuntamente com a Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp) e a Bayer Crop Science. “Com os resultados obtidos esperamos contribuir para esclarecer dúvidas e incentivar o uso racional das misturas de múltiplos produtos e compostos de diferentes tipos de formulações de produtos fitossanitários e/ou adubo foliar no pulverizador, evitando problemas de incompatibilidades no campo”, enfatiza o pesquisador Dionísio Gazziero, da Embrapa Soja.

Pesquisa - Em uma pesquisa realizada pela Embrapa, em 2015, em 17 estados do Brasil, constatou-se que 97% dos entrevistados utilizavam misturas em tanque, mesmo sendo prática não regulamentada no Brasil nessa época, e que 95% delas utilizavam entre dois e cinco produtos. A mistura de produtos químicos no tanque de pulverização, foi regulamentada por meio de Instrução Normativa no. 40, de 11 de outubro de 2018, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “Até então a prática era feita de forma intuitiva pelos produtores, porque os agrônomos que emitem as receitas de agrotóxicos não tinham respaldo legal e poucos tinham informações técnicas suficientes para recomendar seu uso”, diz Gazziero.

Informações qualificadas - Mesmo com a publicação da normativa, havia ainda a necessidade de gerar informações qualificadas e consistentes que pudessem subsidiar a tomada de decisão pelos técnicos e produtores rurais. Os autores dizem ainda que existe carência de informações em relação aos procedimentos gerais de preparo, a sequência de adição dos produtos, os riscos de incompatibilidades físicas e químicas e da interferência de misturas no controle de pragas.

Orientação - Neste sentido, a equipe de plantas daninhas da Embrapa Soja, em conjunto com a Uenp e técnicos da Bayer realizaram pesquisas que resultaram na elaboração do “Manual técnico para subsidiar a mistura em tanque de agrotóxicos e afins”. O Manual procura orientar agricultores e técnicos, apresentando informações sobre as formulações disponíveis, de forma geral os tipos de incompatibilidade física e química que podem ocorrer, além de discorrer sobre os possíveis problemas e as recomendações para evitá-los.

Mistura em tanque - De acordo com os autores, a ocorrência de insetos-pragas, doenças e plantas daninhas na cultura da soja podem ocorrer simultaneamente em uma mesma área, o que torna comum a mistura de químicos no tanque de pulverização. “Os produtores optam pelas misturas devido à economia de água e de combustível na prevenção e manejo da resistência de plantas daninhas, pragas e doenças e na redução na exposição do trabalhador rural aos agrotóxicos, entre outras, justificam os autores.

Incompatibilidade - Apesar dos benefícios, a mistura de produtos pode apresentar incompatibilidade, comprometendo a aplicação e a eficácia dos produtos. “A incompatibilidade pode acarretar gasto de tempo e dinheiro, pois a mistura pode não apresentar a eficácia esperada no controle, comprometer o sistema de pulverização, paralisar a pulverização, reduzir a eficiência operacional, dificultar a limpeza dos equipamentos e gerar resíduos que precisam ser descartados adequadamente”, afirmam ou autores.

Evitando o problema - A qualidade da água usada nas misturas é um elemento essencial no preparo da mistura em tanque Características como pH, dureza e turbidez, entre outras impactam na qualidade da mistura. “O pH influencia a solubilidade dos ingredientes ativos, risco de degradação alcalina ou ácida e os íons presentes na água podem interagir com esses e com os outros componentes, comprometendo a eficácia dos produtos presentes na mistura”, destaca. “Além disso, a presença de materiais como matéria orgânica e argila também pode levar à inativação dos ingredientes ativos”, explicam os autores.

Temperatura - Outro fator que pode provocar incompatibilidade é a temperatura, por influenciar a velocidade de dissolução e dispersão dos produtos, processos que são, em geral mais rápidos em água com temperaturas mais elevadas. O professor Rone Oliveira, da UENP, diz que é comum a ocorrência de incompatibilidade e dificuldade de dissolução durante as estações mais frias do ano, principalmente na região Sul do Brasil, devido à mudança de temperatura da água. “Algumas formulações podem necessitar de mais tempo para se dissolverem e dispersarem completamente em água fria, e outras podem formar géis em temperaturas inferiores a 15ºC”, detalha.

Falta de agitação - Também é apontado como risco ao sucesso da prática, a falta de agitação constante durante após o preparo da calda de pulverização. “Caso não haja agitação, os produtos podem não se dissolver ou não se dispersar adequadamente e serão depositados no fundo do tanque ou formar sobrenadantes na camada superior da calda. Por outro lado, a agitação muito intensa pode gerar problemas como a produção de espuma e, caso haja emulsões na mistura, pode ocorrer a desestabilização entre ingredientes ativos”, diz o professor.

Ordem - Além disso, a ordem da adição de produtos na mistura é também essencial para minimizar os riscos de incompatibilidades químicas e físicas, pois em alguns casos, a compatibilidade dos produtos dependerá da sequência de adição dos mesmos no tanque. Ainda, os autores ressaltam também que se deve levar em conta o volume de calda da mistura, por área, porque a concentração dos produtos e a quantidade de água utilizada no preparo da mistura podem afetar a solubilidade dos produtos. “É importante adicionar o volume de água indicado para garantir que os produtos sejam dissolvidos ou dispersados adequadamente. É conveniente ainda que as misturas sejam utilizadas logo após o preparo. O tempo de armazenamento de uma mistura pode comprometer a eficácia dos ingredientes ativos e comprometer a estabilidade da calda”, explica Ramiro Ovejero, pesquisador da Bayer.

Misturas - Diante de tantas especificações, os autores preconizam que as misturas devidamente recomendadas pelo engenheiro-agrônomo, devem ser feitas de forma a aliar as experiências de campo e laboratório, as boas práticas agrícolas e as informações de pesquisa disponíveis. (Assessoria de Imprensa da Embrapa Soja)

 

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